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Marketing

#03 Como se destacar em um mundo de iguais, com Héctor Muniz

No terceiro episódio do Código Interno, Héctor Muniz fala sobre autoconhecimento, repertório, inteligência artificial e liderança em um cenário em que produzir conteúdo ficou cada vez mais fácil

#03 Como se destacar em um mundo de iguais, com Héctor Muniz
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Quando profissionais e empresas têm acesso às mesmas ferramentas e referências, encontrar uma forma própria de pensar se tornou um desafio. A tecnologia facilita a produção, mas também pode fazer com que ideias, conteúdos e marcas comecem a parecer iguais.

Esse foi o principal tema do terceiro episódio do Código Interno, podcast apresentado por Bianca Gimenez. O convidado da vez, Héctor Muniz, criador, comunicador e empresário, compartilhou reflexões sobre sua trajetória, a relação entre vida pessoal e negócios, o impacto da inteligência artificial e as habilidades que devem ganhar importância nos próximos anos.

Código Interno investiga o que existe por trás dos resultados de profissionais que se destacam no mercado. Em vez de olhar apenas para cargos e conquistas, o programa busca entender como essas pessoas pensam, tomam decisões e constroem suas trajetórias.

O negócio também carrega quem está por trás dele

Uma das principais ideias apresentadas por Héctor durante a conversa é a relação entre a história pessoal e a vida profissional.

Segundo ele, “o CNPJ bebe muito do CPF”, afirma. A frase resume a ideia de que as experiências, referências e crenças de uma pessoa acabam influenciando também a maneira como ela conduz seus negócios.

O exercício de olhar para o passado, porém, não serve apenas para entender de onde vieram determinadas habilidades. Também ajuda a identificar crenças que podem estar limitando decisões profissionais.

Para Héctor, o autoconhecimento permite ressignificar experiências e evitar que elas se transformem em obstáculos para o desenvolvimento.

Autenticidade também envolve mudar de ideia

A própria relação de Héctor com a comunicação digital é um exemplo disso.

Apesar da imagem extrovertida que apresenta na internet, ele se considera uma pessoa tímida fora das câmeras. Com o tempo, passou a entender que o personagem construído na internet também é uma parte de quem ele é.

Essa percepção também mudou sua visão sobre autenticidade.

Em vez de significar permanecer sempre igual ou defender as mesmas opiniões, ser autêntico pode significar estar disposto a rever o que foi dito. Héctor considera a exposição ao contraditório uma das características mais importantes da sua presença na internet.

Em um ambiente em que opiniões rapidamente se transformam em identidade, essa capacidade de mudar de ideia ganha ainda mais importância.

Repertório é mais do que consumir informação

Outro ponto central da conversa foi o papel do repertório.

Ter muitas referências não significa necessariamente ter repertório. Para Héctor, o repertório aparece quando uma pessoa consegue reunir diferentes informações e usar esse conhecimento para tomar decisões.

É o que permite dizer por que algo é bom ou ruim, interessante ou desinteressante, bonito ou feio. Para fazer esse tipo de julgamento, é preciso ter referências para comparar.

A curiosidade também aparece como parte fundamental desse processo.

Em um ambiente em que existe excesso de informação, não basta consumir cada vez mais conteúdo. É preciso buscar fontes diferentes, comparar referências e desenvolver critérios próprios.

Essa combinação entre curiosidade e repertório ajuda a construir um ponto de vista. E ter um ponto de vista é justamente o que pode diferenciar uma comunicação em um cenário de crescente homogeneização.

A inteligência artificial muda o trabalho, mas não substitui o pensamento

A inteligência artificial também ocupou uma parte importante da conversa.

Para Héctor, já passou o momento de tratar a IA apenas como uma tendência ou de escolher entre ser a favor ou contra a tecnologia.

Ao mesmo tempo, ele critica dois extremos: a ideia de que a inteligência artificial vai simplesmente substituir todas as pessoas e a postura de quem se orgulha de não utilizá-la.

A questão, segundo ele, está em aprender a trabalhar com a tecnologia sem abrir mão do senso crítico.

