A CAMPANHA DA BURBERRY A GOOD SPORT E A RELAÇÃO DE MODA E CULTURA

As marcas sempre tiveram papel importante na cultura. As marcas de moda ainda mais.
A moda raramente (praticamente nunca) é só roupa. Ela é um termômetro da sociedade: registra guerras, revoluções, conquistas e contradições. Poucas indústrias conseguem, como a moda, transformar um pedaço de tecido em símbolo político, em manifesto cultural, em objeto de desejo que atravessa gerações. e para ilustrar, vamos resgatar dois exemplos dentre tantos das marcas Chanel e Dior, que não apenas vestiram corpos, mas reescreveram regras sociais.
Chanel: a liberdade costurada em cada peça
Gabrielle "Coco" Chanel teve uma origem marcada por pobreza. Órfã de mãe, foi criada em um convento, onde aprendeu a costurar. Com o apoio de amantes influentes, abriu sua primeira loja em 1910, revolucionando a moda feminina com simplicidade e conforto. Mademoiselle Chanel redefiniu a elegância com simplicidade abolindo espartilhos, introduzindo o "pretinho básico" e popularizou o tweed, as pérolas e o perfume Chanel Nº5.
Chanel também foi um projeto político. A estilista é tida por muitos como a criadora do primeiro modelo de terninho feminino. O modelo representou uma verdadeira revolução na moda e Chanel defendeu por muitos anos essa estética masculina às mulheres como forma de libertação. Esse movimento foi essencial para a história da moda. Acima de qualquer coisa e também das polêmicas que envolveram Coco, é inegável a transformação cultural daquele tempo.
Dior: reconstruir o mundo pelo guarda-roupa
Se Chanel simbolizou ruptura, Dior simbolizou reconstrução. Em 1947, Christian Dior reagiu à necessidade de ajustar o guarda-roupa feminino para que refletisse melhor a realidade do pós-guerra. A estética New Look do designer introduziu o icônico casaco Bar, uma peça em formato ampulheta que une ombros estruturados a cinturas justas e linhas femininas, servindo como munição para as mulheres afirmarem seus direitos.
Inclusive, fica aqui aqui minha indicação da sérieThe New Look, um drama biográfico da Apple TV que justamente retrata a história de Christian Dior em Paris após a Segunda Guerra Mundial, e seu antagonismo profissional e ideológico com a própria Coco Chanel.
O que une tudo isso?
A recente campanha da marca britânica Burberry busca justamente essa inserção de cultura, claro, no mês de início da Copa do Mundo. A campanha que recebeu o nome de A Good Sport é, segundo a marca, inspirada na paixão britânica pelo futebol, e traz a proposta da campanha sair dos gramados e ir para as arquibancadas, celebrando o espírito de equipe nos dias de jogo com um elenco estelar de rostos conhecidos, na moda, no entretenimento e no futebol.
Romeo Beckham e Son Heung-min são alguns exemplos: um filho do jogador mais icônico da geração, o outro capitão da Coreia do Sul e um dos atacantes mais elegantes da Premier League, aparecem não como garotos-propaganda, mas como torcedores, retirando a celebridade do pedestal, inserindo a marca no cotidiano e na paixão pelo futebol. Inserindo na cultura.
A moda, no fundo, nunca foi superficial. Cada peça carrega o peso de seu tempo, de uma época, de um jeito de ser. Elas constroem narrativas e nos ajudam a construir as nossas e as vezes, mudam o mundo.
Sobre o autor

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Especialista em comunicação e branding, com mais de 15 anos de experiência em estratégia de negócios, marketing e desenvolvimento de produto, com forte atuação no setor têxtil. Idealizadora de missões internacionais e também escritora, palestrante e TEDx speaker.
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