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Inovação

Magazine Luiza avança na transformação digital com foco em IA

Magazine Luiza avança na transformação digital, focando em IA e monetização de seu ecossistema.

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Magalu: o ecossistema está pronto. Agora começa o jogo de verdade.

Nos últimos anos, o Magazine Luiza deixou claro que não queria ser apenas mais um varejista brigando por margem em um mercado cada vez mais competitivo. A estratégia foi ambiciosa e, para muitos, até arriscada: transformar a empresa em um ecossistema digital completo.

Hoje, olhando para trás, dá para afirmar que essa construção foi bem-sucedida. O Magalu não é mais só uma varejista. É uma plataforma.

Mas existe um ponto importante aqui: construir um ecossistema é apenas metade do caminho. A outra metade e a mais difícil é extrair valor real dele.

E é exatamente nesse ponto que o Magalu entra agora.

Do varejo ao ecossistema: uma mudança estrutural

A estratégia “beyond retail” do Magalu começou com um movimento que hoje parece óbvio, mas que na época exigiu visão: integrar o físico com o digital.

A empresa saiu na frente ao transformar suas lojas em hubs logísticos e pontos de experiência. Depois, avançou com aquisições e desenvolvimento interno para criar uma estrutura robusta que inclui:

  • Marketplace

  • Logística própria (Malha Luiza)

  • Fintech (MagaluPay)

  • Mídia digital (Magalu Ads)

  • Tecnologia e cloud (via Luizalabs)

Esse movimento não só diversificou receitas como também criou novas avenidas de crescimento.

Os números mostram isso com clareza:

  • Em 2021: cerca de 10% das vendas e lucro vinham de frentes além do varejo

  • Em 2024: esse número evoluiu para 15% das vendas e 25% do lucro

Ou seja, as novas verticais não só cresceram elas são mais rentáveis.

A virada de chave: de construir para monetizar

Durante anos, o foco foi investimento. Construção. Expansão.

Agora, o foco muda completamente: eficiência, inteligência e monetização.

Esse é um momento crítico. Muitas empresas conseguem investir em tecnologia e criar plataformas. Poucas conseguem transformar isso em uma máquina consistente de geração de valor.

E é aqui que entra o próximo passo do Magalu: usar dados e inteligência artificial como alavanca central do negócio.

IA como motor de crescimento

A nova fase do Magalu passa diretamente pelo uso de IA em toda a jornada do cliente e da operação.

Na prática, isso significa:

  • Personalização mais inteligente da experiência de compra

  • Melhor recomendação de produtos

  • Otimização de pricing e promoções

  • Ganhos de eficiência logística

  • Automação de atendimento

  • Melhor monetização via mídia (ads mais assertivos)

A empresa passa a operar não apenas como um canal de vendas, mas como um sistema inteligente que aprende e evolui com cada interação.

Isso aumenta conversão, reduz custo e melhora margem o trio perfeito para escalar.

O verdadeiro ativo: a jornada do consumidor

O grande diferencial de um ecossistema não está apenas nos produtos ou serviços isolados, mas na capacidade de capturar valor em múltiplos pontos da jornada.

O Magalu entendeu isso.

Hoje, ele consegue atuar em diferentes momentos:

  • Descoberta (mídia e ads)

  • Consideração (marketplace e conteúdo)

  • Compra (varejo físico e digital)

  • Pagamento (fintech)

  • Entrega (logística própria)

  • Pós-venda (serviços e relacionamento)

Cada etapa vira uma oportunidade de monetização.

E isso muda completamente o jogo.

De varejista para hub de consumo

O que o Magalu está construindo e agora tentando rentabilizar é algo maior do que um e-commerce ou uma rede de lojas.

É um hub de soluções de consumo.

Um ambiente onde:

  • Vendedores vendem

  • Marcas anunciam

  • Consumidores compram

  • Serviços financeiros fluem

  • Dados são gerados e retroalimentam o sistema

Essa lógica é muito mais próxima de plataformas como Amazon, Alibaba e Mercado Livre do que de um varejista tradicional.

O desafio que poucas vencem

Apesar de todo o avanço, vale um alerta importante: essa fase é a mais complexa.

Transformar investimento em resultado exige:

  • Disciplina operacional

  • Integração real entre áreas

  • Cultura orientada a dados

  • Foco em rentabilidade (não só crescimento)

Muitas empresas no Brasil e no mundo estão exatamente nesse ponto: investiram pesado em tecnologia, dados e digitalização… mas ainda não conseguiram capturar valor proporcional.

O Magalu, agora, entra nesse teste.

O que empreendedores podem aprender com isso

A história do Magalu traz uma lição poderosa:

Crescimento não vem apenas de vender mais — vem de capturar mais valor dentro da mesma jornada.

Para pequenos e médios negócios, isso pode ser aplicado de forma prática:

  • Criar novas fontes de receita além do core

  • Usar dados (mesmo que simples) para decisões melhores

  • Integrar canais (online + offline)

  • Pensar em recorrência e relacionamento, não só venda única

  • Monetizar audiência e base de clientes

Conclusão

O Magalu já fez o mais difícil: construiu um ecossistema robusto.

Agora começa a fase que define o futuro da empresa: provar que essa estrutura pode gerar lucro consistente e escalável.

Se conseguir, deixa de ser apenas um case de transformação digital…
e passa a ser uma verdadeira máquina de crescimento.

E talvez a pergunta mais interessante não seja sobre o Magalu, mas sobre o mercado como um todo:

Quantas empresas realmente estão prontas para transformar tecnologia em valor?

Thiago A. Busarello é especialista e conselheiro em inovação e tecnologia, atuando ao lado de empresas na estruturação, tomada de decisão e escala de negócios. Como colunista do Empreenda News, escreve sobre startups, negócios e o papel da tecnologia na construção de empresas mais eficientes e competitivas.

#transformação digital#varejo#ecossistema digital#inteligência artificial#Magazine Luiza
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Sobre o autor

36 matérias publicadas

Thiago A. Busarello é administrador com MBA em Finanças pela FGV, com especialização em Ciência de Dados pelo IGTI e Sigmoidal, além de certificações em Marketing Digital, E-commerce, Investimento Anjo (SME Education) e Governança Corporativa (Gonew), com foco em atuação em conselhos. Com uma carreira consolidada que transita entre grandes indústrias e o empreendedorismo, atuou em empresas relevantes do setor têxtil como Karsten, Teka, Texneo e KYLY, além de experiência no segmento de bens de consumo na Wanke, empresa centenária. Atualmente, está à frente da gestão de uma confecção, unindo prática operacional com visão estratégica de negócios. No ecossistema de inovação, é investidor-anjo pela SC Angels e possui atuação como cofundador de negócios em diferentes segmentos, incluindo o Bless Salon & Beauty (beleza) e a Impulsão Digital (lançamentos digitais). Também contribui com o desenvolvimento de novos empreendedores por meio de mentorias no Instituto Gene. Com uma visão orientada a dados, tecnologia e crescimento sustentável, Thiago se posiciona como especialista em negócios, inovação e empreendedorismo, conectando experiência prática de mercado com tendências emergentes para geração de valor e escala.

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