A tragédia do Nepal vista de Santa Catarina, terra de cheias
Uma enxurrada desceu do Himalaia e, em poucas horas, levou casas, pontes e vidas no norte do Nepal. Vivemos numa região marcada pelas próprias cheias, onde a água nos obriga a lembrar: nossa fragilidade comum e o dever de solidariedade.

Uma enxurrada repentina desceu da região do Himalaia, na fronteira com o Tibete, e em poucas horas arrastou casas, pontes e estradas no distrito de Rasuwa. Até o fechamento desta coluna, as autoridades nepalesas falavam em dezenas de mortos e centenas de desaparecidos, moradores, turistas e também dezenas de policiais que tentavam socorrer. Os números ainda subiam. Provavelmente estarão maiores quando você ler isto.
Eu poderia tratar isso como notícia distante, dessas que a gente rola no celular entre um compromisso e outro. Mas sou de Santa Catarina, e aqui a gente conhece a água por dentro. Vimos, não faz muito tempo, o Rio Grande do Sul debaixo d’água e cidades inteiras do nosso Vale sem ter para onde correr. A gente sabe o que é ver o rio subir mais rápido do que a razão consegue acreditar. Por isso Rasuwa, do outro lado do mundo, não me parece tão longe. É a mesma água, o mesmo susto, a mesma gente perdendo em uma tarde o que levou uma vida para construir.
Há um pano de fundo que não dá para ignorar. Esses eventos enxurradas relâmpago, rompimento de lagos glaciais no alto das montanhas, chuvas fora de qualquer padrão estão ficando mais frequentes, e não só no Himalaia. O clima que muda não pede licença nem respeita fronteira. Ele cobra primeiro de quem tem menos: a casa mais perto do rio, a comunidade sem alerta, o trabalhador que estava justamente no lugar errado na hora errada.
Em toda catástrofe assim, de Rasuwa ao Vale do Itajaí, os primeiros a chegar quase nunca são os grandes discursos. São os vizinhos. É o barco emprestado, o galpão que vira abrigo, o caminhão que sai carregado de água e cobertor sem ninguém mandar. A mesma solidariedade que a gente viu florescer aqui no Sul, no meio da lama, está agora subindo as montanhas do Nepal na forma de milhares de mãos.
Talvez seja essa a única certeza que a água nos deixa toda vez que leva tudo: a de que ninguém se reconstrói sozinho.
Que as famílias do Nepal encontrem os seus. Nossa solidariedade ao povo do Nepal.
Grupo Corrêa · correamte.com.br · @correamtes
Sobre o autor

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CEO do Grupo Corrêa, um dos maiores conglomerados do setor elétrico e varejista do Sul do Brasil. Com uma trajetória inspiradora de superação, iniciou sua carreira aos 14 anos trabalhando no almoxarifado e hoje lidera um grupo empresarial que fatura mais de R$ 240 milhões por ano. Sob sua gestão, o Grupo Corrêa não apenas superou uma recuperação judicial em 2016, mas também alcançou a 14ª posição nacional em seu segmento, sendo a única empresa do setor elétrico no ranking. Sua liderança é marcada pela construção de uma cultura organizacional forte e inimitável. Reconhecido pelo Prêmio ANAMACO, considerado o Oscar da Construção Civil Brasileira por dois anos consecutivos, Juliano também é o idealizador do Projeto Inspiração Corrêa, uma iniciativa voltada ao apoio de jovens atletas e empreendedores, demonstrando que o verdadeiro sucesso empresarial está no cuidado com a sociedade.
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