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Mercado imobiliário

Google exibe imóveis nos EUA; impacto no Brasil

Google Real Estate exibe imóveis nos EUA, influenciando o mercado. Corretores e imobiliárias brasileiras devem investir em presença digital.

Google exibe imóveis nos EUA; impacto no Brasil
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O Google quer entrar na sua busca por imóveis e isso pode mudar o jogo

Imagine procurar “apartamento de 3 quartos em Balneário Camboriú” no Google e, antes mesmo de entrar em um portal imobiliário, já encontrar fotos, preços, localização e contato do corretor. Essa realidade já começou nos Estados Unidos e pode antecipar uma mudança importante para o mercado brasileiro.

O Google passou a disponibilizar nos EUA o Google Real Estate, formato que coloca imóveis diretamente nos resultados de busca. A proposta é encurtar a jornada entre a intenção do consumidor e o contato com quem vende: o usuário pode visualizar características do imóvel e, em alguns casos, ligar, enviar mensagem ou agendar uma visita sem precisar começar a pesquisa em um portal imobiliário.

E aqui está a parte mais importante:

o Google está deixando de ser apenas o caminho até o imóvel para começar a se tornar parte da própria experiência de descoberta.

O que muda?

Durante anos, a jornada digital foi relativamente previsível:

Google → portal imobiliário → imóvel → corretor.

O novo modelo pode transformar isso em:

Google → imóvel → corretor.

Essa diferença parece pequena, mas pode mexer bastante com a disputa pela atenção do consumidor.

Os dados utilizados no novo recurso vêm de uma integração com a plataforma ComeHome, da HouseCanary, e os resultados podem apresentar fotos, preço, localização, características do imóvel e opções de contato.

O Google não está se tornando uma imobiliária. O corretor continua sendo o responsável pelo negócio.

Mas o lugar onde a descoberta acontece está mudando.

E os portais imobiliários?

Essa talvez seja a maior provocação.

Se o consumidor encontra uma seleção de imóveis diretamente no Google, qual será o papel dos grandes portais no futuro?

Isso não significa que eles desaparecerão.

Portais continuam tendo vantagens importantes: filtros avançados, comparação de imóveis, histórico, financiamento, ferramentas para corretores e uma enorme quantidade de ofertas.

Mas a disputa pode mudar de lugar.

O portal tradicional disputa o momento em que o consumidor entra para procurar.

O Google pode passar a disputar o momento anterior:

quando o consumidor ainda está decidindo o que quer procurar.

Para o corretor, a mudança é ainda maior

Se o Google começar a concentrar a descoberta de imóveis, qualidade de informação passa a ser uma vantagem competitiva.

Fotos.

Preço atualizado.

Localização.

Características.

Descrição.

Reputação.

Presença digital.

Tudo isso passa a ter mais peso na capacidade de um imóvel aparecer e gerar contato.

E existe uma consequência estratégica:

o corretor deixa de depender apenas de estar em um portal e passa a precisar construir presença digital própria.

Site, conteúdo, avaliações, marca pessoal, SEO e relacionamento com o público deixam de ser acessórios.

Passam a fazer parte da estratégia comercial.

E o Brasil?

Aqui é importante separar fato de expectativa.

O Google Real Estate ainda não está disponível no Brasil e não existe, até o momento, uma previsão oficial de lançamento por aqui.

Mas esperar a ferramenta chegar para começar a se preparar pode ser um erro.

Porque a mudança mais importante não é o produto.

É a direção.

O Google está reduzindo o número de etapas entre aquilo que uma pessoa procura e aquilo que ela pode fazer.

Isso já acontece em diversos outros mercados e ganha ainda mais força com a evolução da inteligência artificial e das buscas mais conversacionais.

A lógica está mudando de:

“Aqui estão dez links. Escolha.”

para:

“Entendi o que você procura. Aqui estão algumas opções.”

O imóvel virou informação e informação virou ativo

Para o mercado imobiliário, essa transformação traz uma reflexão maior.

Durante muito tempo, o ativo principal era o imóvel.

Depois, a localização e a oferta ganharam importância.

Agora, os dados sobre o imóvel também passam a ter valor estratégico.

Quem possui informações organizadas, atualizadas e confiáveis está mais preparado para aparecer nos novos ambientes de busca.

E isso pode abrir uma nova disputa no setor:

não apenas quem tem os melhores imóveis, mas quem consegue apresentá-los melhor para os algoritmos e, principalmente, para o consumidor.

A pergunta que fica

Se amanhã o Google conseguir mostrar ao consumidor o imóvel, o preço, a localização, as características e o corretor antes mesmo de ele entrar em um portal,

quem será dono da atenção desse cliente?

O portal?

A imobiliária?

O corretor?

Ou o próprio Google?

Talvez a verdadeira transformação não seja o Google começar a vender imóveis.

É o Google começar a controlar uma parte cada vez maior do caminho até a decisão de compra.

E isso merece a atenção de qualquer profissional que trabalha com mercado imobiliário.

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Sobre o autor

257 matérias publicadas

Thiago A. Busarello é cristão. Especialista em negócios, inovação e estratégia, com atuação direta na estruturação, gestão e escala de empresas, combinando experiência prática de mercado com visão orientada a dados, tecnologia e tomada de decisão. Com formação em Administração, MBA em Finanças pela FGV e especializações em ciência de dados, governança e investimento, atua como investidor-anjo, mentor e executivo, apoiando empresas e empreendedores na construção de modelos de negócio mais eficientes, competitivos e preparados para crescer de forma sustentável em um cenário cada vez mais dinâmico.

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