O que vai acontecer com Piçarras em 10 anos?
Estado assume liderança nacional em competitividade enquanto cidades do litoral norte avançam no mercado de alto padrão; movimento pode marcar o início de um novo ciclo de valorização e atração de capital.

Santa Catarina ultrapassa São Paulo e abre um novo mapa de oportunidades para investidores
Liderança em competitividade e avanço do mercado imobiliário de alto padrão revelam uma transformação que pode reposicionar Santa Catarina no cenário nacional e abrir espaço para um novo ciclo de investimentos no litoral norte
Santa Catarina acaba de alcançar um resultado que merece ser analisado para além da disputa entre Estados. Pela primeira vez, o Estado assumiu a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública, ultrapassando São Paulo após 14 anos de liderança paulista. O resultado coloca Santa Catarina no topo de um dos principais indicadores de ambiente econômico e institucional do país e reforça uma transformação que já pode ser percebida no comportamento de empresas, investidores e consumidores de alta renda.
O mais importante, entretanto, não é apenas a primeira colocação. É entender o conjunto de fatores que levou o Estado até ela. Santa Catarina aparece na liderança em capital humano, potencial de mercado, segurança pública e sustentabilidade social e permanece entre os cinco primeiros colocados nos demais pilares avaliados. O desempenho mostra que a competitividade catarinense não depende de um único setor, mas de uma combinação de características que influencia diretamente a capacidade de uma região de atrair empresas, talentos, investimentos e novos moradores.
Esse cenário ganha uma dimensão ainda mais interessante quando colocado lado a lado com outro movimento que vem acontecendo no mercado imobiliário. Balneário Piçarras, no litoral norte catarinense, passou a superar destinos tradicionalmente associados ao mercado de alto padrão, como Itapema e Balneário Camboriú, em indicadores de atratividade imobiliária. O dado chama atenção justamente porque Piçarras ainda não possui a mesma escala ou projeção nacional desses mercados, o que pode indicar que o consumidor de maior poder aquisitivo está começando a enxergar valor em novos endereços.
A combinação desses dois acontecimentos permite uma leitura que vai além do mercado imobiliário. Quando um Estado melhora sua competitividade econômica ao mesmo tempo em que determinadas cidades começam a ganhar força como destinos residenciais e de investimento, cria-se um ambiente favorável para um ciclo de valorização mais amplo. A economia atrai pessoas e empresas, as pessoas aumentam a demanda por moradia e serviços, os investimentos privados melhoram a infraestrutura e a oferta imobiliária e, gradualmente, a região passa a atrair um público ainda mais qualificado.
É assim que mercados imobiliários mudam de patamar.
A história mostra que grandes ciclos de valorização não acontecem simplesmente porque determinado lugar possui uma praia bonita ou porque novos empreendimentos foram lançados. A transformação acontece quando o território passa a oferecer uma combinação suficientemente forte de segurança, infraestrutura, emprego, serviços, mobilidade, qualidade ambiental e perspectiva de crescimento. A partir desse momento, o imóvel deixa de ser apenas uma residência ou uma segunda casa e passa a fazer parte de uma estratégia de formação e preservação de patrimônio.
Santa Catarina possui hoje uma combinação particularmente favorável para esse movimento. O Estado reúne uma economia diversificada, forte atividade industrial, agronegócio, tecnologia, portos, turismo, universidades, capital humano e um litoral que se tornou um dos principais ativos imobiliários do país. O resultado é uma geografia econômica diferente daquela que predominou no Brasil durante boa parte das últimas décadas, quando investimentos e oportunidades estavam concentrados principalmente em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro.
A mudança é especialmente relevante para o litoral norte.
A proximidade entre Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes, Penha, Balneário Piçarras e Barra Velha cria um corredor de desenvolvimento que tende a funcionar cada vez mais como um grande ecossistema econômico e imobiliário. Não se trata necessariamente de escolher qual cidade irá substituir a outra, mas de compreender que o crescimento de uma região pode fortalecer todo o conjunto. Empresas, profissionais, turistas, investidores e moradores passam a circular entre esses municípios, criando uma demanda crescente por diferentes tipos de serviços e produtos imobiliários.
Nesse novo cenário, Balneário Piçarras apresenta uma característica que pode ser decisiva: ainda existe espaço para crescimento.
Mercados já consolidados naturalmente oferecem maior previsibilidade, mas também carregam preços que incorporam grande parte de sua valorização histórica. Em mercados que estão entrando em um novo ciclo, existe a possibilidade de encontrar uma relação diferente entre preço atual e potencial futuro. Isso não significa que toda propriedade irá se valorizar da mesma maneira, mas significa que a escolha do território passa a ser tão importante quanto a escolha do próprio imóvel.
É justamente nesse ponto que o mercado de alto padrão começa a mudar.
O novo consumidor de luxo não procura necessariamente o endereço mais famoso. Ele procura aquilo que o endereço proporciona. Segurança, privacidade, contato com a natureza, boa gastronomia, experiências, mobilidade, serviços, arquitetura, exclusividade e qualidade de vida passaram a ocupar um espaço cada vez maior na decisão de compra. Para esse público, o valor de um imóvel está relacionado não apenas à metragem ou ao número de vagas, mas à experiência de vida que aquele patrimônio consegue proporcionar.
