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Naming rights num hackathon: por que uma consultoria de cloud apostou num evento de IA em Blumenau

Num mercado onde o Brasil vai movimentar US$ 4,2 bilhões em inteligência artificial em 2026, a DATI decidiu que seu lugar não é um congresso corporativo — é um hackathon de 48 horas no Centro de Inovação de Blumenau. A história por trás do naming rights no HackIA.SC e o que ela revela sobre como consultorias B2B estão disputando posição no ecossistema de IA.

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Num mercado em que o Brasil vai movimentar US$ 4,2 bilhões em inteligência artificial só em 2026, a DATI decidiu que o lugar certo para marcar posição não é um congresso corporativo — é um hackathon de 52 horas num centro de inovação no interior de Santa Catarina.

Existe uma lógica muito específica por trás da decisão de uma empresa colocar seu nome num evento. Quando é um banco patrocinando um estádio de futebol, a conta é simples: audiência de massa, visibilidade de marca, retorno mensurável em pesquisa de lembrança. Quando é uma consultoria B2B especializada em cloud e AWS patrocinando na cota de naming rights o primeiro hackathon de inteligência artificial de Blumenau, a conta é diferente — e mais interessante.

A DATI, empresa com mais de 90 colaboradores que saiu de uma sala com cinco pessoas para se tornar AWS Advanced Partner e MSP certificada, vai emprestar seu nome ao HackIA.SC. O evento acontece entre os dias 29 e 31 de maio no Centro de Inovação de Blumenau, o CIB — a mesma casa onde o Instituto Gene incuba startups há 30 anos e que se consolidou como um dos endereços de referência do ecossistema tech do Vale do Itajaí. Não é um patrocínio de visibilidade. É uma declaração de pertencimento.

"Mais do que apoiar um evento, enxergamos o hackathon como um espaço de troca, construção prática e incentivo à inovação aplicada", diz Camila , sócia e diretora de startups da DATI.

A frase poderia soar como release corporativo. Mas a trajetória dela dentro da empresa dá substância ao que diz:

Camila entrou na DATI quando a empresa era pequena o suficiente para caber em uma sala. Acompanhou cada contratação, cada virada de modelo, cada expansão de portfólio. Hoje, como sócia, ela transita entre o universo técnico — cloud, dados, IA — e o ecossistema de startups e inovação de Santa Catarina, onde construiu uma rede de relacionamentos que vai muito além da carteira de clientes. Em um setor onde mulheres em posição de liderança estratégica ainda são exceção, ela aprendeu, como diz, a se posicionar com firmeza — trazendo contexto, dados e uma percepção de mercado que combina visão de negócio com sensibilidade para o que está emergindo no ecossistema. "Uma orientação, uma conexão, uma percepção de mercado geram tanto valor quanto a própria solução técnica", afirma.

Esse olhar não é retórica. Ele explica por que a DATI não apenas escreveu um cheque, mas escalou dois de seus profissionais para atuar como mentores dentro do hackathon — sentados à mesa com os times, orientando arquitetura, questionando premissas, ajudando a transformar uma ideia de 52 horas em algo que não morra na segunda-feira.


O tamanho do mercado que está em jogo ajuda a entender a urgência por trás da jogada. Segundo a IDC, a implementação de inteligência artificial em software, serviços e infraestrutura por empresas deve chegar a US$ 3,4 bilhões em 2026 no Brasil, um crescimento acima de 30% em relação ao ano anterior. Na América Latina, o Brasil responde por 41,7% de todo o gasto regional em IA — o equivalente a US$ 4,2 bilhões de um mercado de US$ 10 bilhões previstos para este ano. A projeção da consultoria é de que os gastos regionais com IA cresçam 3,8 vezes entre 2025 e 2029, com CAGR de 39,7% no período. Mobile Time + 2

Esse volume de dinheiro e atenção não chega ao mercado de forma uniforme. Ele exige intermediários competentes — empresas que saibam traduzir IA generativa em ganho operacional real, que entendam de governança de dados, que consigam modernizar aplicações legadas sem parar operações críticas. É exatamente o que consultorias como a DATI vendem. E é por isso que a corrida por posicionamento no ecossistema de inovação deixou de ser iniciativa de relações públicas para se tornar estratégia comercial.

