O elemento mais ignorado da casa acaba de virar tendência
As cortinas estão deixando de ser apenas um elemento funcional para assumir um papel de destaque nos interiores. Inspiradas por lançamentos apresentados durante o 3daysofdesign, elas ganham textura, cor, volume e presença, funcionando quase como esculturas têxteis. Em um momento em que o design busca mais emoção e identidade, as janelas passam a vestir os ambientes de forma protagonista, questionando a ideia de que as cortinas devem ser neutras e invisíveis.
Reprodução/DESIGN MILKDe acordo com o portal Design Milk, o design de interiores está vivendo uma pequena revolução silenciosa. Enquanto durante décadas o mercado concentrou sua atenção em sofás, mesas, luminárias e objetos decorativos, os elementos considerados secundários começam a assumir o protagonismo dos ambientes. E talvez nenhum deles esteja mudando tanto quanto as cortinas.
Durante o 3daysofdesign, em Copenhague, a dinamarquesa Kvadrat apresentou a coleção THREE, reforçando uma ideia que considero uma das mais provocativas do design contemporâneo: as cortinas deixaram de ser acabamento para se tornar arquitetura.


Com 14 novos tecidos, a coleção explora cores intensas, tons terrosos, tramas tridimensionais e materiais naturais como lã, cânhamo e algodão orgânico. Tecidos como Tetra e Triple Tone trabalham profundidade, brilho e textura de uma maneira que lembra muito mais uma instalação artística do que um simples item de decoração.

Mas, para mim, o ponto mais interessante não está na coleção em si. Está na pergunta que ela levanta: por que ainda insistimos em tratar as cortinas como algo que deve desaparecer?
Durante anos, os interiores foram dominados pela ideia de que as cortinas deveriam ser brancas, leves, discretas e quase invisíveis. Escondidas no gesso, neutras, sem textura e sem personalidade. O problema é que, quando tudo se torna neutro, nada se destaca.

As cortinas possuem uma capacidade que poucos elementos têm: elas controlam a luz, alteram a acústica, adicionam textura, criam movimento e mudam completamente a percepção de escala de um ambiente. Uma única cortina pode transformar um espaço mais do que a troca de um sofá inteiro.
Vejo que estamos entrando em uma era em que os projetos deixam de buscar apenas a perfeição minimalista e voltam a buscar emoção. O teto já deixou de ser branco. As paredes já voltaram a receber cor. Os metais ganharam protagonismo. E agora as cortinas começam a ocupar o lugar que sempre poderiam ter tido.

Talvez a próxima pergunta que os arquitetos precisem fazer não seja "qual sofá escolher?", mas sim "o que essa janela quer dizer?".


Porque, no futuro dos interiores, esconder as cortinas pode parecer tão ultrapassado quanto esconder a cozinha ou pintar todos os ambientes de branco. E, sinceramente, acredito que veremos cada vez menos janelas vestidas para desaparecer e cada vez mais janelas vestidas para serem lembradas.
Com informações de DESIGN MILK.
Sobre o autor

43 matérias publicadas
Arquiteta e designer, especializada em Arquitetura e Design pelo Politécnico de Milão. Acredito que a arquitetura deve ir além da estética: ela precisa traduzir a identidade, a história e o estilo de vida de quem irá viver cada espaço. Por isso, não acredito em projetos prontos ou soluções replicadas. Cada criação é única, pensada para refletir a essência de cada cliente. À frente da Bruna Pieritz Arquitetura, desenvolvo projetos completos de arquitetura e interiores, unindo estratégia, funcionalidade, sofisticação e atenção aos detalhes para criar ambientes autênticos, atemporais e cheios de significado.
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