A mudança mais importante pode estar na própria produção.

Hoje, uma pessoa pode ter uma ideia e usar uma ferramenta de IA para criar um primeiro texto, imagem, site ou estrutura em poucos minutos. A barreira técnica para produzir caiu.

Com isso, outras habilidades passam a ganhar mais peso.

Curiosidade e curadoria serão cada vez mais importantes

Héctor aponta duas competências que considera fundamentais para os próximos anos: curiosidade e curadoria.

A curiosidade ajuda a fazer perguntas, buscar novas referências e sair do repertório mais óbvio. Já a curadoria permite selecionar, entre tantas informações disponíveis, aquilo que realmente merece atenção.

A combinação das duas pode ser uma das formas de evitar que a inteligência artificial produza um mercado cada vez mais homogêneo.

Liderança precisa fazer o negócio continuar sem o fundador

A conversa também passou por um desafio comum a empresas em crescimento: formar pessoas capazes de tomar decisões sem depender o tempo todo do fundador.

Para Héctor, uma empresa não deve ser construída apenas para gerar bons resultados. Também precisa formar novas lideranças capazes de manter o negócio funcionando mesmo quando o fundador não estiver diretamente envolvido.

A partir de uma referência de Daniel Pink, ele apresenta três elementos importantes para isso: autonomia, maestria e propósito.

A autonomia permite que o profissional tome decisões. A maestria vem do domínio do próprio trabalho e de seus fundamentos. Já o propósito está relacionado à clareza sobre o objetivo daquele projeto ou atividade.

O que diferencia uma pessoa quando as ferramentas são iguais?

A discussão levantada pelo episódio chega a uma questão cada vez mais relevante para profissionais de marketing, comunicação e negócios: se todos têm acesso às mesmas ferramentas, onde está a diferença?

Para Héctor, parte da resposta está no repertório, curiosidade, capacidade de fazer escolhas e no ponto de vista de cada pessoa.

A tecnologia pode acelerar a execução. Pode facilitar pesquisas, produção de conteúdo e criação de novos projetos. Mas ela não elimina a necessidade de decidir o que vale a pena fazer.

Quanto mais simples fica produzir, maior pode ser a importância de saber o que produzir e por quê.

Essa mudança também afeta o marketing. O profissional deixa de ser apenas alguém que executa ferramentas e passa a precisar entender melhor comportamento, tecnologia, cultura e contexto.

No fim, construir um jeito próprio de pensar não significa tentar ser diferente a qualquer custo. Significa conhecer as próprias referências, entender de onde elas vieram, desenvolver critérios e continuar curioso o suficiente para revisá-las.

Código Interno: um projeto GrowthClub

O Código Interno é uma extensão direta do GrowthClub, uma das comunidades de marketing, growth e tecnologia de maior impacto no Sul do Brasil. Com mais de 400 membros ativos, o clube se consolidou como uma referência ao defender que "o ambiente molda os resultados". O GrowthClub conecta fundadores, executivos e gestores por meio de trocas intencionais, bastidores reais e a eliminação de discursos superficiais de palco.

Para transformar essa densidade de conhecimento em um produto audiovisual de alto nível, o projeto contou com uma parceria estratégica crucial: o OLV® Estúdio Criativo, que atua como parceiro de produção e embaixador oficial do podcast.

#podcast#tecnologia#liderança#carreira#inovação#inteligência artificial#marketing
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Sobre o autor

16 matérias publicadas

Bianca Gimenez é mentora, estrategista de marketing e especialista em crescimento previsível para startups SaaS B2B. Com mais de 10 anos de experiência em marketing e growth, construiu e liderou estratégias responsáveis por acelerar o crescimento de empresas de tecnologia em diferentes estágios de maturidade. Ao longo de sua trajetória, foi CMO em empresas como a Movidesk, adquirida pela Zenvia em uma transação de R$ 600 milhões, e a SmartHint, empresa do grupo Magazine Luiza. É fundadora da Águia Leão, boutique de aceleração especializada em startups SaaS B2B e também do Growth Club, uma das maiores comunidades de marketing do Sul do Brasil.

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