Dólar AmericanoR$ 5.23▲ 0.70%EuroR$ 5.94▲ 0.63%BitcoinR$ 436817▼ 0.64%Dólar AmericanoR$ 5.23▲ 0.70%EuroR$ 5.94▲ 0.63%BitcoinR$ 436817▼ 0.64%
Empreendedorismo

Os Sócios - Ep.1: Quando a estratégia entra na cozinha

Em 21 dias, a Donuts com Amor, de Blumenau, transformou desafios em oportunidades ao unir estratégia, vendas, marketing e gestão para colocar seu potencial de negócio em movimento.

Os Sócios - Ep.1: Quando a estratégia entra na cozinha
Compartilhar:WhatsApp
Ouvir notícia

Em 21 dias, uma confeitaria de Blumenau virou um laboratório de negócios

A experiência da Donuts com Amor mostra como estratégia, vendas, marketing e gestão podem mudar a rotina de uma pequena empresa e que nem sempre o problema está no produto

O que você faria se tivesse uma confeitaria com capacidade de produção, um produto que já havia conquistado clientes e uma estrutura montada, mas as vendas simplesmente não acompanhassem o potencial do negócio?

Essa era a realidade da Donuts com Amor, de Blumenau (SC).

A empresa, comandada por Raquel, havia passado por momentos de faturamento mais alto, mas entrou em um período de estagnação, com contas acumuladas, estoque sem giro e uma operação trabalhando abaixo da capacidade. O negócio tinha inclusive uma referência financeira clara: R$ 66 mil mensais eram considerados necessários para manter a estabilidade, mas a realidade estava distante desse número.

O curioso é que o problema não parecia estar na masseira.

Ela tinha capacidade.

O problema estava em como transformar capacidade em venda.

Foi nesse cenário que entrou o projeto Os Sócios, liderado por Rafa Silva e parceiros, com uma proposta pouco convencional: assumir uma sociedade temporária com a empresa durante 21 dias e documentar, na prática, o que aconteceria quando estratégia, gestão e execução entrassem no mesmo lugar.

E é justamente aí que a história fica interessante.

O problema não era fazer donuts. Era vender.

Uma das primeiras percepções da equipe foi que havia um problema bastante conhecido entre pequenos negócios: muita energia concentrada na operação e pouca intencionalidade na estratégia comercial.

A empresa produzia.

Mas precisava vender mais.

Também faltavam processos mais estruturados de controle financeiro e uma base organizada de contatos dos clientes. Ou seja, existia produto, existia capacidade e existia uma história para contar mas faltava transformar esses elementos em um sistema comercial.

A primeira resposta foi simples e desconfortável:

ir para a rua vender.

Em vez de começar com uma grande campanha ou uma solução sofisticada, os sócios foram para perto do consumidor, comercializando os donuts diretamente para pedestres.

Era uma forma rápida de testar a receptividade do produto, gerar caixa e, principalmente, sair da lógica de esperar o cliente entrar na loja.

Ao mesmo tempo, a equipe começou a registrar o cotidiano da confeitaria, a produção, os bastidores e as mudanças realizadas no negócio.

A cozinha virou conteúdo.

A operação virou narrativa.

E o negócio começou a aparecer mais.

21 dias para descobrir quais parafusos apertar

No meio da jornada, veio uma etapa ainda mais importante: entender onde realmente estava a alavanca do negócio.

Raquel participou de uma imersão com Manuel e Rafa Silva, em que a discussão deixou de ser apenas sobre vender mais donuts e passou a envolver uma pergunta muito mais empresarial:

qual parafuso precisa ser apertado primeiro?

A resposta passou por vendas, atendimento, marketing e comportamento de gestão.

A lógica era direta: não adianta ter um bom produto se o cliente não chega; não adianta trazer o cliente se o atendimento não converte; e não adianta vender hoje se a empresa não cria mecanismos para fazer esse cliente voltar.

É uma situação familiar para muitos pequenos empresários.

Às vezes, o empreendedor está tão envolvido em produzir, pagar contas, resolver problemas e apagar incêndios que deixa de enxergar o próprio negócio como uma máquina que precisa ser constantemente ajustada.

Marketing deixou de ser postagem e virou movimento

Outro ponto da experiência foi a transformação da comunicação.

A equipe passou a trabalhar com uma frequência de até três conteúdos por dia, mostrando não apenas o produto final, mas também o que acontecia dentro da empresa.

Essa mudança é importante porque transforma o marketing em algo maior do que uma vitrine.

A rotina da confeitaria passou a fazer parte da história.

Quem acompanhava as redes sociais conseguia ver os bastidores, acompanhar a transformação e entender que havia algo acontecendo naquela loja.

