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O poder do otimismo sobre a saúde, a vida e os negócios

Pessoas otimistas podem viver até 15% mais e apresentar risco cardiovascular 35% menor, segundo pesquisas científicas. Os estudos também associam o otimismo a uma postura mais ativa diante das adversidades, com implicações para a vida profissional. Na nova coluna do Empreenda News, exploro a relação entre otimismo, saúde, longevidade e prosperidade.

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O otimismo ocupa um espaço interessante no estudo do comportamento humano. Durante muito tempo, foi tratado predominantemente como uma característica de personalidade, associada ao bom humor e à maneira positiva de interpretar os acontecimentos. Entretanto, pesquisas desenvolvidas nas últimas décadas passaram a investigar suas relações com a saúde física, a longevidade, a capacidade de enfrentar adversidades e até mesmo o desempenho profissional. Na psicologia, o otimismo disposicional é compreendido como a expectativa generalizada de que resultados favoráveis possam acontecer no futuro. Essa expectativa influencia a maneira como as pessoas interpretam dificuldades, administram suas emoções e mobilizam recursos diante dos desafios cotidianos. Em uma sociedade marcada pela exposição permanente a conflitos, informações negativas e incertezas, compreender esse fenômeno tornou-se especialmente relevante.

Os resultados científicos ajudam a dimensionar essa importância. Um estudo publicado em 2019 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), com dados de duas grandes populações americanas, identificou que indivíduos com níveis mais elevados de otimismo apresentavam longevidade entre 11% e 15% maior, além de maior probabilidade de alcançar os 85 anos. No mesmo ano, uma metanálise publicada no JAMA Network Open, reunindo 15 estudos e mais de 229 mil participantes, encontrou associação entre otimismo e risco 35% menor de eventos cardiovasculares, além de uma redução relativa de 14% na mortalidade por todas as causas. Embora esses resultados não permitam afirmar que o otimismo, isoladamente, seja responsável por tais benefícios, eles reforçam a hipótese de que nossas expectativas sobre o futuro estão relacionadas a comportamentos, respostas ao estresse e condições que influenciam a qualidade de vida.

No ambiente empresarial, essa relação ganha outras dimensões. Uma revisão científica publicada em 2006 na revista Personality and Social Psychology Review, conduzida pelas pesquisadoras Lise Solberg Nes e Suzanne C. Segerstrom, envolvendo 50 estudos e mais de 11 mil participantes, identificou que pessoas otimistas apresentam maior tendência a utilizar estratégias ativas para enfrentar situações adversas, mobilizando esforços para solucionar problemas e administrar circunstâncias desfavoráveis. Essa disposição possui implicações importantes para a vida profissional, especialmente em ambientes que exigem persistência, adaptação e capacidade de decisão. O empreendedorismo, por exemplo, pressupõe algum grau de confiança em resultados futuros, uma vez que investir recursos, contratar pessoas e desenvolver novos negócios envolve tomar decisões cujos benefícios ainda não se concretizaram. Evidentemente, o otimismo excessivo pode favorecer avaliações equivocadas de riscos. Por isso, sua contribuição mais consistente está na combinação entre expectativas favoráveis, pensamento crítico, planejamento e capacidade de execução. A prosperidade econômica não decorre automaticamente de uma visão positiva da vida, mas pode encontrar nessa disposição comportamental condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento.

Existe, por fim, uma dimensão humana que merece atenção. Nossa qualidade de vida é influenciada por aquilo que fazemos diariamente, pelas relações que cultivamos, pelos cuidados com a saúde e pela maneira como administramos nossas expectativas. Em tempos de intensa exposição a discursos pessimistas, exercitar o otimismo pode representar uma escolha consciente sobre onde concentramos nossa atenção e como respondemos às circunstâncias. Particularmente, considero importante preservar a capacidade de reconhecer aquilo que funciona, valorizar pequenas conquistas e acreditar na possibilidade de construir cenários melhores. Essa disposição pode contribuir para relações mais saudáveis, ambientes profissionais mais construtivos e uma experiência de vida mais satisfatória. Afinal, quando pensamos em prosperidade, faz sentido considerar também a saúde, a tranquilidade, a realização pessoal e a liberdade de viver bem. Sob essa perspectiva, o otimismo merece ser compreendido como um componente relevante do bem-estar humano, com implicações que ultrapassam a esfera individual e alcançam também a maneira como trabalhamos, lideramos e construímos nossos negócios.

O que os colunistas dizem

1 reação sobre essa matéria

Erlon Cimardi
Erlon CimardiColunista
A favor

Excelente reflexão. O otimismo não significa ignorar as dificuldades, mas acreditar que ainda é possível encontrar caminhos e construir uma vida melhor, mesmo diante dos desafios. Principalmentepenso que depois dos 50 anos, cuidar da saúde mental torna-se especialmente importante: cultivar relações, manter hábitos saudáveis, encontrar propósito e pedir ajuda quando necessário também são formas de cuidar da saúde.

Blumenau – SC
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Sobre o autor

38 matérias publicadas

Pai do Pedro e da Eva; Fundador da Elevion Consultoria; Diretor de Negócios da Rede de Franquias Animal Farma. Consultor e Conselheiro Empresarial.

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