No Vale do Itajaí, esse cenário tem uma textura própria. A arrecadação de ISS da tecnologia em Blumenau cresceu mais de 1.000% em cinco anos, alcançando patamares que transformaram o setor de promessa em base concreta de receita municipal. As empresas que atuam no segmento em Blumenau formam uma parcela significativa do total de 7,2 mil negócios de tecnologia existentes no Vale do Itajaí. O CIB — que vai sediar o HackIA.SC — é uma das âncoras institucionais desse movimento, reunindo incubadoras, empresas em aceleração e uma rede de eventos que cresce a cada ano. Exame | ACATE

Mas maturidade de ecossistema não significa que os problemas estão resolvidos. Na avaliação da DATI, o Vale avançou na adoção de infraestrutura de cloud e, mais recentemente, na pauta de IA generativa. O gargalo agora está na camada seguinte: governança de dados, modernização de aplicações legadas e, principalmente, na capacidade de transformar experimentos de IA em ganho real e mensurável de produtividade. Muitas empresas da região já entenderam o potencial — o desafio é escalar isso com eficiência, segurança e visão de longo prazo. É exatamente aí que uma consultoria AI first tem mercado.


A escolha do naming rights como cota de patrocínio merece uma leitura mais atenta do que pode parecer à primeira vista. Para uma empresa B2B cujos clientes chegam por indicação, reputação e relacionamento — não por anúncio —, o retorno de um evento como o HackIA.SC não está nos impressos ou nos banners. Está em três lugares muito mais estratégicos.

O primeiro é o talento. Hackathons reúnem exatamente o perfil de profissional que consultorias tech disputam com ferocidade: pessoas que constroem sob pressão, que pensam em produto e em negócio ao mesmo tempo, que colaboram e entregam. Ver um time funcionar durante 52 horas é um processo seletivo disfarçado de evento — e as empresas que patrocinam sabem disso.

O segundo é o posicionamento de mercado. Num setor onde todo mundo se declara "especialista em IA", estar dentro de um hackathon de IA — com mentores reais, com skin in the game — é uma diferenciação concreta. Não é slide de pitch. É presença.

O terceiro é mais sutil, mas talvez seja o mais importante para Camila: é a construção de um ecossistema que funcione para todo mundo. "Hackathons reúnem pessoas que já têm um perfil muito alinhado ao que buscamos: gente inquieta, prática, colaborativa e interessada em construir soluções novas", diz ela. "Participar desses ambientes nos ajuda a acompanhar tendências, entender como o mercado está evoluindo e trocar experiências com empresas, profissionais e estudantes."

O que a DATI espera encontrar nas mesas do HackIA.SC não é necessariamente o projeto mais sofisticado tecnicamente. É o time que consegue juntar visão de negócio, criatividade e capacidade de execução — e que usa IA de forma estratégica, não decorativa. Nessa distinção está, aliás, boa parte do que separa empresas que realmente se transformam com IA das que apenas incluem o termo no deck de investidores.


O HackIA.SC começa em 29 de maio, com premiações de até R$ 6.000. A DATI estará no nome do evento, nas mesas de mentoria e, provavelmente, observando com atenção quem vai se destacar nos três dias de competição no CIB.

Num mercado onde o Brasil vai dobrar seus gastos em IA em quatro anos, a pergunta não é se esse tipo de investimento faz sentido para uma consultoria que se posiciona como AI first. A pergunta é por que mais empresas ainda não chegaram à mesma conclusão.

#HackIA SC#Blumenau#Dati#inteligência artificial#Hackathon
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