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Segredos para atrair investidores: as lições de João Kepler no Sparkz

Em encontro promovido pelo Sparkz, João Kepler compartilha experiências e estratégias sobre crescimento empresarial, atração de investidores, geração de clientes e construção de negócios de alto valor.

Segredos para atrair investidores: as lições de João Kepler no Sparkz
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Ter uma boa ideia é só o começo de um negócio. Para transformá-la em uma empresa de sucesso, é preciso entender o mercado, conquistar clientes, construir uma operação saudável e saber exatamente onde se quer chegar.

Em um encontro promovido pelo Sparkz, mentoria de negócios criada por Isabella Matte e Luan Matte, o investidor João Kepler compartilhou sua experiência sobre o que faz uma empresa se tornar um bom investimento, conquistar clientes, crescer de forma sustentável e até chegar a uma venda milionária.

Ao longo da conversa, com perguntas dos anfitriões e de empreendedores presentes, Kepler trouxe exemplos reais de empresas que passaram por esse processo e explicou o que investidores observam antes de colocar dinheiro em um negócio.

A seguir, reunimos os principais aprendizados do encontro.

1. O que faz um investidor apostar em uma empresa?

Investir em uma empresa envolve riscos. Diferentemente de uma aplicação financeira tradicional, em que existe uma expectativa de rendimento, o investidor aposta no potencial de crescimento de um negócio.

Por isso, antes de investir, ele precisa enxergar a possibilidade de multiplicar o dinheiro aplicado.

Entre os principais critérios avaliados estão:

  • Potencial de retorno: o objetivo é encontrar negócios capazes de multiplicar o valor investido, com uma expectativa de retorno de 3 a 5 vezes o capital aplicado.

  • Capacidade de liderança: mais do que uma boa ideia, o investidor avalia quem está à frente da empresa e se essa pessoa tem capacidade de transformar planos em resultados.

  • Pessoas e conexões: um bom investimento também acontece quando o investidor pode contribuir com experiência, contatos e oportunidades comerciais.

  • Saúde financeira: a empresa precisa ter controle sobre suas despesas, boas margens de lucro e capacidade de continuar crescendo mesmo diante de mudanças no mercado.

  • Geração de lucro: quando não existe um plano de venda da empresa no futuro, é importante que ela consiga gerar resultados financeiros consistentes para seus sócios e investidores.

2. Como uma empresa pode sair de um pequeno negócio para uma venda milionária?

Para mostrar como empresas podem crescer e despertar o interesse de grandes compradores, João Kepler compartilhou dois exemplos de negócios que fizeram parte de sua trajetória como investidor.

Repassa, adquirida pela Renner

Quando Kepler investiu na Repassa, empresa de compra e venda de roupas usadas, o negócio valia menos de R$ 1 milhão e ainda operava em um pequeno escritório em São Paulo.

Quatro anos depois, a empresa foi vendida por R$ 130 milhões.

O que tornou o negócio interessante para a Renner foi a oportunidade de criar uma conexão entre o mercado de roupas novas e o de peças usadas. Com a revenda, os clientes poderiam recuperar parte do dinheiro gasto em roupas e ter mais recursos para consumir novamente.

Kimvo, adquirida pelo BTG Pactual

Outro exemplo foi a Kimvo, que começou com cerca de 500 usuários e tinha como objetivo chegar a 270 mil.

Para acelerar esse crescimento, a empresa cedeu 10% de participação no negócio a um influenciador do mercado financeiro no YouTube, em troca de divulgação e exposição de sua carteira de investimentos.

A estratégia mostrou como uma parceria bem escolhida pode ajudar uma empresa a chegar a muito mais pessoas e acelerar sua expansão.

3. Saiba onde quer chegar, mas não se prenda a um único caminho

Uma das principais recomendações de Kepler foi começar qualquer planejamento pelo destino final.

Em vez de pensar apenas no próximo passo, o empreendedor precisa definir o que deseja construir e, a partir daí, organizar o caminho para chegar lá.

Essa lógica pode ser dividida em três etapas:

  1. Defina o objetivo: estabeleça onde quer chegar. Pode ser alcançar determinado faturamento, conquistar um número específico de clientes ou preparar a empresa para uma futura venda.

  2. Esteja aberto a mudar a rota: Kepler compara esse processo ao funcionamento do Waze. O destino continua o mesmo, mas o caminho pode mudar conforme surgem obstáculos e novas oportunidades.

  3. Questione o que parece óbvio: fazer perguntas diferentes ajuda a encontrar soluções que talvez não fossem consideradas em um planejamento convencional.

O segredo está em ter clareza sobre o objetivo, sem acreditar que existe apenas uma maneira de alcançá-lo.

