iFood investe R$ 24 bilhões para ir além do delivery
Com nova solução logística, inteligência artificial e serviços financeiros, empresa quer atender diferentes setores do varejo e permitir entregas de compras realizadas fora do aplicativo

Com nova solução logística, inteligência artificial e serviços financeiros, empresa quer atender diferentes setores do varejo e permitir entregas de compras realizadas fora do aplicativo
O iFood anunciou um investimento de R$ 24 bilhões no Brasil até março de 2027. O valor representa um crescimento de 41% em relação ao ciclo anterior e marca uma nova fase da empresa, que pretende ampliar sua atuação para além das entregas de refeições.
A estratégia foi apresentada durante o iFood Move 2026, realizado em São Paulo. Os recursos serão direcionados principalmente à tecnologia, inteligência artificial, serviços financeiros, benefícios corporativos e expansão das entregas para supermercados, farmácias, pet shops e outros segmentos do varejo.
Uma das principais novidades é o Envios iFood. O serviço permite que estabelecimentos utilizem a rede logística da plataforma para entregar compras feitas em seus próprios sites, aplicativos, lojas físicas ou outros canais de venda. Dessa forma, o iFood poderá participar apenas da entrega, mesmo quando a venda não acontecer dentro do seu aplicativo.
Na prática, uma loja poderá vender um tênis, medicamento, eletrônico ou produto de beleza diretamente ao consumidor e acionar a rede de entregadores do iFood. A proposta é oferecer entregas rápidas para pequenos e médios negócios que não possuem estrutura logística própria.
Em aproximadamente um mês e meio de operação, o Envios iFood realizou 500 mil entregas. A expectativa da empresa é alcançar 1 milhão de entregas no mês seguinte. Uma parceria com a Nuvemshop, plataforma utilizada por mais de 180 mil marcas, deverá facilitar o acesso dos lojistas ao novo serviço.
O modelo será baseado principalmente no chamado ship from store, no qual o produto sai diretamente de uma loja física próxima ao consumidor. Inicialmente, a operação está concentrada em pacotes menores transportados por motocicletas, mas o iFood pretende incorporar outros veículos conforme avançar sobre novas categorias.
A expansão também poderá aumentar o número de corridas disponíveis ao longo do dia. Atualmente, boa parte da demanda por comida está concentrada nos horários de almoço e jantar. Com entregas de roupas, medicamentos e eletrônicos, a empresa estima que os ganhos dos entregadores possam crescer até 20%. O percentual, porém, é uma projeção do iFood e dependerá da escala alcançada pelo serviço.
Dos R$ 24 bilhões anunciados, mais de R$ 2 bilhões serão destinados a tecnologia e inteligência artificial. Entre os projetos está o desenvolvimento de um modelo próprio voltado ao comércio e de um assistente capaz de ajudar restaurantes a administrar suas operações por meio de conversas e dados do próprio negócio.
O braço financeiro também terá papel importante. O iFood Pago receberá R$ 5 bilhões e deverá ampliar a oferta de crédito para restaurantes e consumidores. Já o iFood Benefícios, que atende o mercado corporativo, contará com investimentos de R$ 1 bilhão nos próximos 12 meses.
A companhia também projeta crescimento superior a 60% nas operações com supermercados, acima de 70% em farmácias e superior a 100% nos segmentos de pet shops, bebidas, conveniência e presentes. Segundo o CEO Diego Barreto, os negócios que não envolvem restaurantes poderão representar cerca de 40% das receitas e dos resultados da empresa até o final de 2026.
Atualmente, o iFood conecta aproximadamente 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos e 600 mil entregadores em mais de 2 mil cidades. A plataforma supera 180 milhões de pedidos mensais e movimentou R$ 167 bilhões na economia brasileira em 2025, segundo levantamento da Fipe.
O movimento mostra que a empresa não quer mais ser reconhecida somente como um aplicativo de delivery. Ao abrir sua infraestrutura para outros setores, o iFood passa a disputar espaço nos mercados de logística urbana, comércio digital, crédito, benefícios e inteligência artificial, em um momento de maior concorrência com plataformas como 99Food, Keeta e Rappi.
Fontes: Reuters, Exame e Folha/C-Level.
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