E então veio uma ideia para colocar tudo isso no mundo real: um evento pet-friendly, conectado à causa animal e pensado para levar a comunidade até a loja.

Não era simplesmente um evento.

Era uma ação comercial, de relacionamento, posicionamento e conteúdo acontecendo ao mesmo tempo.

Quando a estratégia sai do papel

Na reta final dos 21 dias, a intervenção também chegou ao espaço físico.

A equipe participou diretamente da preparação da loja, incluindo limpeza, pintura e instalação de novos equipamentos, como toldos.

Paralelamente, surgiu outra recomendação importante para a gestão: a adoção de um BPO financeiro, permitindo que a empreendedora reduzisse o tempo dedicado às tarefas burocráticas e pudesse concentrar energia em atividades mais diretamente relacionadas ao crescimento, como produtos, conteúdo, atendimento e vendas.

É um detalhe que parece operacional, mas revela uma questão maior:

o empresário precisa estar fazendo aquilo que somente ele pode fazer?

Quando o dono passa boa parte do dia tentando organizar tarefas financeiras, administrativas ou operacionais que poderiam ser estruturadas de outra maneira, sobra menos tempo para pensar no próximo produto, no cliente e no crescimento.

E então veio o teste de verdade

Depois de diagnóstico, vendas de rua, conteúdo, mentoria, preparação da loja e planejamento, chegou o momento de colocar tudo à prova.

O evento movimentou a confeitaria e gerou mais de R$ 4 mil em faturamento em poucas horas.

O número, isoladamente, já chama atenção.

Mas talvez o mais interessante esteja no que aconteceu depois.

A movimentação de clientes aumentou a ponto de a operação precisar recorrer constantemente a profissionais freelancers para atender à demanda.

Ou seja: a intervenção não criou apenas um pico de vendas.

Ela começou a alterar o ritmo da operação.

O resultado que não aparece no faturamento

Existe ainda uma transformação menos mensurável e talvez uma das mais importantes.

Raquel e Vanessa, que faziam parte da operação, passaram a assumir uma postura mais ativa na comunicação, no atendimento e na produção de conteúdo.

A mudança deixou de depender exclusivamente dos “sócios” que chegaram para os 21 dias.

A equipe começou a incorporar parte daquele comportamento à rotina.

E esse talvez seja um dos maiores desafios de qualquer intervenção empresarial: o que acontece quando o consultor, mentor ou parceiro vai embora?

Se tudo volta ao que era antes, houve apenas uma ação.

Se a empresa muda sua maneira de tomar decisões, vender, comunicar e operar, começa a existir transformação.

Um reality show de negócios mas com problemas reais

É justamente essa perspectiva que dá força à série Os Sócios.

A proposta não é mostrar apenas o antes e depois.

A ideia é acompanhar o processo: os problemas encontrados, as decisões tomadas, os erros, as mudanças na operação e, principalmente, o que acontece depois da intervenção.

No caso da Donuts com Amor, a história começou com uma confeitaria que tinha capacidade produtiva, mas não conseguia transformar essa capacidade em vendas suficientes.

Em 21 dias, a experiência colocou a empresa em movimento.

Não existe fórmula mágica.

Existe diagnóstico, teste, erro, ajuste, venda, conteúdo, atendimento, gestão e execução.

E talvez seja exatamente por isso que a história seja tão próxima da realidade de milhares de pequenos empresários.

Porque, no fim das contas, a pergunta não é apenas “quanto sua empresa vende?”

É quanto potencial existe dentro dela que ainda não está sendo transformado em resultado?

A primeira experiência da série foi registrada integralmente em episódios no YouTube do Rafa Silva (@realrafasilva). O material permite acompanhar a transformação praticamente em tempo real inclusive os momentos em que as decisões precisaram ser tomadas com o negócio funcionando.

E essa é a parte mais interessante da história: não é uma aula sobre empreendedorismo contada depois que tudo deu certo. É o empreendedorismo acontecendo enquanto as decisões ainda precisam ser tomadas.

#Os sócios#empreendedorismo#YouTube#inovação#tiktok#marketing#Donuts#expansão
Compartilhar:WhatsApp

Sobre o autor

328 matérias publicadas

Thiago A. Busarello é cristão. Especialista em negócios, inovação e estratégia, com atuação direta na estruturação, gestão e escala de empresas, combinando experiência prática de mercado com visão orientada a dados, tecnologia e tomada de decisão. Com formação em Administração, MBA em Finanças pela FGV e especializações em ciência de dados, governança e investimento, atua como investidor-anjo, mentor e executivo, apoiando empresas e empreendedores na construção de modelos de negócio mais eficientes, competitivos e preparados para crescer de forma sustentável em um cenário cada vez mais dinâmico.

Discussão

0 comentários

Entre para comentar mais rápido

V

Notícias Relacionadas