WEG transforma inovação em modelo de negócio
A WEG mostra como a inovação pode ser o coração de um modelo de negócios bem-sucedido, com mais de 50% da receita de produtos recentes.

A inovação não é um departamento. É o modelo de negócio. O que a WEG ensina sobre competir no longo prazo
Existe uma pergunta que todo empresário deveria fazer:
Quanto do faturamento da minha empresa vem de soluções que sequer existiam há cinco anos?
Na WEG, uma das empresas mais admiradas do Brasil, essa resposta impressiona.
Em 2024, 55,1% da receita líquida da companhia veio de produtos e soluções lançados nos últimos cinco anos. A empresa chama esse indicador de Índice de Inovação Tecnológica, uma das principais métricas que utiliza para acompanhar sua capacidade de se reinventar. Esse índice permanece historicamente acima de 50%.
Esse dado derruba um mito bastante comum no mercado: a inovação não é responsável por uma pequena parcela do negócio. Na WEG, ela movimenta mais da metade da receita.
A inovação não acontece por acaso
Fundada em 1961, em Jaraguá do Sul (SC), a WEG nunca tratou inovação como um projeto isolado.
Ela faz parte da estratégia.
Em 2024, a empresa investiu R$ 1,084 bilhão em Pesquisa & Desenvolvimento, mantendo centenas de projetos voltados ao desenvolvimento de novos produtos, processos, materiais e soluções digitais.
Mais importante do que o volume investido é a forma como a empresa organiza esse processo.
A WEG possui um sistema estruturado de inovação, alinhado ao planejamento estratégico e conectado às necessidades futuras dos clientes. Ou seja, inovação não depende de inspiração. Depende de método.
A WEG deixou de vender motores
Quem ainda enxerga a WEG apenas como fabricante de motores elétricos está olhando para a empresa de décadas atrás.
Hoje, ela atua em automação industrial, geração e transmissão de energia, mobilidade elétrica, energias renováveis, digitalização da indústria, sistemas inteligentes, infraestrutura para veículos elétricos e soluções completas para eficiência energética.
A empresa deixou de vender produtos.
Passou a entregar soluções.
Essa mudança explica boa parte de sua competitividade global.
Inovar é antecipar mercados
Um dos exemplos mais claros dessa visão é a aposta em tecnologias ligadas à transição energética.
Enquanto muitos ainda discutiam o futuro da eletrificação, a WEG já desenvolvia motores de alta eficiência, inversores, sistemas para geração renovável, carregadores para veículos elétricos e equipamentos para redes inteligentes.
Mais recentemente, anunciou investimentos bilionários para ampliar sua capacidade de fabricar equipamentos estratégicos para o setor de energia, acompanhando uma demanda global crescente.
Ela não espera o mercado mudar.
Ajuda a construir essa mudança.
A principal inovação está na cultura
Existe uma lição importante para empresas de qualquer porte.
Muitas organizações acreditam que inovar depende de criar um produto revolucionário.
A experiência da WEG mostra exatamente o contrário.
Na maioria das vezes, a vantagem competitiva nasce da capacidade de melhorar continuamente produtos, processos, eficiência, sustentabilidade e experiência do cliente.
Inovação passa a ser rotina.
Não exceção.
O que sua empresa pode aprender com isso?
Nem toda empresa terá um orçamento bilionário para pesquisa.
Mas toda empresa pode adotar a lógica da inovação contínua.
Vale refletir sobre algumas perguntas:
Quanto do faturamento vem de soluções recentes?
Quais produtos ou serviços deixaram de evoluir?
Como os dados dos clientes estão orientando novos desenvolvimentos?
Existe um processo estruturado para transformar ideias em resultados?
Essas respostas costumam dizer muito mais sobre o futuro de um negócio do que seu desempenho no último trimestre.
O verdadeiro diferencial competitivo
A história da WEG mostra que empresas líderes não vivem do sucesso que construíram no passado.
Elas vivem da capacidade de criar o próximo ciclo de crescimento antes que o mercado exija.
Talvez esse seja o maior ensinamento da empresa catarinense.
Inovação não é um investimento para o futuro. É a estratégia que sustenta o presente.
E quando mais da metade da receita vem de soluções criadas nos últimos cinco anos, fica evidente que inovar deixou de ser uma escolha. Tornou-se a principal vantagem competitiva.
Sobre o autor

218 matérias publicadas
Thiago A. Busarello é cristão. Especialista em negócios, inovação e estratégia, com atuação direta na estruturação, gestão e escala de empresas, combinando experiência prática de mercado com visão orientada a dados, tecnologia e tomada de decisão. Com formação em Administração, MBA em Finanças pela FGV e especializações em ciência de dados, governança e investimento, atua como investidor-anjo, mentor e executivo, apoiando empresas e empreendedores na construção de modelos de negócio mais eficientes, competitivos e preparados para crescer de forma sustentável em um cenário cada vez mais dinâmico.
Discussão
0 comentários
Notícias Relacionadas
Hotmilk investe R$ 14,5 mi em inovação até 2030
Hotmilk investe R$ 14,5 milhões em novos centros de inovação, incluindo um hub de deeptechs em Curitiba.

Indústria de beleza na China aposta em IA para inovar
Indústria de beleza na China adota IA para acelerar inovação e competir globalmente, reduzindo o tempo de desenvolvimento de produtos.

IA e trabalhadores biônicos: o futuro dos negócios
A IA e trabalhadores biônicos podem transformar o futuro dos negócios, aumentando a produtividade e a demanda por serviços.