Eleições 2026: Impactos no futuro do empreendedor
Eleições 2026 podem redefinir o ambiente de negócios no Brasil, com propostas que impactam custos e investimentos.

Tributação, relações trabalhistas, crédito, burocracia e equilíbrio fiscal estão no centro de uma eleição que pode produzir efeitos diretos sobre custos, contratações e investimentos das empresas brasileiras.
Para quem empreende no Brasil, uma eleição presidencial não termina nas urnas. As decisões tomadas pelo próximo governo podem chegar ao caixa das empresas por diferentes caminhos: impostos, custo do crédito, regras trabalhistas, burocracia, investimentos públicos e condições gerais da economia.
Esse impacto tende a ser ainda mais relevante para micro e pequenos negócios, que possuem menor margem para absorver aumento de despesas, oscilações econômicas ou mudanças regulatórias.
Por isso, acompanhar a eleição de 2026 também significa entender como os diferentes projetos políticos enxergam questões que fazem parte da rotina empresarial.
A disputa ganhou um novo elemento nas últimas semanas.
Na pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada em 31 de agosto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 39% das intenções de voto no cenário, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 33%, e Augusto Cury (Avante), com 11%. Ronaldo Caiado (PSD) registra 5%, Renan Santos (Missão), 3%, e Romeu Zema (Novo), 1%.
O levantamento ouviu 2.005 eleitores por telefone entre 28 e 30 de agosto, possui margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08900/2026.
Mais importante do que transformar a pesquisa em previsão de resultado, no entanto, é observar o que os projetos apresentados pelos candidatos podem representar para quem produz, emprega e investe no país.
Lula: jornada de trabalho, crédito e maior participação do Estado
Para o empreendedor, um dos principais pontos de atenção relacionados ao projeto defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no mercado de trabalho.
O governo apoia a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta está no centro do debate no Congresso e pode afetar aproximadamente 15 milhões de trabalhadores formais.
Para empresas que dependem de escalas extensas, como restaurantes, supermercados, comércio, hotéis e outros negócios de atendimento contínuo, uma eventual mudança exigiria reorganização de jornadas e equipes.
Isso não significa que o efeito necessariamente será igual para todas as empresas. O impacto dependerá do texto aprovado, das regras de transição e das características de cada setor.
Do ponto de vista econômico, o campo governista também mantém uma estratégia de participação relevante do Estado na indução da economia, inclusive por meio de crédito público e investimentos.
Para pequenas empresas, portanto, há duas dimensões a acompanhar. De um lado, políticas de crédito e estímulo à atividade econômica podem ampliar possibilidades de financiamento e consumo. De outro, mudanças trabalhistas precisam ser observadas pelo potencial de alterar a estrutura de custos de negócios intensivos em mão de obra.
Flávio Bolsonaro: maior liberdade nas relações de trabalho e redução da intervenção estatal
Flávio Bolsonaro apresenta uma abordagem diferente para o mercado de trabalho.
Em meio à discussão sobre o fim da escala 6x1, o candidato passou a defender uma proposta alternativa baseada em maior liberdade para que trabalhadores e empregadores definam jornadas, incluindo a possibilidade de contratação por hora com direitos trabalhistas proporcionais.
A discussão interessa diretamente às empresas porque toca em um dos principais componentes de seus custos: a contratação.
Para determinados negócios, maior flexibilidade pode facilitar a montagem de escalas e permitir contratações adaptadas à demanda. Ao mesmo tempo, qualquer mudança desse porte precisaria estabelecer limites claros para garantir segurança jurídica tanto para empresas quanto para trabalhadores.
A candidatura também se posiciona a favor de uma economia com menor participação estatal e maior liberdade para a iniciativa privada.
Nesse caso, o empreendedor precisa observar principalmente como essas diretrizes seriam transformadas em medidas concretas relacionadas à tributação, burocracia, contas públicas e ambiente regulatório.
Há ainda uma questão que atravessa praticamente todos os projetos econômicos apresentados nesta eleição: a situação fiscal brasileira. Analistas avaliam que a estabilização da dívida continuará sendo um desafio relevante independentemente do vencedor, com possíveis consequências para juros, investimentos e crescimento.
Para as empresas, essa discussão está longe de ser abstrata. Juros elevados tornam financiamentos, capital de giro e investimentos mais caros.
Augusto Cury: capital humano entra no centro da discussão econômica
A principal novidade recente da corrida presidencial é Augusto Cury.
O escritor e psiquiatra chegou a 11% no levantamento BTG/Nexus, depois de registrar 2% em uma rodada anterior da pesquisa, consolidando-se naquele levantamento como o terceiro colocado.
Sua candidatura incorpora ao debate econômico um tema bastante associado à sua trajetória profissional: o capital humano.
Saúde mental, educação e desenvolvimento emocional aparecem com destaque em seu discurso político. Ao mesmo tempo, sua plataforma também procura abordar questões mais tradicionais de governo, como equilíbrio fiscal e organização do Estado.
