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Construção CivilBlumenau – SC

Em seis anos, 65% mais caro - o Custo do m² de uma obra.

Entre setembro de 2020 e setembro de 2026, o custo médio do metro quadrado da construção no Brasil passou de R$ 1.209,02 para R$ 1.999,73 (Sinapi/IBGE), alta de 65,4%. Em Santa Catarina, foi de R$ 1.362,83 para R$ 2.251,60. O material encareceu mais que a mão de obra no período, a obra subiu cerca de 13% acima da inflação em termos reais desde dezembro de 2020, e em 2026 a pressão migrou da estrutura para a mão de obra. A matéria mostra como compatibilização, cronograma físico-financeiro, escopo fechado e decisões antecipadas reduzem a exposição do orçamento.

Em seis anos, 65% mais caro - o Custo do m² de uma obra.
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Em setembro de 2020, construir custava, em média, R$ 1.209,02 por metro quadrado no Brasil. Em setembro de 2026, custa R$ 1.999,73. Para uma casa de 300 m², é a diferença entre cerca de R$ 363 mil e cerca de R$ 600 mil de custo-base: R$ 237 mil a mais, sem um único tijolo acrescentado ao projeto.

Os números são do Sinapi, o sistema do IBGE que acompanha o custo da construção civil no país. Eles contam uma história que o orçamento de quem vai construir precisa conhecer, porque não é só a de um aumento. É a de um aumento que mudou de endereço várias vezes.

Custo por m² (Sinapi, base com desoneração)

Set/2020

Set/2026

Variação

Brasil, total

R$ 1.209,02

R$ 1.999,73

+65,4%

Brasil, materiais

R$ 645,56

R$ 1.127,17

+74,6%

Brasil, mão de obra

R$ 563,46

R$ 872,56

+54,9%

Santa Catarina, total

R$ 1.362,83

R$ 2.251,60

+65,2%

Em média, são 8,7% de alta ao ano, em taxa composta.

O material pesou mais, e ficou ainda mais pesado

Nos seis anos, o material encareceu 74,6%, contra 54,9% da mão de obra. O resultado é que a parte do material no custo do metro quadrado passou de 53,4% para 56,4%. Quem constrói hoje gasta uma fatia maior com aquilo que sai da loja de materiais, e uma fatia menor com quem executa.

Setembro de 2020 já estava no meio de um salto

A escolha da data inicial importa, e vale ser transparente com ela. O Sinapi fechou 2020 com alta de 10,16%, e o material respondeu pela maior parte: 17,28% no ano, contra 2,33% da mão de obra. Entre setembro e dezembro de 2020, o metro quadrado nacional foi de R$ 1.209,02 para R$ 1.276,40, uma alta de 5,6% em três meses.

Se a régua começa em dezembro de 2020, depois desse fim de ano, a alta até hoje é de 56,7%. Ainda assim, é muito.

A obra subiu mais que a inflação

O IPCA, a inflação do consumidor, acumulou cerca de 38,4% entre dezembro de 2020 e setembro de 2026 (cálculo a partir dos números anuais do IBGE). Na mesma janela, o custo do metro quadrado subiu 56,7%. Em termos reais, a construção ficou cerca de 13% mais cara do que o consumidor em geral sentiu. Quem planejou a obra corrigindo o orçamento pelo IPCA ficou, na prática, com um orçamento defasado.

Santa Catarina: o mesmo prêmio, em valor maior

No estado, o metro quadrado foi de R$ 1.362,83 para R$ 2.251,60: R$ 888,77 a mais por metro quadrado, ou 65,2%. Em setembro de 2026, Santa Catarina ficou acima do Paraná (R$ 2.161,79), do Rio de Janeiro (R$ 2.177,76) e de São Paulo (R$ 2.093,45).

O prêmio catarinense sobre a média nacional quase não mudou: era de 12,7% em 2020 e é de 12,6% hoje. Construir aqui custou e custa mais, e o aumento dos últimos anos manteve a mesma distância.

