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NotíciasBlumenau – SC

Todo golpe digital usa 3 gatilhos, alerta sargento da PM

Com 18 anos de Polícia Militar em Blumenau, o sargento Diego Maciel contou no Empreenda SC Cast como os golpistas escolhem as vítimas, por que a distração é o maior risco nas ruas e o que levou ao livro "Sobrevivência Urbana".

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Se alguém perguntar, num estúdio cheio, quantas pessoas já foram assaltadas à mão armada em Blumenau, quase ninguém levanta a mão. Se a pergunta for sobre tentativa de golpe pelo celular, levanta todo mundo. Foi com essa conta simples que o sargento Diego Maciel, da Polícia Militar de Santa Catarina, resumiu a mudança no crime que ele acompanha de perto há 18 anos.

Maciel foi o convidado do Empreenda SC Cast, apresentado por João Taumaturgo, um dos fundadores do Empreenda News. O episódio marcou também a estreia de Allan como coapresentador do programa. Antes de começar, o sargento fez questão de avisar que falava como cidadão, e não em nome da corporação.

Urgência, autoridade e emoção

Para Maciel, o golpista pensa como qualquer outro criminoso e faz uma conta de risco e benefício. Com o comércio trabalhando quase só com cartão e Pix, assaltar o caixa de um posto de combustível para levar duzentos reais, arriscando a prisão e a própria vida num confronto com a polícia, deixou de compensar. Em casa, com um celular, ele conversa com milhares de pessoas por dia e corre muito menos risco.

Segundo o sargento, todo golpe digital trabalha com os mesmos três elementos: urgência, autoridade e emoção. O criminoso exige que a vítima resolva tudo agora, se apresenta como gerente de banco, delegado ou advogado e provoca medo. A autoridade, muitas vezes, vem de dados pessoais garimpados nas redes sociais e em bases vendidas no mercado, como endereço, nome dos filhos e rotina da família. "A autoridade dele é o conhecimento sobre a tua vida", disse.

Um dos exemplos que ele citou circulou por Blumenau: o falso assalto a estabelecimento comercial. O golpista liga para uma pizzaria, diz que a quadrilha está parada na frente do negócio e pede que o dono olhe para fora. Sempre vai ter um carro branco estacionado ali, lembrou Maciel. Em seguida vem o prazo de dois minutos para um Pix, sob ameaça de invasão. Segundo ele, muitos comerciantes da cidade pagaram.

O triângulo do crime

O livro "Sobrevivência Urbana: como reduzir riscos e viver com mais segurança", que Maciel assina com o coronel da reserva Paulo Roberto, parte de um conceito da criminologia: nenhum crime acontece sem criminoso, vítima e oportunidade. Paulo Roberto foi instrutor de Maciel quando ele entrou na PM, em 2008, e escreveu a primeira versão do texto anos atrás. Neste ano, procurou o ex-aluno para revisar o conteúdo, e a dupla acrescentou a parte que hoje considera a mais importante, sobre golpes digitais. Os autores preferem chamar a obra de guia, porque manual, na visão deles, soa como receita de bolo.

O criminoso sempre existiu e se adapta rápido. A vítima também sempre vai existir. O que dá para mudar é a oportunidade, e é nela que o livro trabalha. Maciel compara o assaltante a um predador de documentário de natureza: numa rua com cinco pessoas, ele ignora quem anda atento, com postura firme e em local iluminado, e escolhe quem está de cabeça baixa numa esquina escura, mexendo no celular.

Por isso o sargento aponta a distração como o principal problema de segurança nas cidades. Na conversa, João contou que, em São Paulo, onde o Empreenda também tem escritório, nunca anda pela Avenida Paulista com o celular na mão, mas se pegou fazendo exatamente isso no centro de Blumenau. Maciel lembrou que a cidade tem índices de criminalidade muito abaixo da média do país e defendeu trazer esse cuidado para cá como hábito, sem paranoia. "O Estado não consegue estar presente em todos os momentos", disse, ao defender uma cultura de segurança pessoal.

O portão de casa e a porta do condomínio

O livro também trata da rotina doméstica. Um dos pontos é o momento de entrar e sair de casa. Depois de dirigir dez quilômetros, a pessoa concentra toda a atenção em abrir e fechar o portão e esquece de olhar em volta, explicou Maciel. Câmera, cerca e cachorro ajudam pouco se esse momento falhar.

Outro é o condomínio, onde a educação em excesso vira brecha, como segurar o portão para alguém que diz ter esquecido a tag. "Às vezes uma atitude tua pode colocar em risco duzentos moradores", afirmou.

Celulares num pacote de alumínio

Multidão também engana, e a Oktoberfest é o exemplo que Maciel conhece de dentro. A festa junta aglomeração, chope e uma falsa sensação de proteção. No primeiro fim de semana da edição de 2025, uma quadrilha veio à cidade para furtar celulares, agindo em grupos de três ou quatro pessoas: um derruba chope ou empurra a vítima, outro puxa o aparelho já observado antes e passa adiante, e o grupo se dispersa.

O sargento estava de serviço na frente do parque quando encontrou uma das vítimas chorando. Com um celular reserva, ela fez uma chamada de vídeo com a irmã, que acessou a localização do aparelho furtado. Maciel entrou na viatura com a chamada aberta e acompanhou o sinal em tempo real pela Via Expressa até a BR-470, enquanto pedia apoio pelo rádio. As equipes pararam um comboio de cinco carros. No último, estavam os suspeitos identificados pelas câmeras da festa. Num gramado ao lado, os policiais acharam um pacote forrado com material parecido com papel alumínio, usado para dificultar o rastreamento, com os celulares dentro. Segundo o sargento Diego Maciel, eram 12 celulares, todos recuperados e devolvidos aos donos.