Para o ambiente empresarial, a discussão sobre saúde mental não é irrelevante. Absenteísmo, afastamentos, rotatividade e perda de produtividade podem representar custos para organizações de diferentes portes.
O desafio está na execução.
Para o pequeno empreendedor, especialmente aquele que trabalha com margens reduzidas, propostas relacionadas ao bem-estar das equipes precisam vir acompanhadas de respostas para questões igualmente imediatas: tributação, crédito, burocracia, custo de contratação e previsibilidade econômica.
Além disso, por se tratar de uma candidatura sem experiência anterior na administração pública, parte importante da análise deverá acompanhar como as ideias apresentadas durante a campanha serão traduzidas em políticas públicas concretas.
O crescimento recente de Cury também precisa ser analisado com cautela. Pesquisas diferentes apresentam percentuais distintos e utilizam metodologias próprias. No levantamento BTG/Nexus ele chegou a 11%, enquanto pesquisa AtlasIntel recente registrou 7,8%.
E os demais candidatos?
A disputa não se resume aos três primeiros colocados.
Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema também procuram ocupar espaço apresentando propostas associadas, em diferentes graus, à responsabilidade fiscal, redução da burocracia, eficiência administrativa e maior participação da iniciativa privada.
Os percentuais também variam conforme instituto, metodologia e composição dos cenários apresentados aos entrevistados. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 31 de agosto, por exemplo, Caiado aparece com 5% no cenário sem Pablo Marçal, Renan Santos registra 3% e Romeu Zema, 1%.
Por isso, não é adequado misturar percentuais de institutos diferentes em um único ranking, como se todos fizessem parte da mesma fotografia eleitoral.
Mais importante para o empreendedor será acompanhar o detalhamento das propostas econômicas desses candidatos ao longo da campanha.
O que o empreendedor deveria acompanhar até a eleição?
Tributação: quanto uma eventual mudança pode aumentar ou reduzir o custo efetivo das empresas?
Relações trabalhistas: haverá mudança na jornada, na escala de trabalho ou nas possibilidades de contratação?
Crédito e juros: quais propostas podem melhorar o acesso a capital de giro e financiamento?
Burocracia: existem medidas concretas para reduzir o tempo e o custo necessários para abrir, regularizar e manter uma empresa?
Responsabilidade fiscal: como cada candidatura pretende equilibrar despesas, arrecadação e dívida pública?
Produtividade: quais medidas podem melhorar infraestrutura, qualificação profissional, tecnologia e eficiência das empresas brasileiras?
São essas perguntas que aproximam a eleição da realidade de quem empreende.
O voto do empreendedor passa pelo caixa, mas não apenas por ele. A eleição de 2026 coloca projetos econômicos diferentes diante do eleitor brasileiro.
Há propostas que ampliam a proteção nas relações de trabalho. Outras priorizam maior liberdade contratual e redução da participação estatal. Também surgem candidaturas tentando incluir temas como saúde mental e desenvolvimento humano na discussão sobre produtividade.
Para o empreendedor, a análise não precisa partir de preferência partidária.
Ela pode começar por algo muito mais objetivo: qual é a proposta, como ela seria implementada, quanto custaria e quais consequências poderia produzir para empresas, trabalhadores e para a economia como um todo?
Também é preciso diferenciar promessa de campanha, proposta legislativa, declaração política e política pública efetivamente estruturada.
Até outubro, pesquisas vão mudar, candidatos poderão rever posições e novas propostas serão apresentadas.
Por isso, mais importante do que escolher quem parece “mais amigo do empreendedor” é acompanhar os projetos com critérios concretos.
Porque uma eleição define quem ocupará a Presidência por quatro anos, mas as decisões tomadas nesse período podem permanecer por muito mais tempo no planejamento, na folha de pagamento e no caixa das empresas brasileiras.
Fontes consultadas
BTG Pactual/Nexus. Pesquisa de intenção de voto para presidente do Brasil, divulgada em 31 de agosto de 2026.
UOL. Cobertura da pesquisa presidencial BTG/Nexus e do debate sobre a escala 6x1.
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Registro oficial de pesquisas eleitorais e candidaturas.
Sobre o autor

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Empreendedor desde jovem, com foco em liderança e empregabilidade, construiu uma carreira sólida passando por grandes nomes do mercado financeiro e de tecnologia — Viacredi, Ailos, Serasa, Banco do Brasil e Mastercard. Ao longo dessa trajetória, especializou-se em gestão de produtos digitais para milhões de usuários, gerando mais de R$ 45 milhões em resultados para as empresas onde atuou. Hoje, usa toda essa expertise para construir seus próprios negócios: um micro SaaS voltado para psicólogos e uma mentoria de carreira especializada em Gen Z e novas gerações — ajudando jovens a navegarem as transformações do mercado de trabalho com uma visão única, prática e atual.. Principais temas que você vai achar aqui: Gestão, Carreira, Novas gerações, IA, RH, Desenvolvimento Humano, Desenvolvimento Organizacional, Recrutamento e Seleção, Pagamentos, Startups, Atualidades e Negócios
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