2026: um ano em três atos

O INCC-M, da FGV, acumula 6,61% em 12 meses até setembro, contra 7,07% um ano antes. O ritmo desacelerou, mas segue acima dos cerca de 4,6% do IPCA. E a pressão trocou de lugar durante o ano:

  • Abril, a estrutura. O INCC-M subiu 1,04% no mês. Materiais para estrutura foram de 0,17% para 1,82%, com concreto (+4,39%), PVC (+5,11%), cimento (+3,02%), blocos (+1,48%) e aço (+0,91%).

  • Agosto, as pessoas. A mão de obra subiu 1,56% no mês, contra 0,93% em julho: pedreiro (+1,10%), engenheiro (+1,89%), armador (+1,64%) e operador de máquina (+2,86%). Em 12 meses, a mão de obra acumula 7,63% e os materiais e equipamentos, 6,11%.

  • Setembro, uma trégua desigual. Aço (−0,27%), PVC (−0,48%) e cerâmica (−0,32%) recuaram, mas condutores elétricos subiram 2,34%. Não existe mês em que tudo cai junto.

Seis anos atrás, o vilão era o material. Hoje, no ritmo de 12 meses, é a mão de obra que corre na frente. O que não mudou é que sempre há um vilão, e ele raramente é o mesmo de uma obra para a outra.

O que muda para quem vai construir

Uma obra residencial de alto padrão atravessa meses, e cada fase expõe o orçamento a um grupo de preços diferente: primeiro estrutura e instalações, depois vedações e acabamentos, com a mão de obra presente o tempo todo. Por isso não adianta fechar o orçamento olhando o índice do dia. O que importa é quando cada insumo será comprado e quando cada equipe será paga.

Nenhuma gestão elimina a inflação da construção. O que ela faz é escolher o momento e o tamanho da exposição. Na prática, quatro frentes fazem diferença:

  1. Quantitativos fechados antes da primeira compra. O custo de um item é preço vezes quantidade, e o índice só mexe no preço. A compatibilização de projetos (arquitetura, estrutura, instalações) fecha a quantidade antes da obra. Sem ela, o material que falta é comprado às pressas, ao preço do dia e sem negociação.

  2. Cronograma físico-financeiro. Saber em que mês cada insumo e cada equipe entram permite negociar com antecedência e programar o desembolso. Sem isso, compra-se quando falta, e quem compra quando falta paga a tabela.

  3. Mão de obra contratada por etapa, com escopo definido. Com escopo fechado, as duas partes sabem o que está incluído. Sem escopo, cada imprevisto vira renegociação, e renegociação em ano de salários subindo raramente sai a favor do cliente.

  4. Decisões de acabamento antes de o canteiro abrir. Mudar um revestimento ou uma esquadria no meio da obra custa duas vezes: o preço atual do item novo e o retrabalho do que já estava executado.

É por isso que obras bem planejadas tendem a custar menos no longo prazo. O planejamento não faz o aço ou a mão de obra baratearem. Ele reduz o desperdício, o atraso e o retrabalho, que são os custos que o índice nunca mostra.

Para onde olhar a partir daqui

O próximo INCC-M, com preços coletados de 21/09 a 20/10, será divulgado em 27 de outubro. Ele dirá se a trégua de setembro foi respiro ou pausa. Para quem tem terreno e projeto prontos, a pergunta mais útil não é "vai subir ou vai cair?", e sim "em que mês da minha obra cada item vai ser comprado, e com quanta folga?".

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Sobre o autor

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Eder Carlos Amorim é proprietário da Prisma Construtora, referência em obras residenciais de alto padrão em Blumenau e região; com um olhar rigoroso para qualidade, custos e prazos, desenvolveu um sistema próprio de orçamento e gestão que automatiza desde o cálculo via base SINAPI até o controle financeiro de cada obra, elevando o padrão de eficiência e uma melhor experiência para seus clientes. Casado, pai de dois filhos e membro atuante em sua igreja local, é reconhecido também pelos valores que carrega para dentro e fora do canteiro de obras.

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