O estado que não tem medo de empreender
SC bate recorde de novas empresas em 2026, mas o IBGE mostra que a maioria não chega ao 5º ano.

Santa Catarina nunca abriu tantas empresas. Agora vem o difícil.
Todo mês, alguém que eu conheço decide abrir o próprio negócio. Em Santa Catarina, isso virou quase parte da paisagem e os números confirmam. Só que abrir é a parte fácil da história.
O estado que não tem medo de empreender
O catarinense empreende como quem respira. Só no primeiro trimestre de 2026, foram abertos 94.332 pequenos negócios no estado, um crescimento de 14,8% sobre o mesmo período do ano anterior acima da média nacional, com os MEIs respondendo por 74% das novas formalizações. É uma energia que dá orgulho e que ajuda a explicar por que a nossa economia cresce como cresce.
Mas eu aprendi, ao longo dos anos, a comemorar esse dado com um pé atrás. Porque a festa da abertura esconde a parte silenciosa: quantas dessas empresas ainda vão existir daqui a cinco anos?
O que os números da festa não mostram
Aqui vale desfazer um mito antes: não é verdade que “80% fecham no primeiro ano”. Dados do IBGE mostram que cerca de 80% das empresas sobrevivem ao primeiro ano ou seja, aproximadamente uma em cada cinco encerra nesse período, não quatro. O problema não é o primeiro ano. É a distância.
Das empresas nascidas em 2017, apenas 37,9% seguiam ativas cinco anos depois ou seja, cerca de 60% não chegaram lá. E o nosso setor é dos mais expostos: o comércio tem a maior taxa de mortalidade, com 30,2% fechando em cinco anos, e os MEIs, 29%. Abrir é fácil. Durar é que são elas.
Por que umas duram e outras não
A diferença raramente está na sorte. Está no básico bem feito: planejamento antes de abrir, capital de giro em ordem para aguentar os meses magros do começo, e gestão de verdade não no improviso, equipe qualificada. Quem trata o próprio negócio como hobby caro tende a pagar caro por isso.
Não digo isso de fora. Digo como quem toca uma operação todos os dias e sabe que o que sustenta uma empresa não é o entusiasmo do primeiro mês, e sim a disciplina do quinto ano.
O que levar disso
A energia empreendedora de Santa Catarina é um patrimônio e não quero que ninguém confunda meu recado com pessimismo. Mas transformar quantidade de aberturas em permanência é o próximo desafio do estado. Empreender é começar. O mérito de verdade é continuar de pé quando a novidade passa.
Corrêa: elétricos, hidráulicos, casa e construção.
Corrêa no coração dos brasileiros.
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Sobre o autor

26 matérias publicadas
CEO do Grupo Corrêa, um dos maiores conglomerados do setor elétrico e varejista do Sul do Brasil. Com uma trajetória inspiradora de superação, iniciou sua carreira aos 14 anos trabalhando no almoxarifado e hoje lidera um grupo empresarial que fatura mais de R$ 240 milhões por ano. Sob sua gestão, o Grupo Corrêa não apenas superou uma recuperação judicial em 2016, mas também alcançou a 14ª posição nacional em seu segmento, sendo a única empresa do setor elétrico no ranking. Sua liderança é marcada pela construção de uma cultura organizacional forte e inimitável. Reconhecido pelo Prêmio ANAMACO, considerado o Oscar da Construção Civil Brasileira por dois anos consecutivos, Juliano também é o idealizador do Projeto Inspiração Corrêa, uma iniciativa voltada ao apoio de jovens atletas e empreendedores, demonstrando que o verdadeiro sucesso empresarial está no cuidado com a sociedade.
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