Essa transformação favorece cidades que conseguem oferecer uma experiência diferenciada sem necessariamente reproduzir o modelo das grandes metrópoles.
E existe ainda uma dimensão internacional que merece ser considerada.
Santa Catarina é muito conhecida dentro do Brasil, mas ainda possui um potencial significativo para ampliar sua presença no mercado global. O Estado reúne atributos que são facilmente compreendidos por investidores estrangeiros: segurança, qualidade de vida, infraestrutura, economia diversificada, litoral, turismo e um mercado imobiliário sofisticado em expansão. Se esses diferenciais forem acompanhados por maior conectividade internacional, qualificação dos serviços, infraestrutura urbana e uma estratégia consistente de posicionamento, Santa Catarina poderá deixar de ser apenas um destino nacional de alto padrão e começar a disputar atenção com outros mercados internacionais de qualidade de vida.
Essa transformação, no entanto, não acontecerá de um dia para o outro.
O desenvolvimento de um território é um processo de décadas. O ranking de competitividade é uma fotografia do momento, assim como os indicadores imobiliários representam o comportamento atual do mercado. O que realmente importa é observar a direção. E, neste momento, os sinais apontam para um Estado que está aumentando sua capacidade de atrair capital, empresas e pessoas enquanto algumas de suas cidades começam a capturar uma parcela maior da demanda por imóveis de alto padrão.
Se essa trajetória continuar pelos próximos dez ou vinte anos, o impacto poderá ser muito maior do que a valorização imobiliária. A chegada de famílias com maior poder aquisitivo tende a estimular novos restaurantes, escolas, clínicas, hotéis, serviços especializados, experiências de lazer e negócios. A expansão desses setores gera empregos, aumenta a arrecadação e melhora a oferta urbana, criando novamente condições para atrair novos moradores e investimentos.
É um ciclo de desenvolvimento que pode se retroalimentar.
Por isso, talvez seja cedo para afirmar que Santa Catarina está apenas vivendo uma boa fase. O que os indicadores começam a mostrar é a possibilidade de uma mudança estrutural na posição do Estado dentro da economia brasileira.
A liderança sobre São Paulo representa o reconhecimento de uma competitividade que foi construída ao longo de anos. A ascensão de Balneário Piçarras representa, por outro lado, a possibilidade de que o próximo ciclo de valorização não fique restrito aos mercados imobiliários já consolidados.
O capital procura eficiência, segurança e oportunidade. Pessoas procuram qualidade de vida. Empresas procuram ambientes competitivos. E o mercado imobiliário procura regiões onde essas três forças possam se encontrar.
Santa Catarina começa a reunir essas condições de maneira particularmente forte.
O próximo capítulo dessa história poderá ser escrito no litoral norte, onde cidades que até pouco tempo atrás eram vistas principalmente como destinos turísticos começam a assumir um papel mais sofisticado dentro da economia regional. Balneário Piçarras é um dos exemplos mais claros desse movimento, mas o fenômeno pode ser muito maior do que uma única cidade.
O que está surgindo é um novo eixo de desenvolvimento, no qual economia, turismo, qualidade de vida e patrimônio passam a fazer parte da mesma equação.
Para investidores, a pergunta deixa de ser apenas quanto vale o metro quadrado hoje. A questão mais relevante passa a ser quanto valor ainda pode ser incorporado por aquele território nos próximos 10, 20 ou 30 anos.
E essa mudança de perspectiva é justamente onde começam as grandes oportunidades.
Santa Catarina já conquistou a liderança nacional em competitividade. Agora, o desafio será transformar essa vantagem em desenvolvimento sustentável, atrair cada vez mais capital e projetar seus principais destinos para além das fronteiras brasileiras. Se conseguir fazer isso, o Estado poderá entrar em uma nova fase de sua história econômica, na qual qualidade de vida, negócios e patrimônio estarão cada vez mais conectados.
O mercado imobiliário do litoral norte pode ser um dos grandes beneficiários desse processo.
E talvez o que hoje parece apenas a ascensão de novas cidades nos rankings seja, na realidade, o início de uma mudança muito maior: a construção de um novo mapa de valor no Brasil, com Santa Catarina ocupando uma posição central nessa transformação.
Sobre o autor

38 matérias publicadas
Especialista em estratégia comercial, posicionamento e inovação no mercado imobiliário, com atuação destacada no litoral norte de Santa Catarina. Gestor comercial da Planolar by New Plan construtora e Incorporadora, desenvolve projetos e narrativas que conectam mercado, experiência, investidores e valorização urbana. Com olhar voltado para tendências, comportamento de consumo e construção de autoridade no setor, tornou-se referência na criação de estratégias comerciais e experiências imobiliárias de alto impacto. Sua atuação integra marketing, vendas, branding e inteligência de mercado aplicados ao universo da construção civil e incorporação. Nesta coluna, traremos análises sobre investimentos, expansão urbana, turismo, luxo, inovação e os movimentos que estão redefinindo a forma de morar, investir e viver no litoral catarinense e no mercado imobiliário brasileiro.
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