Quando a madeira deixa de parecer madeira e vira ARTE
A Haus 37, idealizada por Michel Didjurgeit, CEO da tradicional Marcenaria Didjurgeit, traz ao nosso mercado materiais da italiana TABU que transformam completamente a maneira de enxergar a madeira: cores intensas, lâminas naturais, multilaminados e superfícies inesperadas que aproximam Santa Catarina do que existe de mais criativo no design internacional.

Durante muito tempo, quando falávamos em lâmina natural na marcenaria, o imaginário era relativamente previsível: carvalho, nogueira, freijó, tons amadeirados e veios que buscavam evidenciar a aparência tradicional da madeira.

Mas existe um universo muito maior — e talvez seja justamente nele que estejam algumas das possibilidades mais interessantes para os interiores dos próximos anos.
Recentemente, conhecemos mais de perto os materiais da italiana TABU, que chegam ao nosso mercado através da Haus 37, idealizada por Michel Didjurgeit, CEO da Marcenaria Didjurgeit, uma das marcenarias mais antigas e tradicionais de Blumenau.
E essa conexão entre tradição local e inovação internacional talvez seja uma das partes mais interessantes dessa história.
De um lado, uma empresa italiana que há quase um século pesquisa novas maneiras de trabalhar a madeira. Do outro, uma família e uma marcenaria com uma longa história dentro da nossa própria cidade, que agora trazem para Santa Catarina materiais capazes de ampliar completamente aquilo que podemos imaginar dentro de um projeto.
A TABU, fundada em 1927 em Cantù, na Lombardia, trabalha com lâminas naturais, lâminas tingidas, multilaminados, marchetaria, superfícies tridimensionais e pisos de madeira.
Mas chamar esses produtos simplesmente de “lâminas de madeira” é pouco.

Projeto: The Scalla Restaurant
Madeira azul, vinho, verde — por que não?

Projeto: Claude Missir Interiores
Talvez uma das características que mais chamem atenção seja justamente a cor.
A madeira deixa de estar limitada ao carvalho claro, ao nogueira, ao freijó ou aos tradicionais tons naturais. Ela pode surgir em azul profundo, vinho, verde, vermelho, preto e em inúmeras outras tonalidades.
E o mais interessante é que continuamos percebendo aquilo que torna a madeira tão especial: seus veios, desenhos, nuances e irregularidades naturais.
Não estamos falando simplesmente de pintar uma chapa.
Estamos falando de transformar a própria matéria-prima em ferramenta de criação.
Isso abre um campo enorme para a arquitetura e o design de interiores.
Imagine uma ilha de cozinha revestida por uma lâmina verde intensa. Um bar em madeira vinho. O interior de um móvel completamente inesperado. Uma cabeceira azul. Uma porta que parece quase uma obra de arte.
E não significa que precisamos transformar a casa inteira em um festival de cores.
Muito pelo contrário.
Quanto mais especial é um material, menos ele precisa aparecer para ser percebido.
Quando madeira começa a parecer tecido, pedra ou arte
Outro universo que nos chamou atenção são os multilaminados e as superfícies desenvolvidas pela TABU.
A sobreposição, composição e transformação das lâminas permite criar desenhos gráficos, geometrias, padrões e efeitos que, à primeira vista, muitas vezes nem parecem madeira.
E é justamente isso que consideramos tão interessante.
Estamos vivendo um momento em que muitos clientes chegam até nós dizendo praticamente a mesma coisa:
“Eu não quero uma casa igual a todas as outras.”
Depois de anos vendo os mesmos ripados, as mesmas madeiras claras, as mesmas pedras e praticamente a mesma cartela neutra sendo repetida projeto após projeto, existe uma procura crescente por identidade.
Não necessariamente por extravagância.
Mas por personalidade.
E materiais como esses nos dão novas ferramentas para criar isso.

