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Inteligência Artificial

Empresa que não investe em inteligência artificial hoje está planejando fechar amanhã

O CEO do Grupo Corrêa, Juliano Carl, analisa por que a inteligência artificial deixou de ser tendência futura para se tornar questão de sobrevivência no varejo brasileiro, e revela como o grupo opera hoje com painéis de BI em tempo real, IA integrada aos sistemas e conselho administrativo

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Tem um número que precisa parar na mesa de todo lojista do setor de construção neste ano. Em janeiro de 2025, 60% dos brasileiros declaravam usar ou já ter usado ferramentas de IA. Um ano depois, esse número chegou a 77%. Em alta renda, a penetração já passa de 88%. O Brasil, segundo o Consumer Pulse 2026 da Bain & Company, supera os Estados Unidos em adoção de inteligência artificial pelo consumidor.

Se você está lendo isso e ainda acha que IA é assunto para os próximos cinco anos, eu te peço dois minutos. Esse texto é sobre o que está acontecendo agora e sobre o que separa o lojista que vai liderar a próxima década do que vai virar memória.

O cliente já mudou. A loja precisa acompanhar

Quem trabalha com materiais elétricos, hidráulicos, casa e construção como nós, no Grupo Corrêa, sabe que o nosso mercado sempre foi movido por confiança, conhecimento técnico e relação humana. Isso não vai mudar. O que mudou e mudou rápido foi como o cliente chega até nós.

Hoje, o consumidor pesquisa em assistentes de IA antes de pisar na loja. Compara especificações por linguagem natural. Recebe sugestões de produtos baseadas em comportamento de compra. Segundo o Gartner, até 2026, quatro em cada dez interações digitais ocorrerão por voz ou linguagem natural. Isso significa que o “balcão” da nossa loja, mesmo que físico, passou a competir com algoritmos que já conhecem o cliente melhor do que muitos vendedores.

A questão não é se vamos nos adaptar. É a que velocidade.

O paradoxo do varejo brasileiro

Os dados revelam um paradoxo importante. Um estudo conduzido pela CRMBonus com 307 executivos do varejo brasileiro apontou que 79% reconhecem que a IA tem impacto significativo hoje ou terá em curtíssimo prazo. Mas, para 46% das empresas, a principal barreira para avançar é falta de conhecimento interno à frente de custo de implementação (31%) e integração com sistemas (36%).

Ou seja: o problema não é mais o custo da tecnologia. É a capacidade de execução interna. E é exatamente aqui que separamos água do óleo.

O que estamos fazendo no Grupo Corrêa

Eu sempre digo, e repito aqui sem cerimônia: empresa que não investe em inteligência artificial hoje está planejando fechar amanhã. Não é frase de efeito. É a leitura mais honesta que faço do mercado depois de tantos anos nesse ramo.

E por isso, em casa, não esperamos a maré subir. Construímos a estrutura para surfar.

Nossa tomada de decisão é apoiada por ferramentas de BI rodando o tempo todo. Temos painéis de gestão à vista não só para a diretoria. O CD (centro de distribuição) acompanha indicadores em tempo real. A equipe comercial enxerga performance, metas e oportunidades antes mesmo de a reunião começar. Quando todo mundo vê o mesmo número, a conversa muda de natureza: deixa de ser opinião e vira decisão baseada em fato.

Mas não paramos no painel. Integramos recursos de inteligência artificial aos nossos sistemas operacionais ferramentas que rodam em segundo plano identificando gargalos, mapeando ineficiências e recomendando correções automaticamente. A IA, no nosso modelo, não substitui o gestor. Ela serve o gestor com informação curada para que ele decida melhor e mais rápido.

E porque nenhuma empresa séria atravessa uma transformação dessa magnitude sem governança, contamos com um conselho administrativo que orienta as decisões estratégicas e com experiência em tecnologia. Esse é, talvez, o ponto mais subestimado pelo mercado: o varejo brasileiro, historicamente familiar, sempre foi gerido pela intuição do dono. Em 2026, isso não basta mais. Gestão profissional, com órgão consultivo que sabe interpretar dados, virou pré-requisito para quem quer perenidade.

A nova natureza do lojista

Aqui está o que eu acredito: o lojista do futuro não vai ser melhor em vender. Vai ser melhor em entender.

Entender o cliente antes de ele formular o pedido. Entender o mercado antes de ele se mover. Entender o time antes de ele perder produtividade. E para entender em escala, só há um caminho dados, inteligência artificial e processos digitalizados convivendo com a sensibilidade humana que sempre definiu o nosso setor.

Pela primeira vez na história, as ferramentas estão acessíveis. Uma rede regional bem estruturada hoje pode competir, em inteligência de mercado, com gigantes nacionais. O que falta não é tecnologia. É decisão.

Por que a hora é agora

Há um intervalo crítico se abrindo nesse mercado, e ele vai durar pouco. Quem entrar na curva da digitalização nos próximos 18 meses vai colher vantagens competitivas que vão sustentar a próxima década. Quem entrar depois vai pagar caro para correr atrás.

Não fazemos isso porque é moda. Fazemos porque é a única forma de continuar servindo o profissional e o consumidor com a excelência que eles esperam de nós. O eletricista que confia na nossa marca, o engenheiro que projeta com nossos materiais, a família que constrói a casa com a gente todos eles merecem uma empresa que decide com precisão, que entrega com previsibilidade e que está pronta para o amanhã.

O setor de materiais de construção é, e sempre será, um dos pilares da economia brasileira. Se a gente não evoluir junto, alguém de fora do setor vai evoluir por nós. E quando isso acontece, a regra do jogo deixa de ser nossa.

A pergunta que eu deixo é simples: seu negócio está se digitalizando para atender o cliente que existe hoje ou ainda para o cliente que existia há cinco anos?

Porque o cliente de 2026 já não é mais o mesmo. E ele não vai esperar.

“Fontes: Bain & Company (Consumer Pulse 2026), CRMBonus/Wake (IA Survey 2026), Gartner, Signifyd, ABComm, McKinsey, Jornal do Comércio.”

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Sobre o autor

Juliano Carl Colunista

6 matérias publicadas

CEO do Grupo Corrêa, um dos maiores conglomerados do setor elétrico e varejista do Sul do Brasil. Com uma trajetória inspiradora de superação, iniciou sua carreira aos 14 anos trabalhando no almoxarifado e hoje lidera um grupo empresarial que fatura mais de R$ 240 milhões por ano. Sob sua gestão, o Grupo Corrêa não apenas superou uma recuperação judicial em 2016, mas também alcançou a 14ª posição nacional em seu segmento, sendo a única empresa do setor elétrico no ranking. Sua liderança é marcada pela construção de uma cultura organizacional forte e inimitável. Reconhecido pelo Prêmio ANAMACO, considerado o Oscar da Construção Civil Brasileira por dois anos consecutivos, Juliano também é o idealizador do Projeto Inspiração Corrêa, uma iniciativa voltada ao apoio de jovens atletas e empreendedores, demonstrando que o verdadeiro sucesso empresarial está no cuidado com a sociedade.

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