O Brasil vai mudar de direção?

Se alguém ainda tinha dúvidas de que o Brasil está vivendo uma mudança importante no seu cenário político, as urnas de 2026 trataram de deixar o recado. O primeiro turno colocou Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente na disputa pela Presidência, enquanto a direita ampliou sua presença no Congresso e conquistou espaço relevante nos estados.
Independentemente de preferência política, há algo que nós, empresários, precisamos fazer: olhar para esse movimento com menos paixão e mais pragmatismo. Uma eventual volta da direita ao Palácio do Planalto não significa simplesmente trocar um partido por outro. Significa, potencialmente, uma mudança de orientação em temas que impactam diretamente o ambiente de negócios: relação com o setor privado, política econômica, segurança pública, tamanho do Estado, tributação e liberdade para empreender.
Mas é justamente aqui que eu faço uma ressalva. Não acredito que o empresário deva esperar um “salvador da pátria” sentado na cadeira de presidente. Nenhum governo, de direita ou de esquerda, consegue substituir aquilo que uma empresa precisa construir internamente: gestão, produtividade, governança, inovação e capacidade de adaptação.
Se a direita assumir o governo em 2027, minha expectativa é de que exista uma pressão maior por eficiência do Estado, redução de burocracia, estímulo ao empreendedorismo e uma agenda econômica mais favorável ao setor produtivo. Porém, isso não acontece de um dia para o outro. O Brasil continuará convivendo com desafios enormes até que as mudanças possam ser sentidas no dia a dia: dívida pública, carga tributária, reforma tributária, juros, desigualdade, infraestrutura e um ambiente político ainda bastante polarizado.
E talvez esse seja o ponto mais importante desta eleição: a direita pode voltar ao poder, mas o Brasil não pode voltar ao passado. O eleitor está claramente dizendo que quer mudanças, mas mudança não pode significar apenas trocar os protagonistas. Precisamos de um país que consiga combinar responsabilidade fiscal com desenvolvimento, segurança com respeito às instituições, liberdade econômica com responsabilidade social.
Após o resultado de ontem, eu como empresária, olho para 2027 com expectativa positiva, mas também com os dois pés no chão. Governo nenhum fará uma empresa prosperar por nós. Mas sem dúvidas, um bom ambiente institucional pode facilitar o trabalho de quem acorda todos os dias para gerar emprego, investir e fazer a economia girar.
Sobre o autor

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CEO do Grupo Cascaneia, complexo turístico que reúne o parque aquático Cascaneia, o Resort Ecoar e o Hotel Villa di Acqua. Empresária apaixonada por turismo, hospitalidade e experiências que conectam pessoas, atua com foco em gestão, inovação e desenvolvimento de equipes. Compartilha reflexões sobre liderança, negócios, turismo e os desafios do empreendedorismo no dia a dia.
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