O ritmo acelerado da inovação no mercado global
Nem a marca mais valiosa do mundo ficou isenta de acompanhar o mercado. A chegada do iPhone Duo, primeiro dobrável da Apple, anos depois da concorrência e já com relatos de falhas na tela, mostra que adaptar-se ao ritmo das tendências é condição de permanência e que nenhuma empresa está imune a ajustes quando inova.

Durante anos, a Apple observou de fora uma categoria que outras marcas construíram. A Samsung lançou seu primeiro celular dobrável em 2019, e Huawei, Xiaomi e Motorola vieram na sequência. Em 9 de setembro de 2026, a empresa que define tendências no setor entrou finalmente na disputa com o iPhone Duo, seu primeiro aparelho de tela flexível. No Brasil, a prévenda começou em outubro, com preço inicial de R$ 21.999.

Há quem leia o movimento como atraso. A leitura mais útil para o empresário é outra: quando o mercado muda de direção, ninguém fica dispensado de acompanhar. Nem a maior marca do mundo.
O ritmo acelerado da inovação no mercado global
A tecnologia não respeita fronteiras nem porte de empresa. A informação que chega ao consumidor de Nova York chega, no mesmo instante, ao consumidor de Blumenau. Ele compara, pesquisa e exige no mesmo ritmo. A régua de expectativa passou a ser global, mesmo para quem atende apenas a sua cidade.
Um detalhe do lançamento ilustra bem esse cenário: na véspera do anúncio da Apple, fabricantes chinesas anteciparam seus próprios dobráveis. Ninguém quis deixar espaço livre. A janela de vantagem competitiva está cada vez mais curta.
A resposta das grandes marcas às demandas do consumidor
A Apple poderia ter ignorado os dobráveis. Optou por esperar, estudar a experiência da concorrência e entrar quando julgou ter um produto à altura da própria marca. Ainda assim, poucos dias após a chegada às lojas, surgiram relatos de usuários com rachaduras na tela interna, próximas à dobradiça.
O episódio não é exclusividade da Apple. Em 2019, o primeiro dobrável da Samsung enfrentou falhas de tela nas unidades de avaliação e teve o lançamento adiado por meses. A marca corrigiu o projeto, evoluiu geração após geração e hoje é referência na categoria.
Toda tecnologia nova passa por um período de maturação. Testes de laboratório, inspeções de qualidade e protocolos rigorosos reduzem riscos, mas não substituem o que só o uso real revela: milhões de pessoas, em condições diferentes, abrindo e fechando o aparelho dezenas de vezes por dia. Nenhuma marca, por maior que seja, está imune a ajustes quando inaugura uma categoria.
O que diferencia as empresas é a forma como respondem. Transparência com o cliente, agilidade no suporte e correção rápida do processo transformam um problema de lançamento em demonstração de compromisso. Omissão e demora transformam o mesmo problema em crise de reputação.
Ficam, portanto, três lições. Observar antes de agir é estratégia, mas observar sem prazo para agir é imobilidade. Inovar tem custo e risco, porém não inovar custa mais. E quem inova precisa estar preparado para corrigir rota com a mesma velocidade com que lançou.
Inovar para permanecer competitivo no mercado
Para a empresa regional, a lição não está em lançar um produto revolucionário. Está em revisar processos, canais de venda, atendimento e uso de dados com a mesma frequência com que o cliente muda seus hábitos. Comércio digital, inteligência artificial aplicada à gestão, atendimento por mensagens e entrega rápida já não são diferenciais: são o mínimo esperado. O mercado não espera ninguém se preparar.
Quem acompanha o ritmo continua relevante. Quem decide esperar descobre, cedo ou tarde, que o cliente não esperou.
@correamtes
www.correamte.com.br
Sobre o autor

43 matérias publicadas
CEO do Grupo Corrêa, um dos maiores conglomerados do setor elétrico e varejista do Sul do Brasil. Com uma trajetória inspiradora de superação, iniciou sua carreira aos 14 anos trabalhando no almoxarifado e hoje lidera um grupo empresarial que fatura mais de R$ 240 milhões por ano. Sob sua gestão, o Grupo Corrêa não apenas superou uma recuperação judicial em 2016, mas também alcançou a 14ª posição nacional em seu segmento, sendo a única empresa do setor elétrico no ranking. Sua liderança é marcada pela construção de uma cultura organizacional forte e inimitável. Reconhecido pelo Prêmio ANAMACO, considerado o Oscar da Construção Civil Brasileira por dois anos consecutivos, Juliano também é o idealizador do Projeto Inspiração Corrêa, uma iniciativa voltada ao apoio de jovens atletas e empreendedores, demonstrando que o verdadeiro sucesso empresarial está no cuidado com a sociedade.
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