Fim da jornada 6x1 vira pressão econômica e política no Sul
Debate sobre o fim da jornada 6x1 ganha força no Sul do Brasil. Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federasul, alerta para impactos econômicos e aumento da informalidade.

Rodrigo Sousa Costa alerta para impacto da proposta nas famílias, empresas e empregos
A discussão sobre o fim da jornada 6x1 deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e passou a mobilizar lideranças empresariais, prefeitos e entidades do setor produtivo. Durante evento promovido pela Federasul, em Porto Alegre, o presidente da entidade, Rodrigo Sousa Costa, defendeu um debate técnico sobre a proposta e alertou para os riscos econômicos da mudança sem planejamento.
O encontro reuniu empresários e lideranças públicas para discutir os impactos da redução da carga horária no setor privado e na máquina pública. O debate ganhou força após o avanço de propostas no Congresso Nacional que pretendem reduzir a jornada semanal de trabalho no Brasil.
Rodrigo Sousa Costa critica redução sem ajuste econômico
Durante o painel, Rodrigo Sousa Costa afirmou que a redução da carga horária sem mudanças estruturais pode aumentar a informalidade e pressionar ainda mais o orçamento das famílias brasileiras.
Segundo o presidente da Federasul, enviar o trabalhador para casa com menos capacidade de renda não resolve o problema econômico do país. A entidade defende como alternativa a desoneração da folha de pagamento para aumentar o salário líquido e estimular o consumo sem ampliar custos operacionais das empresas.
A fala coloca a Federasul no centro de um debate que mistura produtividade, mercado de trabalho, custo Brasil e eleições presidenciais de 2026.
Sebastião Melo cobra posicionamento político
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, também elevou o tom durante o evento ao afirmar considerar “estranho o silêncio dos políticos” diante do tema. Segundo ele, a discussão vem sendo tratada de forma eleitoral, sem aprofundamento técnico sobre as consequências econômicas da medida.
Melo afirmou que um estudo da Frente Nacional de Prefeitos aponta impacto superior a R$ 30 bilhões nas contas públicas municipais caso a mudança seja implementada sem transição gradual.
O prefeito também alertou para possíveis impactos em serviços terceirizados ligados à limpeza urbana, saúde, educação e transporte público.
Debate sobre produtividade divide empresários e Congresso
As propostas que tratam da redução da jornada avançaram recentemente na Câmara dos Deputados. Entre elas, PECs que discutem jornadas de 36 horas semanais e modelos de trabalho em escala 4x3.
Para lideranças empresariais do Sul do Brasil, a preocupação central está na produtividade e na capacidade das empresas absorverem novos custos trabalhistas em um cenário de juros elevados e desaceleração econômica.
A avaliação de parte do setor produtivo é de que mudanças dessa dimensão exigem implementação gradual, negociação setorial e análise dos impactos regionais.
Sul do Brasil amplia pressão por debate técnico
A posição da Federasul reforça um movimento crescente entre entidades empresariais do Sul do país que tentam evitar que a discussão seja conduzida apenas no campo político.
Para empresários, o debate sobre jornada de trabalho precisa considerar informalidade, competitividade e sustentabilidade financeira das empresas — especialmente pequenas e médias, que concentram grande parte dos empregos formais no Brasil.
Enquanto o tema avança em Brasília, entidades empresariais aumentam a pressão por um debate mais técnico e menos eleitoral sobre o futuro das relações de trabalho no país.
Sobre o autor
10 matérias publicadas
Editora do EmpreendaNews
Discussão
0 comentários
Notícias Relacionadas

Ibovespa futuro dispara 8% após 1º turno e mira 200 mil
Contrato com vencimento em outubro subia 7,7% às 9h15 desta segunda-feira (5), o dólar recuava para R$ 4,97 e o EWZ, em Nova York, já tinha antecipado o movimento na noite de domingo.

Eleições 2026: Flávio e Lula vão ao 2º turno; Jorginho vence
Disputa para presidente será decidida em 25 de outubro. Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) é reeleito no primeiro turno, e o PL fica com as duas vagas do Senado.

Petrobras encontra novo intervalo com petróleo no poço Morpho, no Amapá
A Petrobras identificou um novo intervalo portador de petróleo no poço Morpho, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. O resultado amplia os dados sobre a Bacia da Foz do Amazonas, mas ainda depende de análises para avaliar volume e viabilidade comercial.