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Construção Civil

Porcelanatos essenciais: escolhas que não têm erro

Porcelanato não deve ser escolhido apenas pela aparência. Conheça os acabamentos, características técnicas, marcas e linhas que mais gostamos de especificar — e os detalhes que realmente fazem diferença depois da obra pronta.

Porcelanatos essenciais: escolhas que não têm erro
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Escolher porcelanato apenas pela aparência é um dos erros mais comuns que vemos em uma obra.

Uma peça pode ser linda no mostruário e não funcionar tão bem quando ocupa 100 ou 200 m² de uma casa. Pode ter pouca variação de desenho, acabamento inadequado para determinada área, ficar escorregadia onde não deveria ou simplesmente criar um resultado muito mais artificial do que imaginávamos.

Por isso, quando especificamos porcelanato em nossos projetos, existem algumas características que pesam tanto quanto a estética.

E, sim, temos nossos favoritos.

Primeiro: natural, acetinado ou polido?

Para grandes áreas sociais, somos muito fãs dos acabamentos naturais e acetinados.

Eles tendem a produzir uma leitura mais sofisticada e silenciosa, principalmente quando queremos que a arquitetura, a marcenaria, as pedras naturais e o mobiliário sejam os protagonistas.

O polido pode ser maravilhoso, principalmente em determinadas reproduções de mármore, mas precisa ser uma escolha consciente. Reflexo, iluminação, manutenção e local de aplicação mudam completamente a experiência do material.

Em áreas molhadas e externas, a conversa muda novamente: resistência ao escorregamento e indicação de uso precisam entrar antes da estética.

Portobello: Aeterna

Entre as linhas que gostamos para projetos mais atemporais está a Aeterna, da Portobello.

Projeto autoral do Escritório Bruna Pieritz Arquitetura

A coleção possui diferentes tonalidades e formatos e consegue trazer a linguagem do mármore de maneira bastante elegante. O Aeterna X Bianco 90 x 90 cm Natural, por exemplo, é retificado, possui variação visual V3 e 24 faces.

E esse último número é muito importante.

Quanto maior e melhor trabalhada a diversidade de faces de um porcelanato que reproduz um material natural, menor tende a ser aquela sensação de “carimbo” repetindo no piso.

Na ficha técnica dessa peça, a Portobello especifica junta de 1,5 mm e coeficiente de atrito de 0,5 em superfície seca e 0,4 em superfície úmida, segundo a ABNT NBR 16919.

É exatamente esse tipo de informação que precisa acompanhar uma especificação — não somente a foto bonita do produto.

Portobello: Zesty Off White

Outro que conversa muito com a arquitetura que gostamos de desenvolver é o Zesty Off White.

Projeto autoral do Escritório Bruna Pieritz Arquitetura

Em vez de tentar chamar atenção, ele funciona como uma base.

A versão 90 x 90 cm Natural é retificada, tem reprodução de pedra, variação V3 e nada menos que 25 faces. A coleção ainda chega a grandes formatos, incluindo 120 x 120 cm, 160 x 160 cm e lastras de 120 x 270 cm.

Para nós, esse tipo de porcelanato funciona muito bem quando queremos uma casa clara, sofisticada e com bastante material natural, madeira, pedra e tecidos.

É aquele piso que não precisa ser o protagonista para deixar todo o restante do projeto mais bonito.

Portobello: Ipanema — Posto 10 e Posto 12

Também gostamos bastante dos porcelanatos com leitura mineral mais discreta.

Projeto autoral do Escritório Bruna Pieritz Arquitetura

Os Posto 10 e Posto 12, da coleção Ipanema, são bons exemplos. Nas versões 90 x 90 cm Natural, ambos são retificados, possuem reprodução de pedra, variação V3 e 20 faces.

É uma estética que funciona muito bem quando buscamos uma arquitetura contemporânea sem cair naquele porcelanato extremamente marcado.

Quanto mais neutro for o piso, porém, mais importantes ficam textura, tonalidade, paginação e encontro com os outros materiais.

Decortiles: Home

Para quem gosta da estética do travertino, a Home, da Decortiles, é uma linha que vale conhecer.

Projeto autoral do Escritório Bruna Pieritz Arquitetura

A coleção é inspirada no travertino romano e possui versões destinadas a áreas internas e externas. A Home EXT 120 x 120 cm, por exemplo, é retificada, tem 8,5 mm de espessura, junta indicada de 1 mm e superfície resistente ao escorregamento.

