Sua empresa está preparada para não ser a próxima a quebrar?

Talvez a pergunta pareça exagerada.
Mas talvez seja justamente a pergunta que todo empresário deveria estar fazendo agora.
Nos últimos meses, algumas das marcas mais conhecidas do Brasil voltaram às manchetes por um motivo que nenhum empresário gostaria de enfrentar: recuperação judicial.
Casas Bahia, Tok&Stok, Mobly, Marabraz e outras empresas conhecidas estão atravessando processos de reestruturação. A Casas Bahia, por exemplo, entrou recentemente com pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões em dívidas.
A pergunta que fica é:
Se empresas desse tamanho chegaram a esse ponto, o que faz você acreditar que a sua empresa está imune?
Os números ajudam a dimensionar o cenário.
Entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período de 2026, os pedidos de recuperação judicial cresceram 65,8%, em um ambiente marcado por juros elevados e crédito mais restrito.
Não é apenas uma crise das grandes empresas. É um sinal de que a margem para errar está diminuindo.
E 2027?
Não existe hoje uma previsão consensual de recessão no Brasil em 2027.
Mas existe um cenário que merece atenção.
O mercado projeta crescimento de apenas 1,5% para o PIB em 2027, enquanto a expectativa para a Selic é de 12,25% ao final do ano.
Ou seja: mesmo sem uma recessão oficialmente prevista, estamos falando de uma economia com crescimento baixo e dinheiro ainda caro.
E talvez a pergunta mais inteligente não seja:
"Vai haver recessão em 2027?"
Mas:
"Se houver, minha empresa está preparada?"
Porque uma empresa não precisa esperar o PIB ficar negativo para entrar em crise.
Ela pode entrar em crise quando o cliente compra menos.
Quando o fornecedor reduz prazo.
Quando o banco encarece o crédito.
Quando o estoque fica parado.
Quando a margem diminui.
Quando o empresário começa a usar uma dívida para pagar outra.
E, principalmente, quando o caixa deixa de acompanhar as obrigações.
Empresas não quebram necessariamente por falta de vendas
Essa é uma das maiores lições desse momento:
Faturamento não paga conta. Caixa paga conta.
Então, o que fazer?
Não é hora de entrar em pânico.
É hora de gestão.
1. Proteja o caixa.
Tenha uma visão projetada dos próximos meses e saiba exatamente quanto sua operação precisa para continuar funcionando.
2. Conheça sua dívida.
Quanto deve, para quem, a que custo e quando vence. Dívida mal administrada pode transformar uma empresa saudável em uma empresa insolvente.
3. Faça testes de estresse.
Se a receita cair 10%? E 20%? Se os custos subirem? Se o crédito ficar mais caro? Sua empresa sobrevive?
4. Fortaleça a governança.
Indicadores, orçamento, responsabilidades claras e decisões baseadas em dados deixam de ser sofisticação e passam a ser proteção.
Porque a melhor hora para reorganizar uma empresa é antes de ela precisar de uma recuperação judicial.
Aperte o cinto antes da turbulência
Talvez 2027 seja apenas um ano de crescimento baixo.
Talvez seja pior do que as projeções atuais.
Ninguém sabe.
Mas uma coisa sabemos:
O empresário que esperar a confirmação da crise para se preparar provavelmente estará se preparando tarde demais.
Sua empresa está preparada ou é a próxima a aparecer nas manchetes?
Sobre o autor

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CEO do Grupo Cascaneia, complexo turístico que reúne o parque aquático Cascaneia, o Resort Ecoar e o Hotel Villa di Acqua. Empresária apaixonada por turismo, hospitalidade e experiências que conectam pessoas, atua com foco em gestão, inovação e desenvolvimento de equipes. Compartilha reflexões sobre liderança, negócios, turismo e os desafios do empreendedorismo no dia a dia.
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