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Construção Civil

Vidro sustentável terá critérios mais rígidos?

Emenda da ABNT NBR 17296 reforça critérios ESG, rastreabilidade e emissões para vidros planos e pode mudar especificações e compras na construção civil.

Vidro sustentável terá critérios mais rígidos?
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Emenda da ABNT NBR 17296 amplia a base técnica para comprovar desempenho ambiental, social e de governança na cadeia brasileira de vidros planos.

A sustentabilidade aplicada ao vidro plano brasileiro ganhou uma nova camada de padronização. Publicada em 30 de setembro de 2026, uma emenda à ABNT NBR 17296:2026 complementa os critérios utilizados para avaliar práticas ambientais, sociais e de governança na fabricação e no processamento de vidros destinados à construção civil, arquitetura e outras aplicações. A norma havia sido publicada originalmente em 25 de maio deste ano no âmbito do Programa Selo Verde Brasil. Abravidro

A mudança não cria, por si só, uma obrigação geral para todas as vidraçarias, processadoras ou construtoras. O alcance econômico pode, no entanto, ser maior do que parece. Ao estabelecer uma referência técnica para aquilo que pode ser apresentado ao mercado como vidro sustentável, a norma tende a influenciar especificações de obras, compras corporativas, certificações, documentação de fornecedores e critérios utilizados em projetos imobiliários com metas ambientais.

A emenda foi elaborada pelo Comitê Brasileiro de Vidros Planos da ABNT, o ABNT/CB-037, sediado na Abravidro, e passou por Consulta Nacional encerrada em 22 de setembro. Segundo a entidade, o novo texto complementa os requisitos técnicos relacionados aos pilares ambiental, social e de governança aplicáveis à produção e ao processamento do vidro plano. Abravidro

Da sustentabilidade declarada à sustentabilidade comprovada

O ponto central da ABNT NBR 17296 é transformar um conceito frequentemente utilizado de maneira genérica pelo mercado em critérios passíveis de documentação, verificação e rastreabilidade.

A norma abrange vidros float incolores e coloridos, vidros com revestimentos, produtos texturizados e materiais posteriormente processados, entre eles vidros temperados, laminados, insulados, de controle solar e espelhos. Abravidro

Isso amplia o alcance muito além das grandes usinas produtoras.

Uma fachada corporativa, por exemplo, pode envolver uma cadeia formada por fabricante do vidro-base, processador, fabricante do sistema de fachada, empresa de esquadrias, construtora, projetistas e instaladores. Quanto maior a exigência de comprovação da origem e das características ambientais do material, maior tende a ser também a necessidade de organização documental ao longo dessa cadeia.

A própria norma permite que produtos intermediários ou finais que utilizem vidro plano como componente possam declarar conformidade com critérios de sustentabilidade, desde que sejam observadas as regras aplicáveis e que o vidro empregado cumpra os requisitos previstos. Serviços e Informações do Brasil

Carbono entra diretamente na avaliação do vidro

Entre os critérios ambientais publicados pela Abravidro sobre a versão original da norma está a obrigatoriedade de elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa pelas usinas, contemplando emissões diretas — chamadas de Escopo 1 — e emissões indiretas relacionadas à energia adquirida, classificadas como Escopo 2. Abravidro

A NBR 17296 estabeleceu ainda, segundo a associação, um parâmetro máximo de 0,60 tonelada de CO₂ equivalente por tonelada de vidro fundido. Também prevê declaração do percentual de material reciclado empregado e rastreabilidade das matérias-primas recicladas, quando aplicável. Abravidro

Esses requisitos são especialmente relevantes porque a produção primária de vidro depende de processos térmicos intensivos. A discussão sobre sustentabilidade, portanto, deixa de considerar apenas o fato de o vidro poder ser reciclado e passa a incluir a forma como ele foi produzido.

Para construtoras e incorporadoras, a consequência pode aparecer na fase de suprimentos. Dois produtos visualmente semelhantes poderão apresentar documentação ambiental diferente, criando novos critérios de comparação além de preço, espessura, desempenho térmico, acústico ou de segurança.