Esse é um ponto que gostamos muito em uma coleção: poder trabalhar uma linguagem semelhante entre interior e exterior, alterando a performance da superfície conforme a necessidade do ambiente.

Isso ajuda a criar continuidade visual sem utilizar exatamente o mesmo acabamento onde tecnicamente ele não deveria estar.

E quando queremos performance além da estética?

Aqui entram os porcelanatos técnicos.

Existe uma diferença importante entre porcelanato esmaltado e técnico. No técnico, massa e superfície possuem características que permitem desempenho elevado; tradicionalmente, esses produtos apresentam absorção de água extremamente baixa.

A Eliane, por exemplo, informa absorção de água de até 0,1% para seus porcelanatos técnicos. Em sua categoria Ultrastone, lançada com foco em alta performance, a marca trabalha massa colorida e composição homogênea, ampliando inclusive as possibilidades para cortes e aplicações arquitetônicas.

A Monolitho, da Decortiles, segue uma direção semelhante ao explorar porcelanato técnico com cor, profundidade e textura integradas ao corpo da peça.

Para projetos com muito tráfego, determinadas áreas comerciais, fachadas ou situações nas quais o material será bastante exigido, olhar para esse tipo de tecnologia pode fazer muito mais sentido do que escolher exclusivamente pelo desenho.

O que analisamos antes de aprovar um porcelanato?

Nossa escolha normalmente passa por seis pontos: local de uso, acabamento superficial, coeficiente de atrito, número de faces, variação de tonalidade e tamanho/junta de assentamento.

Depois vem algo que considero indispensável: olhar várias peças juntas.

Uma amostra de 20 centímetros não mostra como aquele porcelanato vai se comportar em uma sala de 80 m².

Porcelanatos classificados como V2 possuem variação relativamente mais controlada entre peças; em um V3, essa variação já é mais perceptível. Isso não significa que V3 seja pior — pelo contrário. Dependendo da proposta, é justamente essa diversidade que ajuda a reproduzir uma pedra natural de maneira convincente.

Também observamos o número de faces. Se o produto reproduz mármore ou pedra e possui pouquíssimas imagens diferentes, a repetição pode ficar evidente depois de instalado.

Por isso a paginação deve acontecer antes do assentamento, principalmente em peças muito desenhadas.

Grande formato é sempre melhor?

Não.

Adoramos grandes formatos porque eles diminuem a quantidade de juntas e podem criar superfícies visualmente muito mais contínuas.

Mas quanto maior a peça, maior também é a exigência na execução.

Contrapiso, planicidade, argamassa indicada pelo fabricante, dupla colagem quando aplicável, desempenadeira correta, niveladores, transporte e mão de obra especializada passam a ser fundamentais.

Uma lastra de 120 x 270 cm mal instalada não fica sofisticada simplesmente porque é grande.

Às vezes, um excelente 90 x 90 cm perfeitamente paginado e instalado produz um resultado muito superior.

Nossas marcas favoritas?

No mercado nacional, Portobello, Decortiles, Eliane e Portinari aparecem constantemente em nossas pesquisas e especificações porque oferecem uma combinação interessante de design, variedade de formatos e soluções técnicas.

Mas não trabalhamos com a ideia de que determinada marca é automaticamente a melhor para qualquer projeto.

Dentro da mesma marca existem produtos desenvolvidos para propostas e condições de uso completamente diferentes.

É por isso que especificação não deveria começar com:

“Qual porcelanato está na moda?”

Deveria começar com:

Onde ele será usado, qual sensação queremos criar e o que tecnicamente esse material precisa suportar?

Quando essas três respostas estão alinhadas, o porcelanato deixa de ser apenas um revestimento bonito e passa a fazer parte da arquitetura.

E talvez esse seja o maior segredo dos nossos porcelanatos favoritos: normalmente, eles não são aqueles que você percebe primeiro quando entra em uma casa.

São aqueles que fazem todo o restante parecer melhor.

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Sobre o autor

Bruna PieritzColunista

87 matérias publicadas

Arquiteta e designer, especializada em Arquitetura e Design pelo Politécnico de Milão. Acredito que a arquitetura deve ir além da estética: ela precisa traduzir a identidade, a história e o estilo de vida de quem irá viver cada espaço. Por isso, não acredito em projetos prontos ou soluções replicadas. Cada criação é única, pensada para refletir a essência de cada cliente. À frente da Bruna Pieritz Arquitetura, desenvolvo projetos completos de arquitetura e interiores, unindo estratégia, funcionalidade, sofisticação e atenção aos detalhes para criar ambientes autênticos, atemporais e cheios de significado.

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