Jovens perdem espaço em startups de tecnologia
Participação societária para jovens em startups cai enquanto investimentos focam em IA.

Nos últimos anos, jovens profissionais estão encontrando menos oportunidades para obter participação societária em startups, uma prática tradicionalmente vantajosa para acumular patrimônio. A Altshare, empresa especializada em gestão de participação societária, revelou que a concessão de ações para funcionários com menos de 30 anos caiu de 8% para 3% recentemente, com base em dados de mais de 3 mil empresas privadas.
Essa tendência reflete uma mudança no mercado, onde os investimentos de venture capital estão cada vez mais concentrados em setores como inteligência artificial e cibersegurança. A concentração dos investimentos em menos pessoas também se deve ao aumento de startups fundadas por um único empreendedor.
Ronen Solomon, CEO da Altshare, destacou que os jovens não estão perdendo participações já adquiridas, mas sim enfrentando menos oportunidades de ingressar em cargos que oferecem esses benefícios. "Os trabalhadores jovens não estão exatamente sendo excluídos dos ganhos futuros; eles simplesmente não estão conseguindo ocupar, desde o início, os cargos que dão acesso a esses ganhos", afirmou Solomon.
Um estudo do Digital Economy Lab da Universidade Stanford corrobora essa tendência, mostrando que o emprego em áreas técnicas para jovens entre 22 e 25 anos caiu 13% após a disseminação da inteligência artificial, enquanto o número de profissionais acima de 30 anos cresceu.
O capital de risco está majoritariamente direcionado para o setor de inteligência artificial. No primeiro trimestre de 2026, mais de 60% do venture capital captado foi para empresas desse segmento, com avaliações significativamente mais altas que empresas de outros setores.
As startups também estão sendo fundadas por equipes menores. A Altshare relatou que startups com apenas um fundador representaram cerca de um quarto das novas empresas em 2025. Isso reflete um mercado onde fundadores estão preservando mais participação, enquanto menos funcionários têm acesso a ações.
O impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho ainda é debatido. Enquanto alguns apontam a IA como responsável pela substituição de empregos de entrada, outros, como Torsten Slok, economista-chefe da Apollo Global Management, acreditam que a cautela no mercado de trabalho é um fator mais relevante.
Para trabalhadores jovens, a diminuição nas contratações significa menos acesso a participação societária, uma mudança importante no cenário das startups. Apesar disso, eventos de liquidez, como IPOs, estão se recuperando, trazendo novas oportunidades de retorno para investidores.
Sobre o autor

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Thiago A. Busarello é cristão. Especialista em negócios, inovação e estratégia, com atuação direta na estruturação, gestão e escala de empresas, combinando experiência prática de mercado com visão orientada a dados, tecnologia e tomada de decisão. Com formação em Administração, MBA em Finanças pela FGV e especializações em ciência de dados, governança e investimento, atua como investidor-anjo, mentor e executivo, apoiando empresas e empreendedores na construção de modelos de negócio mais eficientes, competitivos e preparados para crescer de forma sustentável em um cenário cada vez mais dinâmico.
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