Projeto: Casa Tabu, Milão, Italia.
Haus 37: trazer o mundo para o nosso mercado
É aqui que a história fica ainda mais interessante para nós.
A chegada desse universo ao nosso mercado acontece através da Haus 37, idealizada por Michel Didjurgeit, CEO da Marcenaria Didjurgeit, uma das marcenarias mais antigas de Blumenau.
E existe algo muito simbólico nisso.
Uma empresa profundamente ligada à história da marcenaria da cidade não está olhando apenas para aquilo que sempre foi feito. Está buscando referências, materiais e tecnologias internacionais para mostrar que a própria marcenaria pode assumir um novo papel dentro da arquitetura contemporânea.
A Haus 37 surge justamente dentro dessa visão: aproximar nosso mercado de produtos, acabamentos e possibilidades que ainda são pouco vistos por aqui.
Para nós, arquitetos e designers, isso é extremamente importante.
Porque não adianta termos acesso às maiores referências de Milão, Paris, Londres ou Nova York se, na hora de projetar, nosso repertório de materiais estiver limitado sempre às mesmas opções.
Quando fornecedores locais começam a buscar esse tipo de inovação, todo o mercado evolui junto.
O arquiteto consegue ousar mais.
A marcenaria consegue executar diferente.
E o cliente passa a ter acesso a uma casa que realmente pode ser única.
Tradição não deveria significar fazer sempre igual
Talvez essa seja a principal reflexão que ficou para nós depois de conhecer esse trabalho.
Existe uma ideia equivocada de que tradição e inovação estão em lados opostos.
Na verdade, algumas das empresas mais interessantes são justamente aquelas que conseguem carregar décadas de conhecimento técnico sem transformar essa história em acomodação.
Uma marcenaria tradicional pode trabalhar com técnicas artesanais e, ao mesmo tempo, trazer para Blumenau uma lâmina italiana azul, um multilaminado gráfico ou uma superfície completamente inesperada.
Tradição não é repetir o passado. É ter conhecimento suficiente para construir o próximo passo.
E enxergar uma empresa da nossa própria cidade fazendo esse movimento é especialmente interessante.
Talvez o novo luxo seja aquilo que você ainda não conhece
Por muito tempo, luxo em interiores esteve relacionado ao reconhecimento imediato.
Reconhecer determinada pedra.
Reconhecer determinada madeira.
Reconhecer uma marca.
Mas acreditamos que estamos entrando em outro momento.
O cliente de alto padrão está cada vez mais exposto às mesmas referências. Ele viaja, pesquisa, acompanha arquitetura internacional e recebe centenas de imagens todos os dias.
Consequentemente, aquilo que todo mundo reconhece também pode começar a parecer comum.
É por isso que materiais diferentes ganham tanta força.
Não necessariamente porque sejam mais caros.
Mas porque permitem criar algo que ainda provoca curiosidade.
Uma superfície que faz alguém parar, tocar e perguntar:
“Que material é esse?”
Para nós, talvez esse seja um dos caminhos mais interessantes do novo luxo.
Menos sobre mostrar aquilo que todos já conhecem.
Mais sobre descobrir aquilo que ainda não vimos.
E ter empresas como a Haus 37, a partir da visão de Michel Didjurgeit e da história da Marcenaria Didjurgeit, trazendo esse repertório internacional para Blumenau e Santa Catarina mostra que não precisamos estar em Milão para começar a projetar com o que existe de diferente no mundo.
Precisamos, acima de tudo, de pessoas dispostas a procurar o que ainda não chegou até aqui.
Sobre o autor

88 matérias publicadas
Arquiteta e designer, especializada em Arquitetura e Design pelo Politécnico de Milão. Acredito que a arquitetura deve ir além da estética: ela precisa traduzir a identidade, a história e o estilo de vida de quem irá viver cada espaço. Por isso, não acredito em projetos prontos ou soluções replicadas. Cada criação é única, pensada para refletir a essência de cada cliente. À frente da Bruna Pieritz Arquitetura, desenvolvo projetos completos de arquitetura e interiores, unindo estratégia, funcionalidade, sofisticação e atenção aos detalhes para criar ambientes autênticos, atemporais e cheios de significado.
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