4. Marketing começa pelo interesse genuíno no cliente

Para João Kepler, marketing não deve ser resumido a conseguir seguidores, curtidas ou vender o máximo possível em pouco tempo.

Ele apresentou o conceito de Marketing de Interesse, que parte de uma ideia simples: entender o que o cliente precisa, ouvir suas necessidades e construir relações que façam sentido para os dois lados.

Nesse contexto, três elementos são importantes: posicionamento, estratégia e comunicação (PEC).

O posicionamento está diretamente relacionado à forma como as pessoas enxergam uma empresa. Para construí-lo, é preciso ter coerência entre aquilo que a marca comunica e aquilo que realmente entrega.

Outro ponto importante é pensar além do próprio negócio.

Kepler trouxe como exemplo uma loja de autopeças que investe em marketing para atrair clientes às oficinas mecânicas parceiras. Mesmo que a loja não realize os reparos, ela ajuda a movimentar o negócio de quem compra seus produtos.

A lógica é simples: quando você ajuda seus clientes a terem bons resultados, também cria oportunidades para o seu próprio crescimento.

5. Na era da inteligência artificial, o relacionamento continua sendo um diferencial

Com o avanço da inteligência artificial, muitas soluções tecnológicas estão ficando mais fáceis e baratas de desenvolver. O que antes exigia equipes inteiras de programação pode ser construído em muito menos tempo.

Para Kepler, isso significa que ter apenas uma boa tecnologia pode não ser suficiente para garantir a competitividade de uma empresa. Afinal, outras empresas podem desenvolver soluções semelhantes.

O diferencial está em construir algo mais difícil de copiar: uma boa distribuição, uma base de clientes sólida e relacionamentos de confiança.

A inteligência artificial também pode ser usada para melhorar a operação de uma empresa. Alguns exemplos são analisar notas fiscais antigas para identificar clientes que estão comprando menos, prever a necessidade de reposição de produtos e entender melhor os hábitos de consumo.

Ou seja, a tecnologia pode ajudar a empresa a tomar decisões melhores, economizar recursos e atender seus clientes com mais eficiência.

6. Antes de crescer, prove que as pessoas realmente querem o seu produto

Uma das armadilhas de quem empreende é investir muito dinheiro para fazer uma empresa crescer antes mesmo de ter certeza de que existe demanda pelo produto.

Kepler defendeu a importância de testar a ideia primeiro. Se três clientes já estão dispostos a pagar por uma solução, isso pode ser um primeiro sinal de que existe uma oportunidade real de mercado.

A partir dessa validação, fica mais seguro investir em divulgação, equipe e estrutura para atender mais pessoas.

Ele também apresentou uma ideia importante sobre crescimento: toda empresa precisa cuidar de dois motores.

Motor 1: o negócio que já funciona

É a operação principal, responsável por trazer dinheiro para dentro da empresa e pagar as contas. Ela precisa continuar funcionando bem, mesmo quando os empreendedores começam a explorar novas oportunidades.

Motor 2: as novas oportunidades de receita

São produtos, serviços e soluções que podem ser oferecidos aos clientes que a empresa já conquistou.

Por exemplo, uma empresa que vende um software pode criar novos serviços para seus clientes, oferecendo mais soluções sem precisar conquistar uma nova base de consumidores do zero.

Assim, é possível aumentar o faturamento aproveitando melhor a estrutura e os relacionamentos que já existem.

O que fica de aprendizado?

As ideias compartilhadas por João Kepler no encontro do Sparkz mostram que construir uma empresa de sucesso exige muito mais do que encontrar uma boa oportunidade.

É preciso entender o que as pessoas precisam, criar soluções pelas quais estejam dispostas a pagar, cuidar da saúde financeira do negócio e ter clareza sobre onde se quer chegar.

Crescer também significa saber mudar de estratégia quando necessário, aproveitar novas tecnologias e construir relações que gerem valor para todos os envolvidos.

No fim, empresas fortes são aquelas que resolvem problemas reais e conseguem fazer isso de maneira consistente ao longo do tempo.

#João Kepler#investimento#negócios#crescimento
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Sobre o autor

21 matérias publicadas

Bianca Gimenez é mentora, estrategista de marketing e especialista em crescimento previsível para startups SaaS B2B. Com mais de 10 anos de experiência em marketing e growth, construiu e liderou estratégias responsáveis por acelerar o crescimento de empresas de tecnologia em diferentes estágios de maturidade. Ao longo de sua trajetória, foi CMO em empresas como a Movidesk, adquirida pela Zenvia em uma transação de R$ 600 milhões, e a SmartHint, empresa do grupo Magazine Luiza. É fundadora da Águia Leão, boutique de aceleração especializada em startups SaaS B2B e também do Growth Club, uma das maiores comunidades de marketing do Sul do Brasil.

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