TENDÊNCIAS QUENTES QUE CONSIDERAMOS CAFONAS
LED em excesso, dourado por todos os lados, ambientes completamente bege e ripados sem propósito. Questionamos sete tendências populares que podem comprometer a sofisticação de um projeto e explicamos o que realmente faz a diferença.

Está na moda, mas achamos cafona. E vamos explicar.
Nem tudo que é tendência é sinônimo de bom gosto. E nem tudo que custa caro representa sofisticação.
O mercado de arquitetura e interiores vive um momento de enorme exposição. Novos materiais, acabamentos, tecnologias e soluções decorativas aparecem diariamente nas redes sociais.
Mas existe algo que sempre defendemos em nosso escritório: uma tendência não deve entrar em um projeto apenas porque está em alta.
Algumas escolhas podem ser interessantes quando bem utilizadas. Outras, quando aplicadas sem critério, acabam criando ambientes exagerados, previsíveis ou visualmente cansativos.
E hoje vamos falar sobre algumas delas.
1. LED em absolutamente tudo
Rasgos luminosos em paredes, rodapés, prateleiras, nichos, cabeceiras, painéis e até em lugares onde a iluminação não tem função alguma.
A tecnologia LED é extraordinária e permite soluções incríveis. Mas iluminação não deveria transformar uma residência em um showroom.
Gostamos de trabalhar com luz para criar profundidade, destacar texturas e proporcionar conforto. Quando tudo é iluminado, nada realmente ganha destaque.
Nossa opinião: o luxo também está na sombra.
2. Mármore e porcelanato marmorizado por todos os lados
Piso, parede, painel de televisão, bancada, ilha, banheiro e até mobiliário com o mesmo padrão de veios.
O problema não está no mármore. Somos apaixonados por pedras naturais e pelas possibilidades que oferecem.
O que consideramos pouco interessante é transformar uma residência inteira em uma exposição de superfícies marmorizadas, especialmente quando diferentes padrões competem visualmente.
Nossa opinião: um material nobre precisa de composição, não de repetição excessiva.
3. Dourado que tenta transformar tudo em luxo
Metais dourados, perfis dourados, espelhos dourados, puxadores dourados e detalhes dourados em todos os ambientes.
O dourado pode ser extremamente elegante. Mas, quando utilizado sem equilíbrio, perde sua força e pode transmitir exatamente o contrário da sofisticação pretendida.
Gostamos de metais com personalidade, inclusive dourados. A diferença está no acabamento, na proporção e na maneira como conversam com os demais materiais.
Nossa opinião: luxo não se mede pela quantidade de brilho.
4. A casa inteiramente bege
Bege no sofá, bege nas paredes, bege no piso, bege na marcenaria e bege até nos objetos decorativos.
A estética neutra tem qualidades importantes e pode resultar em projetos lindíssimos. Mas a repetição automática dessa fórmula criou ambientes que, muitas vezes, parecem não contar história alguma.
Sentimos falta de contraste, textura, arte, cores inesperadas e escolhas que revelem personalidade.
Nossa opinião: uma casa pode ser silenciosa sem ser sem graça.
5. Painéis ripados utilizados como solução universal
Durante algum tempo, o ripado parecia resolver qualquer parede vazia.
Hoje, ainda encontramos projetos em que ele aparece na entrada, no painel de televisão, no corredor, na cabeceira e até em superfícies onde não existe uma justificativa estética ou funcional.
Não somos contra o recurso. Somos contra utilizá-lo como resposta automática para qualquer dificuldade de composição.
Nossa opinião: nem toda parede precisa de um efeito decorativo.
6. Móveis orgânicos sem pensar na funcionalidade
Sofás curvos, mesas de formatos irregulares, ilhas arredondadas e espelhos assimétricos podem ser maravilhosos.
Mas algumas aplicações parecem existir apenas para produzir uma fotografia diferente.
Uma mesa pode ser escultural e desconfortável. Um sofá pode ser lindo e não acomodar adequadamente as pessoas. Uma ilha pode ter um formato interessante e prejudicar a circulação.
Nossa opinião: a forma precisa dialogar com a função, e não competir com ela.
7. Ambientes que parecem cenários de Instagram
Talvez essa seja a tendência que mais nos incomoda.
Casas impecáveis visualmente, mas que parecem ter sido projetadas para receber curtidas, e não pessoas.
Faltam espaços para guardar objetos, materiais adequados à rotina, iluminação funcional e soluções que considerem manutenção e durabilidade.
Uma arquitetura verdadeiramente sofisticada precisa funcionar tão bem quanto aparenta.
Afinal, o que consideramos elegante?
Não acreditamos que exista uma fórmula universal para o bom gosto. O que é ousado para uma pessoa pode ser excessivo para outra.
Também não defendemos casas sem cor, sem brilho ou sem elementos marcantes. Muito pelo contrário: adoramos projetos que desafiam o convencional.
O que questionamos é o exagero sem intenção, a repetição sem identidade e a escolha de materiais apenas pelo status que representam.
Uma casa pode ter mármore, dourado, cores intensas, estampas, formas ousadas e continuar extremamente sofisticada. O segredo está em como tudo isso é pensado.
Em nosso escritório, acreditamos que o verdadeiro trabalho do arquiteto não é simplesmente selecionar aquilo que está na moda. É entender o que faz sentido, estudar tecnicamente cada decisão e transformar diferentes elementos em uma composição única.
Porque existe uma diferença enorme entre uma casa que chama atenção e uma casa que merece atenção.
Sobre o autor

102 matérias publicadas
Arquiteta e designer, especializada em Arquitetura e Design pelo Politécnico de Milão. Acredito que a arquitetura deve ir além da estética: ela precisa traduzir a identidade, a história e o estilo de vida de quem irá viver cada espaço. Por isso, não acredito em projetos prontos ou soluções replicadas. Cada criação é única, pensada para refletir a essência de cada cliente. À frente da Bruna Pieritz Arquitetura, desenvolvo projetos completos de arquitetura e interiores, unindo estratégia, funcionalidade, sofisticação e atenção aos detalhes para criar ambientes autênticos, atemporais e cheios de significado.
Mais matérias de Bruna Pieritz
Discussão
0 comentários
Notícias Relacionadas

O que veremos nas tendências de iluminação?
Da iluminação circadiana às superfícies OLED, passando pela inteligência artificial, automação adaptativa e luminárias esculturais, o futuro da iluminação promete transformar a arquitetura. Conheça oito tendências que podem redefinir nossas casas nos próximos anos e descubra como começar a aplicá-las nos projetos de hoje.

A TENDÊNCIA MAIS CARA DE 2027
A exclusividade pode se tornar o maior símbolo de sofisticação em 2027. Descubra por que a arquitetura autoral, a mistura de materiais e a personalização tendem a valer mais do que seguir a última novidade.

O PINTEREST ESTÁ MATANDO A CRIATIVIDADE?
O Pinterest democratizou as referências, mas também contribuiu para a repetição de ambientes. Entenda por que a arquitetura autoral precisa ir além das imagens bonitas e resgatar a identidade de quem vive nos espaços.