Indústria moveleira busca relevância sustentável
Indústria moveleira brasileira enfrenta desafios para manter competitividade e relevância em um mercado em transformação.

O futuro da indústria moveleira também passa pelas pequenas empresas.
A recente matéria publicada pelo Setor Moveleiro, de autoria de Maic Caneira, traz uma reflexão importante sobre os desafios da competitividade na indústria moveleira brasileira. Como empresário do setor, acredito que essa discussão precisa alcançar também as pequenas fábricas, marcenarias e negócios familiares, que representam uma parte importante da nossa capacidade produtiva.
Mas onde essas empresas se encaixam em um mercado cada vez mais exigente, tecnológico e competitivo? Nem todas possuem recursos para investir em automação, equipamentos modernos ou grandes estruturas comerciais. Entretanto, isso não significa que estejam condenadas a perder espaço. A competitividade também nasce da organização, da especialização, da qualidade, da criatividade e da capacidade de trabalhar em conjunto.
Acredito que um dos caminhos mais promissores seja o associativismo empresarial. Pequenas empresas que hoje enfrentam isoladamente dificuldades semelhantes podem encontrar soluções coletivas. Compartilhar conhecimento, promover capacitação profissional, negociar compras conjuntas de matérias-primas, buscar melhores condições logísticas e desenvolver parcerias produtivas são iniciativas capazes de reduzir custos e aumentar a eficiência.
Precisamos pensar em uma cadeia de compras e produção mais sustentável, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também econômico. Comprar melhor, reduzir desperdícios, aproveitar materiais, compartilhar experiências e fortalecer fornecedores regionais são medidas que podem transformar a realidade de muitos pequenos fabricantes. Em determinados casos, até mesmo o compartilhamento de equipamentos e serviços especializados pode tornar viáveis investimentos que, individualmente, seriam inacessíveis.
Outro ponto fundamental é a qualificação das pessoas. A pequena marcenaria não precisa necessariamente se transformar em uma grande indústria, mas precisa evoluir na gestão, compreender seus custos, valorizar o design, utilizar ferramentas digitais e acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor. Ser pequeno não pode significar permanecer parado no tempo.
Também precisamos superar a ideia de que empresas do mesmo setor são apenas concorrentes. Podemos competir no mercado e, ao mesmo tempo, cooperar naquilo que fortalece a todos. O conhecimento compartilhado não enfraquece uma empresa; ao contrário, pode elevar o nível de toda uma cadeia produtiva.
Vejo nesse cenário uma oportunidade para que associações empresariais, sindicatos, entidades de classe e instituições de apoio ao empreendedorismo assumam um papel ainda mais próximo da realidade dos pequenos fabricantes, criando ambientes de cooperação, inovação e desenvolvimento.
O futuro do setor moveleiro brasileiro não será construído somente pelas grandes indústrias. Ele também dependerá da capacidade de nossas pequenas empresas de se reinventarem, se profissionalizarem e descobrirem que, muitas vezes, crescer juntas é mais inteligente do que tentar sobreviver sozinhas.
Erlon Cimardi
Empresário do setor moveleiro
*Reflexão a partir do artigo “O desafio não é apenas crescer, é continuar relevante”, de Maic Caneira, publicado pelo Setor Moveleiro em 28 de outubro de 2026.
Sobre o autor

29 matérias publicadas
Erlon Cimardi é empresário e gestor de marketing e negócios em Timbó, Santa Catarina. Formado em Administração, com ênfase em Marketing, e especialista em Gestão de Negócios, é cofundador, ao lado de sua esposa, Katia Cilene Cattoni Cimardi, da Só Ombrelones e da Family Pizza Park. Também participou de missões empresariais internacionais, visitando feiras e identificando fornecedores na Itália e na China. Na Só Ombrelones, fabricante de móveis para áreas externas há mais de 15 anos, atua como CEO, liderando a gestão estratégica e operacional, o desenvolvimento de produtos e a expansão comercial. É também sócio da Family Pizza Park, da franquia Brickell Pizzas, localizada no Alles Park, em Pomerode. No Rotary International, é associado ao Rotary Club de Timbó – Pérola do Vale e membro honorário do Rotary Club de Florianópolis Trindade. Foi presidente do Rotary Clube de Timbó Pérola do Vale no ano rotário de 2018–2019 e Governador de Rotary Internacional para o Distrito 4652 em 2022–2023. Ao longo de sua trajetória, exerceu funções ligadas ao desenvolvimento do quadro associativo e à Fundação Rotária, participou da formação de novos clubes de Rotary e contribuiu para iniciativas de fortalecimento e expansão do Rotary Internacional no Brasil. É doador recorrente da Fundação Rotária, que apoia projetos locais e internacionais, e participou de conferências internacionais em Hamburgo/Alemanhã, Melbourne/Austrália e Houston/EUA. Na área de participação cidadã, participou da fundação do Observatório Social de Timbó e foi seu primeiro presidente, entre 2020 e 2022. Contribuiu para a estruturação da entidade e para o acompanhamento da gestão e dos gastos públicos. Sua trajetória reúne empreendedorismo, liderança voluntária e compromisso com o desenvolvimento comunitário.
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