O que aprendi com João Fonseca

Quando vemos João Fonseca brilhando nas quadras, é tentador acreditar que estamos diante de um fenômeno construído apenas pelo talento.
A narrativa do "gênio" sempre nos encanta. Ela é mais simples. Mais confortável. Mais inspiradora.
Mas quem acompanha sua trajetória de perto percebe que existe algo muito mais interessante por trás dos resultados.
João tem apenas 19 anos e já enfrenta alguns dos maiores nomes do tênis mundial. Porém, em suas entrevistas, raramente fala sobre dom. Fala sobre rotina. Sobre preparação física. Sobre amadurecimento mental. Sobre aprender a lidar com pressão, expectativa e derrotas. Recentemente, ele atribuiu sua evolução a uma mudança de mentalidade e ao foco no processo, ponto a ponto, em vez da obsessão pelo resultado final. (Reuters)
No mundo corporativo, frequentemente cometemos o mesmo erro que os torcedores cometem no esporte: enxergamos o resultado e ignoramos a construção.
Quando um jovem gestor se destaca, quando um sucessor assume um papel de liderança ou quando uma empresa alcança um crescimento acelerado, logo surgem comentários sobre talento natural, sorte ou oportunidade.
Poucos enxergam os anos de preparação invisível.
Poucos enxergam os treinamentos, os erros, as conversas difíceis, as correções de rota e os momentos em que a pessoa precisou continuar mesmo sem aplausos.
Talvez o maior ensinamento de João Fonseca para as empresas seja justamente este: performance não nasce da pressão. Ela nasce da preparação.
Nenhum atleta chega a uma quadra de Grand Slam para descobrir se é bom. Ele chega para demonstrar aquilo que treinou milhares de vezes quando ninguém estava olhando.
Com lideranças acontece exatamente a mesma coisa.
Não adianta esperar que alguém assuma uma posição estratégica e, naquele momento, desenvolva maturidade, visão de negócio, inteligência emocional e capacidade de decisão. Essas competências precisam ser construídas muito antes da promoção acontecer.
A sucessão empresarial segue a mesma lógica.
O sucessor que parece pronto aos olhos do mercado normalmente está sendo preparado há anos. Assim como o atleta que levanta um troféu parece surgir de repente, mas carrega uma história de disciplina, repetição e aprendizado silencioso.
Talento abre portas.
Mas é a consistência que mantém as portas abertas.
No esporte e nas empresas, os vencedores são aqueles que transformaram potencial em método.
Talvez seja por isso que João Fonseca desperte tanta admiração.
Não porque ele nos mostra como nasce um campeão.
Mas porque ele nos lembra como os campeões são construídos.
Sobre o autor

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CEO do Grupo Cascaneia, complexo turístico que reúne o parque aquático Cascaneia, o Resort Ecoar e o Hotel Villa di Acqua. Empresária apaixonada por turismo, hospitalidade e experiências que conectam pessoas, atua com foco em gestão, inovação e desenvolvimento de equipes. Compartilha reflexões sobre liderança, negócios, turismo e os desafios do empreendedorismo no dia a dia.
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