ESG vai além do consumo de energia

A norma também incorpora exigências relacionadas à governança empresarial.

Entre os pontos apresentados pela Abravidro estão conformidade legal, existência de código de ética, gerenciamento de riscos ESG, rastreabilidade das informações e transparência na comunicação com o mercado. Abravidro

A lógica é reduzir situações em que uma empresa utiliza expressões como “verde”, “ecológico” ou “sustentável” sem oferecer elementos técnicos suficientes para demonstrá-las.

Nesse sentido, a norma funciona como uma infraestrutura de informação: fabricantes precisam documentar processos, processadores precisam preservar a identificação do material e compradores podem passar a exigir evidências mais estruturadas.

Não significa que todo vidro utilizado no País precisará imediatamente atender à NBR 17296. O Programa Selo Verde Brasil foi criado com caráter voluntário, e sua certificação será realizada por terceira parte. Planalto

Auditoria independente aumenta o peso da documentação

Outro elemento importante é a verificação das informações.

De acordo com material técnico publicado pela Abravidro, a conformidade prevista pela norma deve ser verificada por auditorias independentes, baseadas em documentos, certificações e registros capazes de demonstrar atendimento aos requisitos. Essa verificação deverá ocorrer periodicamente, em intervalo máximo de cinco anos. Abravidro

Essa característica pode transformar rastreabilidade em vantagem competitiva.

Empresas que já possuem sistemas estruturados de controle de origem, gestão ambiental e documentação de fornecedores tendem a encontrar menor dificuldade para responder às novas exigências. Para organizações menos estruturadas, poderão surgir custos relacionados a implantação de controles, auditorias, inventários ambientais e gestão documental.

Não há, nas fontes públicas consultadas, uma estimativa consolidada de quanto custará a adequação para fabricantes ou processadores. O impacto dependerá do porte da empresa, do nível de governança já existente e do tipo de certificação pretendida.

Selo Verde Brasil ainda está sendo regulamentado

A NBR 17296 está inserida em uma estratégia mais ampla do governo federal.

O Programa Selo Verde Brasil foi instituído pelo Decreto nº 12.063, de junho de 2024, com o objetivo de criar diretrizes nacionais para normalização e certificação de produtos e serviços considerados sustentáveis. A certificação é voluntária e deverá ser conduzida por organismos de avaliação da conformidade acreditados pelo Inmetro. Planalto

O processo ainda está sendo estruturado.

O Inmetro abriu, em 17 de setembro de 2026, consulta pública sobre os requisitos de avaliação da conformidade do Selo Verde Brasil. O prazo para participação vai até 18 de outubro de 2026. Brasil Participativo

Na prática, portanto, a ABNT define os requisitos técnicos de sustentabilidade para produtos como o vidro, enquanto a regulamentação de avaliação da conformidade deverá estabelecer como a certificação será operacionalizada.

Construção civil pode ser um dos principais vetores

A influência da norma sobre a construção civil tende a ocorrer primeiro em segmentos nos quais documentação ambiental já possui maior peso: edifícios corporativos, empreendimentos com certificação ambiental, obras institucionais, projetos de infraestrutura e construções vinculadas a políticas de redução de emissões.

O vidro está presente em fachadas cortina, coberturas, guarda-corpos, divisórias, esquadrias e grandes superfícies transparentes.

Em fachadas, sua escolha também interfere no desempenho térmico e luminoso do edifício. Entretanto, é importante separar dois conceitos: a NBR 17296 avalia principalmente a sustentabilidade associada ao produto e à sua cadeia produtiva; o desempenho energético de uma edificação depende do projeto arquitetônico, orientação solar, características do vidro, percentual de área envidraçada, sistemas de sombreamento, climatização e outros fatores.

Portanto, um vidro classificado segundo critérios de sustentabilidade não transforma automaticamente um edifício em uma construção eficiente.

