Black Friday: talvez a pergunta já não seja apenas "quanto vamos vender?"
Evento voltado ao e-commerce reune profissionais de vendas e marketing para discutir sobre as melhores praticas para a maior data do varejo digital: a Black Friday

Passei a tarde em um evento na Posthaus dedicado a compartilhar experiências e insights para a Black Friday. Saí de lá com várias anotações, mas principalmente com a percepção de como o e-commerce está amadurecendo.
Na abertura, um ponto relevante e no qual acredito muito foi a fala do CEO da Posthaus, sr. Jan Zadrozny que disse: uma boa Black Friday depende de confiança.
Confiança do cliente, dos parceiros, dos fornecedores e da própria organização em sua capacidade de entregar aquilo que promete.
E, de diferentes formas, essa ideia atravessou todo o evento Posthaus Conecta.
1. Crescer melhor pode ser mais importante do que simplesmente vender mais.
As falas de Waldemar Neto, CTO da Studio Z, e Cleber Lima, da Tex Cotton, trouxeram um olhar para rentabilidade, mix de produtos e resultado — mas também para um ativo que as empresas muitas vezes subestimam: os clientes que já conquistaram.
Uma provocação interessante do Waldemar: será que precisamos investir tanto em adquirir novos clientes para aumentar a receita? Com todos os dados que temos hoje, o que mais podemos oferecer para quem já compra e confia na nossa marca?
Aquisição continua importante. Mas relacionamento, conhecimento da base e recorrência também são importantes alavancas de crescimento.
2. Omnichannel é tecnologia, mas também é cultura.
Na Studio Z, cerca de 70% dos pedidos digitais são atendidos pelas lojas físicas. Para envolver as equipes, existem indicadores e reconhecimento para as lojas com melhor desempenho na operação omnichannel.
Não basta conectar estoque, sistemas e canais. É preciso fazer com que as pessoas entendam que o cliente é da marca, e não de um canal.
Luiz Natal, da Nuvemshop, complementou com outra recomendação importante: manter consistência e coerência nas regras e condições oferecidas ao consumidor, independentemente do canal.
3. IA e automação fazem mais sentido quando liberam pessoas para gerar mais valor.
Na Studio Z, a automação vem sendo utilizada para reduzir gargalos nos picos de vendas. Na Tex Cotton, a IA já retém cerca de 60% dos contatos no atendimento, permitindo que a equipe se concentre nas situações mais complexas e, principalmente, em encantar o cliente.
É uma aplicação de IA que faz muito sentido: automatizar o repetitivo para ampliar a capacidade humana onde ela realmente faz diferença.
4. E talvez esteja mudando também a maneira como uma compra começa.
A apresentação do TikTok trouxe um conceito que merece atenção: Discovery Commerce.
O TikTok é uma plataforma de entretenimento. As pessoas não entram ali pensando em comprar. Entram para se divertir, aprender, descobrir e consumir conteúdos com os quais se identificam.
É justamente aí que acontece a mudança:
No e-commerce tradicional, o consumidor procura o produto. No Discovery Commerce, o produto encontra o consumidor.
Conteúdo gera descoberta. A descoberta desperta interesse. Criadores ajudam a construir identificação e confiança. E a compra pode acontecer ali mesmo.
Mas talvez o mais interessante seja que o efeito não termina dentro da plataforma.
Foram apresentados casos em que produtos divulgados no TikTok tiveram aumento de vendas também no site próprio da marca e nas lojas físicas. Em outro exemplo, um produto white label teve desempenho tão expressivo que a empresa decidiu desenvolver uma marca para ele.
Isso também nos obriga a rever a forma de medir canais: nem todo o valor gerado por um canal aparece nas vendas realizadas dentro dele.
No final, assuntos aparentemente diferentes — relacionamento, omnichannel, IA, automação, criadores e Discovery Commerce — me levaram de volta ao ponto da abertura.
Tecnologias mudam. Canais mudam. A forma como descobrimos produtos também está mudando.
Mas um ativo continua atravessando tudo isso: confiança.
E confiança não se constrói na Black Friday.
Constrói-se durante o ano inteiro.
Sobre o autor
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Passei os últimos 18 anos construindo e liderando um e-commerce de moda dentro de uma empresa tradicional. Hoje atuo como conselheira e consultora, ajudando empresas a tomar decisões mais seguras sobre crescimento e transformação digital. Também estou empreendendo na área de turismo com curadoria de viagens para público 50+
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