IA transforma o RH, mas não substitui pessoas
Em entrevista conduzida por João Paulo Taumaturgo durante o CONCARH, executiva destaca que a tecnologia pode otimizar processos, mas liderança, cultura e decisões estratégicas continuam dependendo das pessoas

O EmpreendaNews esteve presente na 36ª edição do CONCARH, Congresso Catarinense sobre Gestão de Pessoas, realizada em Florianópolis, para acompanhar as principais discussões sobre liderança, cultura organizacional, tecnologia e o futuro do trabalho.
Considerado o maior congresso de gestão de pessoas da Região Sul, o evento reuniu profissionais de Recursos Humanos, lideranças empresariais, especialistas e fornecedores de diferentes regiões do país.
Durante a cobertura, João Paulo Taumaturgo, CEO do EmpreendaNews, entrevistou Adriana Tomé, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos de Santa Catarina, a ABRH-SC, e head de Gestão de Pessoas na Únilos, cooperativa integrante do Sistema Ailos.
Na conversa, Adriana falou sobre a transformação do setor de Recursos Humanos, a necessidade de aproximar a gestão de pessoas dos resultados do negócio e os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Assista à entrevista completa clicando aqui.
O RH precisa entender de pessoas, dados e resultados
Para Adriana, o RH deixou de ser um departamento voltado apenas para processos administrativos, folha de pagamento, contratação e acolhimento dos colaboradores.
O profissional da área passou a ocupar uma posição estratégica dentro das empresas, participando de decisões que envolvem produtividade, desenvolvimento de lideranças, cultura e sustentabilidade do negócio.
“Se você não tiver esse olhar para o negócio e não tiver dados, não adianta apenas falar de pessoas. O empresário e o presidente da empresa querem saber de números e resultados”, afirmou.
Segundo a executiva, a gestão de pessoas precisa conhecer profundamente a operação da organização para contribuir de forma efetiva com as decisões.
Isso significa acompanhar indicadores, interpretar informações e apresentar soluções que conectem o desempenho dos profissionais aos objetivos estratégicos da empresa.
Pessoas continuam sendo o maior diferencial
Mesmo diante da evolução das máquinas, dos processos automatizados e da inteligência artificial, Adriana acredita que as pessoas continuarão sendo o principal fator de diferenciação entre as empresas.
Tecnologias, equipamentos e sistemas podem ser adquiridos por diferentes organizações. No entanto, a cultura, o comportamento das lideranças, o conhecimento das equipes e a capacidade de trabalhar por um propósito comum não podem ser simplesmente copiados.
“Máquinas, tecnologia, inteligência artificial e processos todos podem ter. Agora, pessoas são o diferencial”, destacou.
Para Adriana, empresas que desenvolvem seus profissionais, fortalecem suas lideranças e constroem equipes mais coesas possuem melhores condições de crescer de maneira sustentável.
Inteligência artificial deve potencializar o trabalho humano
Durante a entrevista, a inteligência artificial também apareceu como um dos principais temas relacionados ao futuro do trabalho.
Adriana explicou que a tecnologia pode assumir tarefas repetitivas, organizar grandes volumes de informações e reduzir processos que antes exigiam várias horas de trabalho.
Entretanto, a análise crítica, a tomada de decisão e a compreensão da cultura da empresa continuam dependendo das pessoas.
Na área de gestão de pessoas, por exemplo, a IA pode reunir dados de pesquisas internas e produzir análises iniciais. Ainda assim, será necessário um profissional qualificado para interpretar os resultados, compreender o momento da organização e decidir quais ações devem ser tomadas.
“A inteligência artificial pode fazer o trabalho mais pesado de organização dos dados. Mas o cruzamento das informações, a análise crítica e a compreensão da cultura da empresa precisam ser feitos por uma pessoa”, explicou.
Nesse cenário, o maior desafio não será apenas aprender a utilizar novas ferramentas, mas preparar profissionais com pensamento analítico, criatividade, capacidade de interpretação e visão de negócio.
Liderança não pode ser automatizada
Adriana também destacou que a inteligência artificial não substitui a responsabilidade, a vontade e a capacidade de decisão de um líder.
A tecnologia pode apresentar caminhos, organizar informações e apoiar a construção de uma estratégia. Entretanto, cabe ao gestor tomar decisões, lidar com diferentes gerações, conduzir conversas difíceis e criar relações de confiança com o time.
Segundo ela, a relação humana permanece insubstituível.
Liderar envolve compreender comportamentos, desenvolver profissionais e transformar a estratégia da empresa em ações que façam sentido para as pessoas que estão na operação.
Esse papel não pode ser completamente delegado a uma ferramenta tecnológica.
A força do associativismo no desenvolvimento do RH
A entrevista também apresentou o trabalho desenvolvido pela ABRH-SC, que completou 50 anos de atuação em Santa Catarina.
A associação possui um modelo formado por uma seccional estadual e oito regionais distribuídas pelo estado. Essa estrutura permite que cada região desenvolva eventos, debates e iniciativas de acordo com as características do seu mercado.
Enquanto cidades mais industrializadas possuem determinados desafios de contratação e desenvolvimento, regiões com forte presença de empresas de tecnologia ou serviços enfrentam outras necessidades.
A ABRH-SC também mantém grupos temáticos sobre gestão, remuneração, recrutamento e seleção, entre outros assuntos.
Esses ambientes permitem que os profissionais compartilhem experiências, apresentem cases e busquem soluções para problemas enfrentados diariamente.
Grande parte das ações da entidade, incluindo a organização do CONCARH, é realizada por voluntários.
CONCARH reúne o ecossistema de gestão de pessoas
Durante a conversa, Adriana explicou que o CONCARH não é apenas um evento de palestras.
O congresso representa um ambiente de conexão entre profissionais de RH, lideranças empresariais, fornecedores e especialistas em gestão de pessoas.
De acordo com os números apresentados durante a entrevista, a edição reuniu aproximadamente 2.500 congressistas, cerca de 800 profissionais ligados aos expositores e mais de 200 voluntários envolvidos na organização.
Para Adriana, a experiência de quem participa também precisa refletir o propósito do encontro.
“Se estamos em um congresso de pessoas, elas precisam ser bem cuidadas e bem tratadas”, afirmou.
Gestão de pessoas passa a ocupar o centro da estratégia
A entrevista conduzida por João Paulo Taumaturgo reforçou uma das principais mensagens do CONCARH: o futuro das empresas não será definido somente pela tecnologia que elas utilizam, mas pela capacidade de desenvolver profissionais preparados para trabalhar com essas ferramentas.
A inteligência artificial deverá aumentar a eficiência e transformar diversas funções. No entanto, liderança, cultura, criatividade, relacionamento e tomada de decisão continuarão sendo responsabilidades humanas.
Para as empresas, o desafio será encontrar o equilíbrio entre os processos tecnológicos e o desenvolvimento das pessoas.
Para o RH, será necessário assumir definitivamente uma posição estratégica, conectando comportamento, dados e resultados.
A série de entrevistas do EmpreendaNews no CONCARH contou com o patrocínio da NutriBlu e o apoio de Gama Inox, Multiquímica, Ecopel e Indacarnes.
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