Exportação e concorrência também estão no radar

O governo federal apresenta o Selo Verde Brasil como instrumento para ampliar a competitividade dos produtos brasileiros em mercados que exigem comprovação crescente de atributos ambientais. O MDIC afirma que a NBR 17296 busca fortalecer rastreabilidade, credibilidade e capacidade de avaliação do desempenho ESG do vidro produzido no País. Serviços e Informações do Brasil

A iniciativa faz parte de uma estratégia que não está restrita ao vidro.

Outros materiais utilizados amplamente na construção também vêm recebendo normas específicas. Em junho, por exemplo, foi publicada a ABNT NBR 17298:2026, voltada a critérios de sustentabilidade para chapas laminadas de alumínio e suas ligas. Serviços e Informações do Brasil

O movimento indica uma possível mudança no modelo de especificação de materiais: além de características mecânicas, estéticas e de desempenho, informações ambientais verificáveis podem ganhar espaço crescente nos processos de compra.

O desafio será levar a rastreabilidade até a obra

Uma norma técnica pode ser criada rapidamente; consolidar sua aplicação em uma cadeia fragmentada é mais complexo.

Vidros podem passar por diversas empresas entre a saída da usina e a instalação em uma fachada. São cortados, temperados, laminados, insulados, beneficiados e incorporados a esquadrias ou sistemas estruturais.

Preservar informações sobre origem e conformidade ao longo dessas etapas exige processos de controle consistentes.

Isso poderá pressionar fornecedores a digitalizar documentos, integrar sistemas de qualidade e aprimorar identificação de lotes. Para projetistas e construtoras, poderá significar revisar memoriais descritivos, especificações e procedimentos de recebimento de materiais.

Ao mesmo tempo, a padronização pode reduzir assimetria de informação. Compradores passam a ter uma referência comum para comparar alegações ambientais que hoje frequentemente são apresentadas de maneira distinta por diferentes fabricantes.

Informação técnica ganha importância na escolha dos materiais

Diante de normas mais detalhadas e de novas exigências relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade e desempenho dos materiais, construtoras, arquitetos, engenheiros e consumidores devem buscar orientação de empresas com experiência técnica e credibilidade no setor antes de definir especificações ou substituir produtos em um projeto. Empresas especializadas, como a AlloyBR Alumínio, que atua com soluções em alumínio, vidros e sistemas para a construção civil, podem auxiliar no esclarecimento de dúvidas técnicas, na interpretação dos requisitos aplicáveis e na avaliação das soluções mais adequadas para cada obra. A consulta a profissionais qualificados ganha relevância especialmente porque sustentabilidade, segurança e desempenho precisam ser analisados em conjunto, considerando não apenas o material isoladamente, mas sua aplicação e o sistema construtivo no qual será utilizado.

A emenda da ABNT NBR 17296 deve ser vista menos como uma mudança isolada na indústria do vidro e mais como parte de uma transformação na forma como materiais de construção serão avaliados. Preço, segurança e desempenho continuarão fundamentais, mas fatores como emissão de carbono, conteúdo reciclado, rastreabilidade e governança começam a ganhar critérios técnicos verificáveis.

O próximo ponto de atenção será a regulamentação operacional do Selo Verde Brasil pelo Inmetro e a forma como construtoras, incorporadoras, projetistas e compradores passarão a incorporar essas informações nos contratos e especificações. Caso isso aconteça em escala relevante, sustentabilidade poderá deixar de ser apenas atributo institucional e se tornar também um requisito de competitividade na cadeia da construção.

#construção civil#Sustentabilidade#vidro sustentável#ESG#Descarbonização#Selo Verde Brasil#ABNT NBR 17296#vidros planos#arquitetura#fachadas
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Sobre o autor

107 matérias publicadas

Farmacêutico Bioquímico formado na Universidade Federal Santa Catarina (UFSC), pós graduado em Gestão Estratégica de Empresas pela Fundação Dom Cabral (FDC). Atual CFO do grupo ALLOYBR. Atual vice-presidente do Rotary Club de Blumenau-Norte gestão 2026-2027.

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