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Inovação

A IKEA está nos mostrando que o futuro do design pode ser mais divertido

A nova coleção IKEA PS 2026 resgata a ideia de que design não precisa ser apenas funcional ou minimalista. Com peças lúdicas, transformáveis e cheias de personalidade, a marca aponta para uma tendência cada vez mais forte: a volta da emoção, da identidade e da diversão para dentro dos ambientes.

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Durante anos, o design foi dominado por ambientes neutros, minimalistas e quase perfeitos demais. Casas impecáveis para fotografar, mas nem sempre para viver. Agora, a nova coleção IKEA PS 2026 parece querer provocar justamente essa discussão.

Em artigo publicado pela Dezeen, a crítica Debika Ray analisa o retorno da icônica coleção PS, que não era lançada desde 2017. Conhecida por ser o laboratório criativo da IKEA, a linha sempre funcionou como um espaço para testar novas ideias, comportamentos e formas de viver. Desta vez, o tema central é algo que o design talvez tenha deixado de lado nos últimos anos: a diversão.

A coleção reúne 44 peças assinadas por 12 designers internacionais e explora aquilo que a marca chama de "playful functionality" — ou funcionalidade divertida. Bancos que balançam, luminárias que mudam completamente de configuração, móveis transformáveis e até uma poltrona inflável que se tornou viral antes mesmo do lançamento oficial.

Mas acredito que a discussão vai muito além dos produtos.

O que a IKEA parece estar percebendo é que, depois de anos de excessiva padronização estética, as pessoas estão voltando a procurar personalidade. O consumidor continua desejando ambientes sofisticados, mas não necessariamente ambientes sérios. Existe uma diferença importante entre elegância e rigidez.

Vejo isso acontecer também na arquitetura. Depois de uma década marcada por tons de cinza, bege e linhas extremamente minimalistas, começamos a observar o retorno das cores, das formas inusitadas e dos objetos que despertam emoções. Não como exagero, mas como identidade.

Talvez seja justamente por isso que a coleção PS tenha chamado tanta atenção. Ela nos lembra que uma casa não precisa ser apenas funcional. Ela pode surpreender, divertir e até arrancar um sorriso.

O mais interessante é que essa reflexão vem da IKEA, uma marca construída sobre o conceito de design democrático. Enquanto muitas empresas associam inovação a produtos cada vez mais caros, a IKEA continua defendendo uma ideia que considero extremamente atual: o bom design não deveria ser um privilégio, mas algo acessível ao maior número possível de pessoas.

No fim, talvez a maior tendência revelada por essa coleção não seja uma cadeira inflável ou uma luminária flexível. Talvez seja a volta da emoção para dentro dos ambientes. Porque casas bonitas existem muitas. Casas que despertam sentimentos são muito mais raras.

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Sobre o autor

Bruna PieritzColunista

34 matérias publicadas

Arquiteta e designer, especializada em Arquitetura e Design pelo Politécnico de Milão. Acredito que a arquitetura deve ir além da estética: ela precisa traduzir a identidade, a história e o estilo de vida de quem irá viver cada espaço. Por isso, não acredito em projetos prontos ou soluções replicadas. Cada criação é única, pensada para refletir a essência de cada cliente. À frente da Bruna Pieritz Arquitetura, desenvolvo projetos completos de arquitetura e interiores, unindo estratégia, funcionalidade, sofisticação e atenção aos detalhes para criar ambientes autênticos, atemporais e cheios de significado.

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