Governança não é burocracia: é liberdade para crescer

Assim como a maioria dos empresários, grande parte do meu tempo é investido pensando em formas de fomentar o crescimento sustentável para o meu negócio e tenho refletido bastante sobre como não ser um “gargalo" para o nosso crescimento.
Com isso eu cheguei em várias reflexões sobre governança, e entendo que esse é o caminho para o crescimento que eu busco, e posso me arriscar em dizer que pode ser o seu caminho também.
Muita gente, quando pensa em governança, imagina grandes empresas, conselhos, auditorias, dezenas de políticas e processos intermináveis e rotula a governança com um grande carimbo escrito "Burocracia".
Eu penso diferente.
Governança não deveria tornar uma empresa mais lenta. Deveria torná-la menos dependente de uma única pessoa.
Quando a empresa é pequena, é natural que o dono esteja envolvido em tudo. Afinal não tem uma regra bem definida, então a gente decide tudo!
Funciona. Até a empresa crescer.
Em algum momento, aquilo que antes era agilidade começa a virar dependência. Toda decisão precisa de aval. Todo problema chega à diretoria. E o que parecia solução, vira um pesadelo de sobrecarga e até as decisões mais simples viram um estresse crescente.
Vivi isso na pele. No último ano meus irmãos, que são também meus sócios, saíram da operação para integrar o conselho, foi nesse momento que muitas decisões que estavam centralizadas neles caíram sobre mim.
Foi aí que comecei a olhar para governança de outra forma.
Governança não é sobre criar burocracia. É sobre criar clareza.
Quem pode decidir? Até onde? O que precisa de aprovação? O que pode ser resolvido pela operação? Quais são os limites?
Aprendi que a liderança deveria ser acionada pelas exceções: aquilo que saiu do orçamento, ultrapassou uma alçada, apresentou um risco ou exige uma decisão estratégica.
E existe outro ponto importante, especialmente nas empresas familiares: controle não significa desconfiança e aqui mora um divisor de águas.
Criar uma dupla aprovação, separar funções ou estabelecer regras para contratação de fornecedores, por exemplo, não significa acreditar que alguém fará algo errado. Significa não colocar ninguém em situações vulneráveis.
Não precisamos copiar o modelo de governança de uma multinacional. Precisamos construir uma estrutura proporcional ao nosso negócio, aos nossos riscos e ao nosso estágio de crescimento.
Me responde rápido:
Se você ficar 30 dias fora da empresa, ela continua funcionando bem?
(Ps. Confesso que tenho feito essa pergunta pra mim mesma, e ela tem movimentado engrenagens bem importantes).
Se a resposta for não, talvez o problema não seja falta de dedicação.
Talvez seja excesso de dependência.
Olhar pra isso não é algo tão simples, mas super necessário, para que não nos tornemos gargalo de crescimento.
O convite está feito, te vejo na estrada do crescimento!
Sobre o autor

11 matérias publicadas
CEO do Grupo Cascaneia, complexo turístico que reúne o parque aquático Cascaneia, o Resort Ecoar e o Hotel Villa di Acqua. Empresária apaixonada por turismo, hospitalidade e experiências que conectam pessoas, atua com foco em gestão, inovação e desenvolvimento de equipes. Compartilha reflexões sobre liderança, negócios, turismo e os desafios do empreendedorismo no dia a dia.
Mais matérias de Monique Reinert
Discussão
0 comentários
Notícias Relacionadas

Guia Michelin estreia ranking de vinícolas na Borgonha
Guia Michelin estreia classificação mundial de vinícolas na Borgonha, premia 94 produtores e cria nova referência para vinho, enoturismo e mercado de luxo.

O que aprendi com João Fonseca
