Ele apagou o feed inteiro e ganhou 16 milhões de views
Você já postou uma novidade importante e viu ela se perder no meio de posts antigos que não tinham nada a ver com aquele momento? Uma campanha política recente mostrou o oposto do que todo consultor de marketing recomenda, e o resultado foi 16 milhões de visualizações em 10 horas. Descubra o mecanismo por trás dessa estratégia e como aplicar a mesma lógica no lançamento do seu próximo produto, mesmo sem ter milhões de seguidores.

Domingo de madrugada, um dos políticos mais seguidos do Brasil fez uma coisa que qualquer agência de marketing chamaria de suicídio digital: apagou anos de conteúdo do próprio Instagram e deixou o perfil praticamente vazio. Dez horas depois, o único post que sobrou já tinha 16 milhões de visualizações.
Se você já passou meses preparando o lançamento de um produto, chegou o dia H, postou a novidade e ela sumiu no meio de outros dez posts antigos que não tinham nada a ver com aquele momento, sabe exatamente o problema que essa jogada resolveu. O cliente entra no seu perfil, se distrai com uma foto de aniversário da equipe de três meses atrás e esquece o motivo pelo qual chegou até ali.
Foi esse mesmo problema, só que em escala nacional, que a campanha de reeleição de Nikolas Ferreira atacou de um jeito que quebrou a lógica que todo mundo repete no marketing digital. No último domingo, o deputado mais votado da história de Minas Gerais apagou todos os posts do próprio Instagram e deixou o perfil com uma única publicação: o vídeo de lançamento da campanha.
A regra número um que qualquer consultor de redes sociais ensina é: nunca pare de postar, o algoritmo pune o silêncio, mantenha o feed cheio. Nikolas fez o oposto. Ele esvaziou o feed de propósito. E é justamente nesse ponto que está o insight que a maioria das análises sobre o caso está deixando passar: o vazio, quando é intencional, funciona como um gatilho de atenção mais forte do que o excesso de conteúdo.
Existe um mecanismo psicológico simples por trás disso. O cérebro humano é treinado para notar mudanças bruscas no ambiente, não repetições. Um feed cheio de posts é paisagem, o olho passa reto. Um feed que de repente fica vazio, com um único item no meio do nada, quebra o padrão esperado e força a pergunta: o que aconteceu aqui? Essa pergunta é o que leva a pessoa a clicar, assistir e comentar, mesmo antes de saber do que se trata o conteúdo.
Tem um segundo detalhe na campanha que reforça esse raciocínio, e que passa batido pela maioria de quem comentou o caso. Nikolas concorre a uma vaga de deputado federal por Minas Gerais, mas em nenhum momento do vídeo ele cita o estado. A sigla MG só aparece escrita ao final, junto do número de urna. Todo o discurso fala sobre o encarecimento do supermercado, a insegurança nas ruas e a distância entre a classe política e o cidadão comum, temas que qualquer brasileiro sente, não só o eleitor mineiro.
Isso contraria outra regra clássica de marketing, a de que quanto mais específico o seu nicho, mais forte é a conexão com o público. Só que existe um momento em que o oposto é mais eficiente: quando o objetivo é gerar identificação em massa, falar sobre uma dor universal cria mais pontes do que falar sobre uma característica local. Nikolas já tinha testado essa fórmula antes. Um vídeo dele sobre a suposta taxação do PIX chegou a 330 milhões de visualizações, um número que só se explica quando o assunto toca o bolso de praticamente qualquer pessoa no país, não apenas um grupo específico de eleitores.
Vale lembrar também de onde parte esse sucesso. Em 2022, Nikolas foi eleito com quase 1,5 milhão de votos, o terceiro deputado mais votado da história do país, atrás apenas de Eduardo Bolsonaro e Enéas Carneiro. A estratégia que sustentou essa votação misturava religião, humor e temas ligados à família, sempre com uma narrativa construída, não apenas presença online solta. O aprendizado aqui é que redes sociais fortes não nascem de postar bastante, nascem de repetir uma narrativa consistente até ela virar identidade.
Como aplicar isso no seu negócio
Você não precisa de milhões de seguidores para usar a mesma lógica. Três adaptações práticas para pequenas e médias empresas:
1. Use o vazio antes de um lançamento. Nos dois ou três dias antes de anunciar um produto novo, arquive temporariamente os posts antigos ou destaque só o teaser do lançamento no topo do feed. O objetivo é fazer quem visita o perfil perceber que algo está diferente e ficar curioso, em vez de se distrair com conteúdo antigo.
2. Fale da dor do cliente antes de falar do produto. Em vez de abrir a campanha com "conheça nossa nova linha", abra com o problema que a linha resolve, do jeito que a pessoa vive esse problema no dia a dia. Isso vale para qualquer negócio, de uma loja de roupas a uma clínica odontológica.
3. Escolha uma narrativa e repita. Em vez de espalhar mensagens diferentes em cada post, defina uma dor central do seu público e volte a ela em formatos diferentes, semana após semana. É a repetição consistente, não o volume de posts, que constrói reconhecimento de marca.
Sobre o autor

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Fundador da Racun Filmes, publicitário e especialista em marketing e audiovisual. Atua no desenvolvimento de estratégias para empresas de diferentes segmentos, unindo produção de conteúdo, branding, inteligência artificial e posicionamento digital. No portal, compartilha análises, tendências e insights sobre marketing, empreendedorismo e audiovisual, sempre com foco em aplicações práticas para quem busca crescer no mercado.
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