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Blumenau te ensinou hoje a ficar conhecido, sem saber

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Pergunta direta: quantas pessoas você conhece que usariam uma camiseta com a sua cara estampada, de vontade própria, sem você pedir nada em troca? Se a resposta for "nenhuma", esse texto é pra você, e não tem nada a ver com empresa.

Blumenau lançou hoje a nova marca da cidade, Cultura do Fazer. Eu não vou virar mais um comentando o evento em si, isso já tem sobrando por aí. O que me chamou atenção foi outra coisa: o plano da prefeitura é literalmente ver moradores usando aquele símbolo em camiseta, adesivo de carro, chaveiro, de graça, por vontade própria. E isso escancara um princípio que vale muito mais pra imagem de uma pessoa do que pra logo de cidade.

O que aconteceu, resumido

Antes de desenhar qualquer coisa, a prefeitura ouviu mais de 1.600 moradores, fez pesquisa, fez grupo focal, só depois desenhou o símbolo. Ou seja: a marca não foi imposta, foi extraída de quem já vivia aquilo todo dia. E o objetivo declarado não é proteger essa marca a sete chaves, é ver ela "roubada" pela comunidade.

Por que isso é sobre marca pessoal, não sobre marketing de empresa

Repara numa coisa. Uma cidade não controla quem fala dela. Ela nunca conseguiu, nunca vai conseguir. O jeito inteligente de lidar com isso não é tentar controlar, é dar motivo pra quem já fala bem, falar ainda mais, com orgulho, de graça.

É exatamente assim que marca pessoal funciona, e a maioria das pessoas erra isso. Elas tentam controlar cada detalhe de como aparecem: a foto perfeita, a frase ensaiada, o vídeo cortado sem nenhum erro. Só que imagem pessoal forte não nasce de controle, nasce de deixar as pessoas certas falarem de você com as próprias palavras. Quanto mais alguém tenta blindar a própria imagem, menos espaço sobra pra outra pessoa se sentir à vontade pra "vestir a camisa" dela.

Como aplicar isso na sua imagem, mesmo começando do zero

Você não precisa de prefeitura nem de universidade pra copiar essa lógica. Dá pra reduzir a três movimentos:

  1. Descubra como as pessoas já te descrevem, antes de tentar mudar isso. Pergunta pra cinco ou seis pessoas próximas, cliente, colega, amigo, como elas te apresentariam pra alguém que nunca ouviu falar de você. A resposta delas, não a que você gostaria de ouvir, é o ponto de partida real da sua imagem.

  2. Dê às pessoas um jeito fácil de "usar" a sua marca. Uma frase que você sempre repete, um jeito de falar, um formato de conteúdo reconhecível. Marca pessoal que existe só na sua cabeça nunca vira boca a boca.

  3. Solta o controle, não a consistência. Você não precisa aparecer perfeito toda vez, precisa ser reconhecível toda vez. Cor, tom de voz, jeito de gravar vídeo, isso mantém. O resto, deixa a audiência reinterpretar do jeito dela.

O aprendizado de Blumenau não é sobre monograma nem sobre tipografia. É sobre entender que ninguém fica conhecido tentando controlar a própria imagem sozinho. Fica conhecido quem consegue fazer os outros quererem carregar essa imagem por vontade própria.

Blumenau
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Sobre o autor

Lucas AmorimColunista

6 matérias publicadas

Fundador da Racun Filmes, publicitário e especialista em marketing e audiovisual. Atua no desenvolvimento de estratégias para empresas de diferentes segmentos, unindo produção de conteúdo, branding, inteligência artificial e posicionamento digital. No portal, compartilha análises, tendências e insights sobre marketing, empreendedorismo e audiovisual, sempre com foco em aplicações práticas para quem busca crescer no mercado.

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