Insights Startup Summit 2026: o uso de IA para atrair fundos de série A
No Startup Summit 2026, executivos da Uncover e ABSeed Ventures revelaram como a automação de gargalos operacionais e a transição para o modelo AI-First foram decisivas para captar uma rodada de Série A em um mercado de Venture Capital mais exigente.

Com investidores mais exigentes e o futuro do software tradicional em xeque, as startups foram forçadas a mudar totalmente o discurso para continuar atraindo investimentos.
No Startup Summit 2026, esse desafio foi o ponto central do painel que reuniu Matheus Guinezi, cofundador da Uncover (plataforma de inteligência de dados e atribuição de marketing para grandes anunciantes) e Franzo Zanette, sócio da ABSeed (fundo de Venture Capital especializado em startups B2B SaaS)
No debate, os especialistas detalharam como a Uncover reestruturou sua operação complexa para se posicionar como uma empresa genuinamente AI-First, conquistando a confiança de investidores de peso em sua rodada de Série A.
Transformando gargalos operacionais em diferencial competitivo
Empresas de inteligência estatística sempre conviveram com a inovação, mas a IA generativa mudou o patamar do setor. No caso da Uncover, o modelo de negócios original exigia altíssima personalização para atender às decisões estratégicas de CMOs de multinacionais, o que gerava um processo de onboarding longo e um atendimento dependente de muitos braços operacionais.
A virada de chave ocorreu ao integrar seis anos de histórico de dados com engenharia de contexto (harness engineering). A empresa automatizou tarefas braçais de bastidor, encurtou o tempo para o cliente perceber valor (time to value) e manteve a entrega de alto nível, transformando o antigo gargalo de escala em eficiência operacional.
Engenharia reversa da Série A: obsessão pelo cliente e visão de futuro
Para conquistar investidores em uma Série A, momento em que os fundos avaliam se a startup conseguirá atingir a sustentabilidade, a Uncover ancorou sua tese em dois pilares:
Obsessão pelo cliente: prova concreta, por meio de métricas de retenção e engajamento, de que os grandes clientes dependem ativamente da solução para tomar decisões orçamentárias.
Disrupção tecnológica e escala: uma visão AI-First capaz de acelerar a expansão para os mercados americano e europeu, somada a parcerias estratégicas com gigantes de mídia e tecnologia (como Google e Globo). Com isso, a Uncover deixou de ser vista apenas como uma auditora de ROI e passou a atuar como parceira de inovação nos formatos publicitários.
A inteligência artificial passou a funcionar como uma "economia de fermento" ao lidar com a complexidade financeira de corporações globais como a Unilever, viabilizando a transição de um serviço tradicional e operacional (high-touch) para uma plataforma escalável.
O papel do Smart Money no crescimento escalável
Mais do que aporte financeiro, o painel destacou a importância de escolher os investidores certos para cada fase do negócio:
Fase inicial: com fundadores essencialmente técnicos, os primeiros apoiadores foram fundamentais para traduzir a complexidade do produto em uma comunicação clara de mercado. Foi assim que a empresa fechou seu primeiro grande contrato com a Oi, gerando meio milhão de reais em economia quando a Uncover ainda dava seus primeiros passos.
Fase de escala: a chegada de fundos estratégicos como a ABSeed ajudou a profissionalizar a operação. A empresa migrou de um crescimento dependente apenas dos fundadores (founder-led growth) para uma máquina estruturada e previsível de vendas e onboarding.
A principal mensagem deixada pelos painelistas é direta: a tecnologia não substitui a profundidade do relacionamento em vendas enterprise, mas empodera os times para realizarem entregas estratégicas de alto valor.
Sobre o autor

10 matérias publicadas
Bianca Gimenez é mentora, estrategista de marketing e especialista em crescimento previsível para startups SaaS B2B. Com mais de 10 anos de experiência em marketing e growth, construiu e liderou estratégias responsáveis por acelerar o crescimento de empresas de tecnologia em diferentes estágios de maturidade. Ao longo de sua trajetória, foi CMO em empresas como a Movidesk, adquirida pela Zenvia em uma transação de R$ 600 milhões, e a SmartHint, empresa do grupo Magazine Luiza. É fundadora da Águia Leão, boutique de aceleração especializada em startups SaaS B2B e também do Growth Club, uma das maiores comunidades de marketing do Sul do Brasil.
Discussão
0 comentários
Notícias Relacionadas

Insights Startup Summit 2026: o futuro do B2B na era da IA
Em um dos painéis mais aguardados do Startup Summit 2026, Paytrack e Riverwood Capital expuseram os bastidores da transição para o modelo AI-centric, alertando sobre o fim do hype no B2B e a mudança histórica em que o software deixa de ser operado e passa a trabalhar ativamente para o usuário.

Insights Startup Summit 2026: a odisséia da Conta Simples para ser AI-First
No Startup Summit 2026, a Conta Simples abriu os bastidores de sua reorganização interna: após desperdiçar recursos em tentativas de engajamento, a fintech criou uma plataforma própria de IA, superou a marca de 130 agentes ativos e provou que a verdadeira transformação digital nasce de governança e liderança pelo exemplo.

A tragédia do Nepal vista de Santa Catarina, terra de cheias
Uma enxurrada desceu do Himalaia e, em poucas horas, levou casas, pontes e vidas no norte do Nepal. Vivemos numa região marcada pelas próprias cheias, onde a água nos obriga a lembrar: nossa fragilidade comum e o dever de solidariedade.