Sua marca conhece o cliente. Mas sabe despertar seu desejo?
O varejo nunca teve tantos dados sobre seus clientes, mas ainda insiste em comunicações genéricas e ofertas desconectadas de seus interesses.

Em um cenário de vendas desafiadoras para o varejo físico e digital, tenho me perguntado: o que as marcas estão fazendo com a quantidade de dados que possuem sobre seus clientes?
Conhecemos seu histórico de compras, suas marcas preferidas, as categorias que costuma consumir e até a frequência com que compra. Temos ferramentas de CRM, automação e, agora, a inteligência artificial ampliando nossas possibilidades. Mas continuamos enviando mensagens genéricas, muitas vezes desconectadas dos interesses de quem as recebe.
No varejo de moda, onde boa parte das compras acontece pelo desejo e não pela necessidade, essa contradição fica ainda mais evidente.
Imagine uma cliente que comprou um conjunto de calça e blusa. Alguns dias depois, ela recebe uma mensagem pelo WhatsApp: "Já estreou seu conjunto? Que tal experimentar uma terceira peça para criar outro look?" A mensagem poderia trazer uma imagem com a composição e a sugestão de um blazer ou uma camisa que combine com o que ela já comprou.
Ou uma cliente que comprou um vestido longo, estampado e soltinho. Por que não apresentar dois outros modelos com características semelhantes, talvez um liso e outro estampado?
E aqui entra outra reflexão: será que precisamos oferecer tantas opções?
Tenho a percepção de que o consumidor está cada vez mais cansado de decidir. Recebe estímulos o tempo inteiro e precisa fazer inúmeras escolhas ao longo do dia. Talvez uma boa curadoria, com uma ou duas sugestões realmente relevantes, tenha mais valor do que uma vitrine com dezenas de produtos.
Recentemente, li no Mundo do Marketing um caso interessante da MadeiraMadeira. Ao substituir comunicações genéricas por mensagens personalizadas, relacionadas ao móvel adquirido e enviadas após a compra, a empresa registrou um crescimento de 378% nas conversões do serviço de montagem.
O exemplo mostra que nem sempre é preciso criar algo extraordinário. Às vezes, basta utilizar melhor as informações que já temos.
Mas, se as possibilidades são tantas, por que ainda fazemos tão pouco?
Acredito que parte da resposta esteja na complexidade das organizações. Sistemas que não conversam, processos estabelecidos há anos, áreas com objetivos diferentes e dificuldades para transformar informação em ações simples.
E talvez aqui exista uma oportunidade interessante para empresas menores. Com estruturas mais leves, proximidade com seus clientes e ferramentas de IA cada vez mais acessíveis, elas podem testar abordagens criativas sem depender de grandes projetos de tecnologia.
É claro que personalização exige cuidado. Conhecer o cliente não significa invadir seu espaço ou aumentar a frequência de mensagens. Significa respeitar suas preferências e oferecer algo que faça sentido naquele momento.
No fim, o desafio não é apenas conhecer melhor o consumidor. É usar esse conhecimento para inspirá-lo, facilitar suas escolhas e fazer com que ele se lembre da sua marca.
Talvez a próxima grande oportunidade do varejo não esteja em conquistar mais dados, mas em aprender a fazer algo melhor com aqueles que já possui.
Sobre o autor

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Passei os últimos 18 anos construindo e liderando um e-commerce de moda dentro de uma empresa tradicional. Hoje atuo como conselheira e consultora, ajudando empresas a tomar decisões mais seguras sobre crescimento e transformação digital. Também estou empreendendo na área de turismo com curadoria de viagens para público 50+
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