A festa terminou com quase 690 mil visitantes e com os dez celulares furtados ao longo dos 19 dias localizados e devolvidos, de acordo com o balanço publicado pelo NSC Total.

Dezoito anos sem rotina

Maciel entrou na PM aos 19 anos, no primeiro emprego da vida. Recebeu farda, treinamento e arma e foi atender ocorrências com homens de 50, 60 anos, com o dobro do tamanho dele. Na véspera da gravação, tinha trabalhado das 18h às 6h. Para ele, a profissão não tem rotina: briga, violência doméstica e perturbação se repetem, mas cada ocorrência traz pessoas e cenários diferentes.

"Para mim vai ser a milésima ocorrência em 18 anos, mas para a pessoa pode ser o pior momento da vida dela, a única vez que ela precisou da polícia", disse.

Perguntado se já precisou atirar em alguém, ele respondeu com outra pergunta. As pessoas querem saber quantas pessoas ele matou, mas não perguntam quantas ele salvou. Depois contou o caso que mais o marcou. Em setembro de 2018, no bairro Velha Grande, um homem com uma faca e uma foice ameaçava vizinhos e jogava pedras no telhado de uma casa onde havia duas crianças. As equipes tentaram verbalização, munição de elastômero e pistola de choque, o que a doutrina policial chama de uso progressivo da força. O homem rompeu o cerco, entrou na casa das crianças e avançou com a faca contra o sargento, que disparou. Ele morreu.

"Você não queria aquele resultado, mas aquela era tua missão", afirmou, ao falar do peso que fica depois de uma ocorrência assim.

Foi também por esse lado pouco conhecido do trabalho que ele começou a publicar nas redes sociais, há 12 ou 13 anos, ainda no Facebook. A ideia era mostrar para amigos e familiares que a rotina policial não se resumia à imagem da viatura parada na padaria nem à de uma força só repressiva. Hoje ele reúne um público grande no Instagram, onde se apresenta como Sargento Diego Maciel. "A polícia militar é como uma empresa e precisa vender a sua imagem para a população", disse.

Arma, maioridade penal e a "porta giratória"

Na parte final, a conversa entrou em temas que dividem opiniões, e Maciel reforçou que falava por conta própria. Ele defende o direito de o cidadão com capacidade psicológica comprovada ter uma arma de fogo para defender a si e à família, com punição rigorosa e perda definitiva do direito para quem fizer mau uso. "Numa invasão ou num atentado contra a tua família, um minuto é uma eternidade", argumentou.

Também criticou a legislação penal. O Código Penal brasileiro é de 1940 e, para o sargento, foi remendado ao longo das décadas mais por pressão política do que por debate técnico. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, um jovem que comete um homicídio aos 17 anos fica no máximo três anos internado. Maciel defende que crimes graves sejam punidos como graves, independentemente da idade, e não pena dura para o adolescente que furta uma barra de chocolate.

Nos crimes contra o patrimônio, os que mais incomodam em Blumenau, ele descreve o sistema prisional como uma porta giratória. Como atua na mesma cidade há 18 anos, reconhece pelo nome quem aborda na rua, e não é raro encontrar gente com 20 ou 30 passagens. "Por vinte vezes o aparato da polícia funcionou", disse, sobre as críticas que a PM recebe quando não consegue evitar um arrombamento.

Vocação antes do salário

Ao jovem que pensa em entrar para a polícia, o conselho foi direto: quem procura só salário tem outros concursos e empregos, nos quais um erro não custa a vida ou a felicidade de alguém. Na segurança pública, segundo ele, é preciso entrar com vocação de servir.

O livro custa R$ 45 e, segundo Maciel, está sendo vendido diretamente por ele em Blumenau, com pedidos pelo Instagram. O episódio completo está no canal do Empreenda News no YouTube.

No fim da gravação, João pediu que o convidado deixasse um recado para ser revisto daqui a cinco anos. Maciel falou do filho, que tem 7 anos. Quando sai de casa para o plantão, é na cidade que o menino vai encontrar aos 12 que ele diz pensar.

FONTES

Entrevista ao Empreenda SC Cast (episódio com o sargento Diego Maciel). Dados da Oktoberfest 2025: NSC Total.

PERGUNTAS FREQUENTES

Quais são os três gatilhos de um golpe digital?
Segundo o sargento Diego Maciel, da PM de Santa Catarina, todo golpe digital combina urgência, autoridade e emoção: pressa para agir, alguém que se passa por figura confiável e medo ou pânico.

Como funciona o golpe do falso assalto a comércio em Blumenau?
O golpista liga para o estabelecimento, diz que uma quadrilha está parada em frente, pede que o dono olhe para fora e dá poucos minutos para um Pix, sob ameaça de invasão.

Quem escreveu o livro "Sobrevivência Urbana"?
O coronel da reserva Paulo Roberto Bornhoff e o sargento Diego do Rosário Maciel, ambos da Polícia Militar de Santa Catarina.

Qual é o maior risco de segurança no dia a dia, segundo o livro?
A distração. O criminoso escolhe a vítima menos atenta, como quem anda de cabeça baixa mexendo no celular.

Quanto custa o livro e onde comprar?
O livro custa R$ 45 e, segundo o autor, é vendido diretamente por ele em Blumenau, com pedidos pelo Instagram.

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