2.977 vidas, 90 nações e um mundo diferente pra sempre
Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro, a história da Cantor Fitzgerald ajuda a revelar a dimensão humana da tragédia. A empresa perdeu 658 funcionários e tornou-se um dos grandes símbolos de reconstrução daquele período.

Em 11 de setembro de 2001, 2.977 pessoas morreram nos atentados contra os Estados Unidos. Só em Nova York foram 2.753 vítimas. Entre elas estavam 658 funcionários da Cantor Fitzgerald, empresa que ocupava alguns dos andares mais altos da Torre Norte do World Trade Center e que perdeu, naquela manhã, quase 70% de sua equipe na cidade. A dimensão dos números ajuda a compreender por que aquele dia ultrapassou as fronteiras americanas e se tornou um marco para todo o Ocidente. Não se tratava apenas da queda de dois edifícios. Famílias inteiras foram interrompidas, empresas perderam centenas de pessoas em poucas horas e uma nação assistiu, ao vivo, à destruição de símbolos que até então pareciam praticamente inatingíveis.
A história da Cantor Fitzgerald ajuda a dar rosto ao que, muitas vezes, lembramos apenas pelas imagens das torres. A companhia tinha 960 funcionários em Nova York e perdeu 658 deles. Seu presidente, Howard Lutnick, sobreviveu e anunciou posteriormente que a empresa seria reconstruída e destinaria 25% de seus lucros durante cinco anos às famílias dos funcionários mortos, além de custear assistência médica por dez anos. Em meio ao luto, havia salários, famílias, compromissos e uma organização que precisava continuar existindo enquanto enterrava a maior parte de seus colegas. É difícil imaginar uma definição mais concreta de recomeço. A reconstrução, naquele momento, provavelmente não tinha o aspecto grandioso que retrospectivamente atribuímos a ela. Era feita de pessoas retornando ao trabalho, assumindo funções de quem não voltaria, cuidando de famílias e tentando compreender como seria o dia seguinte.
Vinte e cinco anos depois, talvez seja esse um dos aspectos mais marcantes do 11 de setembro. O atentado modificou aeroportos, fronteiras, guerras, políticas de segurança e a própria percepção de vulnerabilidade do mundo ocidental. Mais de 90 nacionalidades estavam representadas entre as vítimas, o que ajuda a explicar por que sua memória jamais ficou restrita aos Estados Unidos. Entretanto, junto às consequências políticas e históricas existe uma coleção imensa de histórias particulares de reconstrução. Bombeiros que entraram nas torres quando milhares tentavam sair, famílias que transformaram perdas em fundações, empresas que continuaram operando depois de perder parte significativa de suas equipes e uma cidade que precisou reaprender a olhar para o próprio horizonte. Onde havia destruição, posteriormente surgiram um memorial, novos edifícios e uma decisão coletiva de preservar os nomes das vítimas para que elas não fossem reduzidas a uma estatística.
Talvez por isso o 11 de setembro continue sendo uma data tão poderosa um quarto de século depois. Algumas tragédias dividem a história entre o antes e o depois, mas o que acontece depois também merece ser lembrado. Os Estados Unidos seguiram carregando cicatrizes, cometeram erros, enfrentaram conflitos e jamais recuperaram a inocência daquele mundo anterior a 2001. Ainda assim, continuaram. A Cantor Fitzgerald continuou. Nova York continuou. Milhares de famílias continuaram. Recomeçar raramente significa esquecer o que aconteceu ou voltar ao lugar em que estávamos. Em muitos momentos, significa simplesmente reconhecer aquilo que foi perdido, carregar a memória consigo e encontrar razões suficientes para construir novamente. Talvez seja essa uma das maiores mensagens deixadas pelo 11 de setembro: mesmo quando a história nos impõe um dia que jamais gostaríamos de viver, ainda existe um dia seguinte.
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Pai do Pedro e da Eva; Diretor da Elevion Consultoria; Diretor de Negócios da Rede de Franquias Animal Farma. Consultor e Conselheiro Empresarial.
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