A maioria não passa dos 5 anos. Nós chegamos aos 21.
A maioria das empresas não passa do ano 5. A gente foi pro 21.

21 anos de SaaS no Brasil: o que aprendi sobre durar quando quase ninguém dura
A maioria das startups de tecnologia no Brasil não chega nem no ano 5. A mortalidade de empresas de tecnologia nos primeiros anos é brutal, e SaaS não é exceção. Nós estamos no ano 21.
Isso pesa mais do que qualquer linha de currículo. Isso é cicatriz.
Tem uma coisa que ninguém conta sobre durar 21 anos em tecnologia no Brasil. A gente não seguiu um plano que deu certo, nós renovamos uma decisão, ano após ano, mesmo quando o mais fácil seria parar.
A empresa começou em 2005, mas foi em 2009 que lançamos o Milldesk Help Desk, sem saber exatamente o tamanho do que estávamos construindo. Sabíamos de uma coisa só: empresa que não organiza o próprio caos interno, cedo ou tarde, para de crescer.
Apostamos nisso quando quase ninguém no Brasil falava sobre service desk e SaaS ainda era um conceito pouco conhecido por aqui. Não existia benchmark, nem case nacional para se inspirar. Tivemos que construir nosso próprio caminho, aprendendo na prática o que funcionava e o que precisava ser reinventado. Existia só a convicção de que aquele problema era real e ia continuar sendo, com ou sem a gente resolvendo.
Passamos por crise, por Selic em dois dígitos, por pandemia, por três formas diferentes de vender tecnologia. Teve ano difícil. Teve mês em que dava vontade de facilitar o caminho, de ceder no que a gente acreditava só pra fechar contrato mais rápido. A gente segurou.
E foi segurando que aprendemos a única coisa que, no fim, separa quem dura de quem cresce rápido e desaparece: 21 anos de empresa não se prova com tempo de CNPJ. Se prova com tempo de cliente.
Tem cliente com a gente desde antes da palavra SaaS existir por aqui. E isso muda a régua do que a gente chama de sucesso. Não é fechar contrato. É continuar sendo escolhido, contrato após contrato, renovação após renovação, quando esse cliente já testou o mercado inteiro e podia ter ido embora fácil. Ticket que se sustenta ano após ano não é sorte de vendedor, é satisfação que se repete tantas vezes que vira hábito. E hábito, em SaaS, é a métrica que ninguém mostra no slide de pitch, mas é a única que realmente separa quem dura de quem só cresceu rápido.
Se tem um aprendizado desses 21 anos que eu levaria pra quem está começando agora, é esse: durar não é sobre resistir ao mercado. É sobre continuar necessário pra ele, todos os dias, sem abandonar o motivo pelo qual você começou.
A gente não mede 21 anos em faturamento. Mede em quantos clientes ainda estão aqui pra contar essa história com a gente.
Para saber mais, siga o perfil @milldesk_helpdesk
Sobre o autor

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Luciano Costa é cofundador da Setrion Software e do Milldesk, empresa catarinense de tecnologia criada em 2005. Hoje atua como CEO da Setrion e está à frente de uma trajetória construída em torno de tecnologia, gestão de serviços, automação e eficiência operacional. À frente do Milldesk, ele também acompanha uma empresa que cresceu para mais de 1000 clientes e cerca de 80 mil usuários mensais, com presença no Brasil e na América Latina. Um empreendedor de tecnologia que enxerga gestão e processos como o caminho para transformar tecnologia em resultado de verdade.
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