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Gestão empresarial

A vaga pede cinco anos. O trabalho pede outra coisa.

O requisito de diploma e cinco anos de experiência quase nunca está no anúncio porque é necessário. Está porque é fácil de conferir. E o custo disso é invisível, porque você nunca fica sabendo da pessoa excelente que o filtro descartou.

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Aparece com frequência em anúncio de vaga: ensino superior completo, inglês intermediário, cinco anos de experiência na função. Às vezes é uma posição que uma pessoa organizada aprende em três semanas.

O requisito não está ali porque é necessário. Está ali porque é fácil de conferir.

O filtro mede o que é fácil medir

Quem monta o anúncio precisa reduzir uma pilha de candidatos a um número administrável antes do fim da semana. Diploma, tempo de casa e certificado são campos que se checam em dois segundos. Cuidado com detalhe, constância e honestidade quando erra não têm campo no formulário.

Aí acontece o de sempre: o critério fácil vira o critério oficial. Não porque alguém decidiu que ele prevê desempenho, mas porque ele encurta a triagem.

O custo disso é invisível, e é por isso que ninguém corrige. Você nunca fica sabendo da pessoa excelente que o filtro descartou. Ela some da sua vida antes de virar nome.

Enquanto isso, o mesmo filtro deixa passar gente com o currículo perfeito e o comportamento errado, porque nada no papel mede o que importa.

Vale dizer que muita empresa sabe disso e mesmo assim mantém o filtro. Não por convicção, por proteção. Contratar fora do padrão exige justificar a escolha se der errado, e contratar dentro do padrão não exige explicação nenhuma. O currículo, nesse caso, está protegendo quem contrata, não a operação.

O que a operação realmente pede

Em função de operação, o que separa quem entrega de quem não entrega quase nunca é conhecimento técnico. É constância: fazer igual na terça e na sexta, no turno cheio e no turno vazio. É avisar cedo quando errou, em vez de torcer para ninguém perceber. É reparar no detalhe que não estava na instrução.

Nada disso aparece no currículo, mas tudo isso aparece numa conversa bem feita, e aparece rápido.

Pergunta que costuma revelar mais que meia hora de entrevista: me conta de uma vez em que você errou e alguém só descobriu depois. Quem tem resposta pronta e confortável para isso já pensou no assunto. Quem nunca errou em lugar nenhum ou não está lembrando, ou não estava prestando atenção.

Outra que funciona: pede para a pessoa explicar, do jeito dela, uma parte chata do trabalho anterior. Quem entendeu de verdade explica simples. Quem decorou usa o jargão.

Antes que isso vire desculpa

Essa conversa tem um lado perigoso, e eu não quero ajudar a alimentar ele.

Tem função em que o diploma e o certificado não são burocracia, são segurança. Elétrica, altura, saúde, transporte de valores, responsabilidade técnica. Ali o requisito formal está protegendo alguém, e relativizar isso não é ousadia, é irresponsabilidade.

Tem também o uso torto do discurso. "A gente contrata por atitude" virou, em muito lugar, o jeito elegante de pagar menos, não treinar e chamar isso de meritocracia. Contratar quem não tem a formação e não oferecer formação nenhuma não é aposta em potencial. É economia disfarçada.

E tem o risco mais silencioso. Quando se tira o critério objetivo e não se coloca nada no lugar, sobra intuição. Intuição, em processo seletivo, costuma significar contratar quem se parece com quem já está lá. O filtro some e o viés fica, agora sem nem poder ser discutido.

Por isso o caminho não é abandonar critério. É escrever um critério que descreva o trabalho de verdade, e usar o mesmo para todo mundo.

Escrever isso dá trabalho uma vez e economiza discussão para sempre. E tem um efeito colateral bom: quando a exigência está no papel, fica visível quando ela não faz sentido. Requisito que ninguém consegue justificar por escrito costuma cair sozinho na primeira leitura.

Como a gente tenta fazer aqui

Na CloudPark, para as funções de operação, a pergunta que orienta a vaga é o que a pessoa precisa conseguir fazer no terceiro mês. Não o que ela precisa ter feito antes.

Muda bastante coisa. O anúncio fica mais honesto, a conversa fica mais concreta, e a decisão deixa de ser sobre passado e passa a ser sobre o que a pessoa vai encontrar quando chegar. Tem quem não dê certo mesmo assim. Só que erra-se por outro motivo, e esse dá para corrigir.

O que fica

O currículo conta onde a pessoa esteve.

A vaga é sobre onde ela vai. São coisas diferentes, e quase todo processo seletivo confunde as duas.

#gestão de pessoas#recrutamento#liderança#operação#contratação
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Sobre o autor

Johnny BrandtColunista

29 matérias publicadas

CEO e co-fundador da CloudPark, empresa especializada em tecnologia para gestão e automação de estacionamentos. Apaixonado por automação, empreendedor, investidor e palestrante, dedico minha trajetória a desenvolver soluções que simplificam operações, geram resultados e impulsionam a evolução da mobilidade urbana. Há mais de 12 anos lidero equipes, projetos e estratégias de crescimento, sempre com foco em inovação, eficiência e experiência do cliente. Acredito que grandes transformações acontecem quando tecnologia, pessoas e propósito trabalham na mesma direção.

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