O boom da construção em SC: o que sustenta os arranha-céus
Santa Catarina tem os prédios mais altos da América Latina e um boom na construção. O que sustenta esse crescimento e o que preocupa na leitura da Corrêa.

Quando olho para a orla de Balneário Camboriú, vejo mais do que uma paisagem bonita. Vejo um retrato de para onde Santa Catarina caminha. O Conselho de Prédios Altos e Habitat Urbano (CTBUH) já classifica a cidade como a mais alta da América do Sul, e não faltou quem a apelidasse de “Dubai do Brasil”. Para quem, como nós, nasceu e opera neste estado, esse skyline é motivo de orgulho e de atenção.
O tamanho do fenômeno
Os números impressionam. O One Tower, com 290 metros, é hoje o maior arranha-céu residencial da América Latina. E a ambição não para: o Senna Tower, projetado para passar de 540 metros e se tornar o edifício residencial mais alto do mundo, com Valor Geral de Vendas estimado em cerca de R$ 8,5 bilhões, quer se tornar o edifício residencial mais alto do mundo. Balneário Camboriú já figura entre os municípios mais verticalizados do país, mais da metade da população mora em apartamentos.
Mas o boom não cabe mais numa cidade só. A saturação de Balneário Camboriú provocou um “transbordamento imobiliário” para as cidades vizinhas: em Itapema, a construção civil já responde por 35,44% dos empregos formais do município, contra uma média estadual de 5,51%, e Porto Belo viu as vagas do setor saltarem 20,8% em 2025. O volume de novas obras nessas duas cidades já se aproxima do de Joinville, a maior do estado.
O que sustenta as torres
Atrás de cada uma dessas fachadas de vidro existe uma cadeia inteira. A cadeia da construção civil responde perto de 5,8% do PIB brasileiro e puxa junto setores como cimento, aço, cerâmica, madeira e sistemas elétricos. Uma torre de 200 metros é, nos bastidores, quilômetros de fiação, metros e metros de tubulação hidráulica, quadros elétricos, acabamento.
É desse ângulo o de quem acompanha de perto a demanda por materiais elétricos, hidráulicos, casa e de construção que enxergo o fenômeno. Não como quem vende, mas como quem lê o mercado: quando o litoral catarinense sobe, a cadeia que o abastece sobe junto.
O que também preocupa
Seria fácil escrever só a parte bonita. Mas leitura honesta inclui os freios. A FIESC projeta para a construção civil de Santa Catarina um crescimento de 1,94% em 2026 um avanço, mas moderado, puxado para baixo pela taxa de juros elevada e pela restrição no crédito imobiliário. Some-se a isso o custo: em janeiro de 2026, o metro quadrado da construção em SC chegou a R$ 2.169,50, segundo o IBGE, o mais alto do país.
E há o gargalo que menos aparece nas fotos: gente. Com o estado praticamente em pleno emprego, falta mão de obra qualificada, e a pressão sobre insumos como cimento, PVC e tintas encarece cada obra. O boom é real mas não é sem atrito.
O que levar disso
O litoral catarinense provou que dá para construir alto longe do eixo Rio São Paulo. É a mesma lição que carrego para a nossa operação: competência não tem CEP. Ao mesmo tempo, o cenário lembra que crescimento não se sustenta só no entusiasmo se sustenta em produtividade, controle de custo e leitura de mercado.
Santa Catarina segue subindo. E, como sempre, prefiro acompanhar esse movimento de perto, com os pés no chão e o olho no horizonte que, aqui, está cada vez mais alto.
Corrêa, elétricos, hidráulicos, casa e construção.
Rede social @correamtes
Site: www.correamte.com.br
Sobre o autor

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CEO do Grupo Corrêa, um dos maiores conglomerados do setor elétrico e varejista do Sul do Brasil. Com uma trajetória inspiradora de superação, iniciou sua carreira aos 14 anos trabalhando no almoxarifado e hoje lidera um grupo empresarial que fatura mais de R$ 240 milhões por ano. Sob sua gestão, o Grupo Corrêa não apenas superou uma recuperação judicial em 2016, mas também alcançou a 14ª posição nacional em seu segmento, sendo a única empresa do setor elétrico no ranking. Sua liderança é marcada pela construção de uma cultura organizacional forte e inimitável. Reconhecido pelo Prêmio ANAMACO, considerado o Oscar da Construção Civil Brasileira por dois anos consecutivos, Juliano também é o idealizador do Projeto Inspiração Corrêa, uma iniciativa voltada ao apoio de jovens atletas e empreendedores, demonstrando que o verdadeiro sucesso empresarial está no cuidado com a sociedade.
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