Meta, IA e o futuro da publicidade
Meta cresce 27% em receita publicitária no segundo trimestre, impulsionada por IA, mas enfrenta ceticismo e desafios regulatórios na Europa.

O que a Meta acabou de provar sobre o futuro da publicidade (e por que isso deveria preocupar as marcas).
Os resultados divulgados pela Meta nesta semana reforçam um movimento que já vinha ganhando força. A receita com publicidade cresceu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada principalmente pelos avanços da inteligência artificial na otimização das campanhas.
A inteligência artificial está tornando a mídia cada vez mais eficiente. Hoje, ela consegue identificar padrões de comportamento, otimizar campanhas em tempo real e encontrar oportunidades de conversão que dificilmente seriam percebidas por uma operação exclusivamente humana.
Isso não significa, porém, que ela substitua a estratégia.
Na verdade, quanto mais eficiente a tecnologia se torna na execução, mais evidente fica a importância das decisões que vêm antes dela.
A IA é extremamente competente para otimizar objetivos definidos. Se a meta é gerar mais conversões, reduzir custo por aquisição ou encontrar públicos com maior probabilidade de compra, ela aprende e melhora continuamente. Mas ela não responde às perguntas que realmente constroem valor para um negócio: qual espaço essa marca quer ocupar na mente das pessoas? Que percepção deseja construir ao longo do tempo? Quais clientes fazem sentido para a sua estratégia de crescimento, e não apenas para o resultado do próximo mês?
O mesmo acontece na criação de campanhas. As ferramentas generativas evoluíram rapidamente e já conseguem produzir imagens e peças publicitárias em poucos minutos. Ainda assim, é comum que os resultados sejam genéricos, inconsistentes ou pouco aderentes à identidade da marca. Afinal, esses modelos aprendem a partir de padrões existentes. Marcas fortes, por definição, não são médias do mercado. Elas constroem códigos próprios, linguagem própria e uma forma particular de serem reconhecidas.
É justamente por isso que acredito que branding e performance deixam de ser disciplinas concorrentes para se tornarem ainda mais complementares.
Se a inteligência artificial tende a democratizar a capacidade de operar mídia, esse conhecimento, sozinho, perde parte do seu poder de diferenciação. O valor passa a migrar para aquilo que a tecnologia não cria: posicionamento, proposta de valor, narrativa, cultura e construção de marca.
Em outras palavras, a IA pode decidir quem verá uma campanha e qual anúncio tem maior chance de gerar um clique. Mas ela não é capaz de construir relevância, preferência ou reputação.
E esses continuam sendo os ativos que sustentam o crescimento de uma empresa no longo prazo.
Se a tecnologia está tornando a execução cada vez mais acessível, construir uma marca relevante deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a ser uma vantagem ainda mais difícil de copiar.
Fonte: Marketing Dive
Imagem: Drew Angerer via Getty Images
Sobre o autor

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Especialista em comunicação e branding, com mais de 15 anos de experiência em estratégia de negócios, marketing e desenvolvimento de produto, com forte atuação no setor têxtil. Idealizadora de missões internacionais e também escritora, palestrante e TEDx speaker.
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