O conceito aberto está chegando ao fim?
O conceito aberto continua relevante, mas já não é uma solução universal. A busca por privacidade, flexibilidade e ambientes adaptáveis está mudando a forma como arquitetos projetam as casas do futuro.

Durante mais de uma década, o conceito aberto foi praticamente uma regra. Derrubar paredes, integrar sala, cozinha e jantar se tornou sinônimo de modernidade, valorização do imóvel e sensação de amplitude.
Mas algo está mudando.
Cada vez mais clientes chegam ao escritório pedindo exatamente o contrário: ambientes que possam ser fechados quando necessário, cozinhas mais reservadas e espaços capazes de oferecer privacidade sem perder a integração.
A pandemia acelerou essa transformação. A casa deixou de ser apenas um lugar para descansar e passou a concentrar trabalho, estudos, lazer, reuniões e momentos de descanso, tudo ao mesmo tempo. Ficou evidente que integrar todos os ambientes nem sempre significa viver melhor.
Hoje, a tendência não é voltar às plantas compartimentadas do passado, mas criar espaços inteligentes e flexíveis. Portas de correr, painéis, divisórias em vidro, estantes e soluções que permitem transformar o ambiente conforme a necessidade estão ganhando força.
A cozinha é um dos melhores exemplos dessa mudança. Durante anos ela foi totalmente aberta para a sala. Agora, muitas famílias querem a possibilidade de escondê-la durante um jantar, reduzir odores ou simplesmente manter a bagunça fora do campo de visão.
O mesmo acontece com home offices, salas de TV e espaços de leitura. O silêncio e a privacidade voltaram a ser considerados um luxo.
Isso não significa que o conceito aberto acabou. Significa que ele deixou de ser uma resposta automática para todos os projetos.
A arquitetura está entrando em uma nova fase, onde o protagonismo deixa de ser a tendência e passa a ser o modo de viver de cada família. Um bom projeto não é aquele que segue modismos, mas aquele que consegue acompanhar a rotina dos moradores por muitos anos.
Talvez o verdadeiro conceito aberto do futuro não seja um espaço sem paredes, mas uma casa que tenha liberdade para se adaptar às diferentes fases da vida.
E você? Se fosse construir hoje, escolheria uma cozinha totalmente integrada ou prefere a possibilidade de fechá-la quando quiser?
Sobre o autor

62 matérias publicadas
Arquiteta e designer, especializada em Arquitetura e Design pelo Politécnico de Milão. Acredito que a arquitetura deve ir além da estética: ela precisa traduzir a identidade, a história e o estilo de vida de quem irá viver cada espaço. Por isso, não acredito em projetos prontos ou soluções replicadas. Cada criação é única, pensada para refletir a essência de cada cliente. À frente da Bruna Pieritz Arquitetura, desenvolvo projetos completos de arquitetura e interiores, unindo estratégia, funcionalidade, sofisticação e atenção aos detalhes para criar ambientes autênticos, atemporais e cheios de significado.
Discussão
0 comentários
Notícias Relacionadas

A Casca e o Alto Padrão: Quando o orçamento estoura ?
O CUB subiu acima da inflação em 2026 — mas o índice mede só a estrutura básica da casa. Esquadrias de alto desempenho, automação, paisagismo, piscina, revestimentos nobres, climatização e claro, mão de obra especializada ficam de fora da conta oficial. Entenda por que o orçamento de uma obra de alto padrão precisa ir muito além do índice, e como planejamento profissional evita que o projeto vire dor de cabeça no meio do caminho.

Seminário ITCON 2025 destaca inovações na construção
Seminário ITCON 2025 em Porto Alegre foca em inovação e IA na construção.