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Sucessão empresarial: legado construído pela família Garlini

A história da família Garlini mostra que sucessão empresarial é um processo construído com trabalho, preparo e visão de longo prazo

Sucessão empresarial: legado construído pela família Garlini
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Entre as muitas histórias que ajudam a explicar a força do empreendedorismo catarinense, algumas merecem destaque não apenas pelos resultados alcançados, mas pela forma como foram construídas. A trajetória da família Garlini é uma delas.

À frente da Construtora Rio Campense, o empresário Tarcísio Garlini representa uma geração que encontrou no trabalho uma necessidade antes mesmo de enxergá-lo como oportunidade. Ainda aos 13 anos, deixou o interior com a família em busca de melhores condições de vida em Indaial. O pai enfrentava graves problemas de saúde, e a renda familiar dependia diretamente da capacidade dos filhos de trabalhar. A construção civil deixou de ser uma escolha e tornou-se um compromisso.

O esforço produziu resultados. Aos 18 anos, Tarcísio já era um profissional reconhecido em obras. Pouco tempo depois iniciou sua própria operação, que cresceu de forma consistente até consolidar a Construtora Rio Campense como uma referência regional. O negócio expandiu sua atuação para incorporações imobiliárias, ampliou sua estrutura e hoje emprega dezenas de colaboradores, refletindo uma trajetória construída ao longo de décadas de disciplina, reinvestimento e permanência no mercado.

Enquanto a empresa evoluía, os filhos Thiago e Gabriel Garlini também percorriam um caminho pouco comum entre sucessores. Antes de assumirem funções estratégicas, iniciaram suas jornadas nos canteiros de obra, atuando como serventes. O conhecimento da operação veio antes da gestão, permitindo que ambos compreendessem o negócio pela base.

Com o passar dos anos, cada um encontrou seu espaço. Gabriel direcionou sua atuação para a área financeira e administrativa. Thiago assumiu a gestão das obras e, posteriormente, passou a liderar operações ligadas à incorporação imobiliária. A sucessão aconteceu de forma gradual, acompanhando o crescimento da empresa e a preparação técnica da segunda geração.

A evolução do grupo também ocorreu por meio da expansão para novos negócios. Diferentemente do que muitas pessoas podem imaginar, a Micheluzzi Revestimentos e as duas unidades da Casa Forte Material de Construção não nasceram dentro da família Garlini. As operações foram adquiridas já existentes e incorporadas ao grupo, ampliando sua presença no setor da construção civil.

Hoje, distribuídos entre funções de gestão e de conselho nas diferentes empresas do grupo, os integrantes da família mantêm uma cultura de especialização contínua, fortalecendo o ecossistema empresarial construído ao longo de décadas. O olhar permanece voltado para a evolução da governança, para a profissionalização das operações e para a identificação de novas oportunidades de crescimento, sempre com a compreensão de que empresas longevas precisam evoluir na mesma velocidade em que o mercado se transforma.

Essa trajetória ilustra uma realidade frequentemente observada em empresas familiares bem estruturadas: sucessão não significa substituição. Significa preparação.

Grande parte das empresas familiares brasileiras encontra dificuldades justamente na passagem entre gerações. Em muitos casos, o fundador concentra conhecimento, relacionamento comercial e poder de decisão durante décadas, tornando a transição um momento de elevado risco. Quando existe planejamento, formação dos sucessores e uma definição clara de papéis, a sucessão deixa de representar uma ruptura e passa a funcionar como uma evolução natural da organização.

É justamente esse modelo que tem permitido a diversas empresas familiares brasileiras atravessar gerações mantendo crescimento, capacidade de investimento e relevância econômica. O patrimônio permanece importante, mas deixa de ser o principal ativo. A cultura, a confiança e a governança passam a ocupar esse espaço.

A história da família Garlini também demonstra outro aspecto relevante do empreendedorismo contemporâneo: crescer nem sempre significa criar novos negócios do zero. Em muitos casos, significa identificar empresas consolidadas, preservar sua identidade, fortalecer sua gestão e ampliar seu potencial competitivo. A incorporação da Micheluzzi Revestimentos e da Casa Forte Material de Construção ao ecossistema do grupo traduz exatamente essa visão de longo prazo, baseada na capacidade de integrar operações, desenvolver pessoas e gerar valor de forma sustentável.

Em um ambiente empresarial que frequentemente valoriza resultados imediatos, histórias como a da família Garlini lembram que organizações sólidas são construídas ao longo de décadas. Elas começam com trabalho, amadurecem com disciplina e se perpetuam quando cada geração compreende que seu papel não é apenas preservar o legado recebido, mas fortalecê-lo para que a próxima geração encontre uma base ainda mais sólida. É esse compromisso silencioso, compartilhado entre Tarcísio, Thiago e Gabriel, que transforma uma história empresarial em um verdadeiro legado familiar.

Blumenau
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Sobre o autor

8 matérias publicadas

Pai do Pedro e da Eva; Diretor da Elevion Consultoria; Diretor de Negócios da Rede de Franquias Animal Farma. Consultor e Conselheiro Empresarial.

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