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Ele parou de sonhar com o Brasil e ficou com 71% dos shoppings de SC

Ao concentrar todo o capital em Santa Catarina em vez de disputar o Brasil, a Almeida Junior chegou a 71% do mercado estadual de shoppings, 35 milhões de visitantes por ano e um pipeline imobiliário de R$ 5 bilhões. O que o empresário catarinense pode aprender com a estratégia de fechar mercado — e o que ela cobra do lojista.

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Em 2008, enquanto Iguatemi e Multiplan espalhavam shoppings por todo o país, um empresário catarinense fez o movimento contrário: vendeu o shopping que tinha em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e concentrou todo o capital em um único estado. Dezoito anos depois, a Almeida Junior detém 71% do mercado de shopping centers de Santa Catarina.

São seis empreendimentos — Neumarkt e Norte, em Blumenau; Balneário Shopping, em Balneário Camboriú; Garten, em Joinville; Continente, na Grande Florianópolis; e Nações, em Criciúma —, mais de 1.500 lojas, 226 mil metros quadrados de área bruta locável e 35 milhões de visitantes em 2025. A Multiplan, dona de 20 shoppings no Brasil, não tem nenhum em território catarinense. A Iguatemi opera aqui apenas um outlet, em Tijucas.

Jaimes Almeida Junior chama a estratégia pelo nome: "fechar o mercado". E é aí que a história deixa de ser sobre shoppings e passa a interessar a qualquer empresário catarinense.

A lição não é o tamanho. É a escolha.

A tentação de quem cresce é a mesma em qualquer setor: assim que o negócio dá certo na cidade, o próximo passo parece ser o estado vizinho, depois o Sudeste, depois o Brasil inteiro. A Almeida Junior tentou esse caminho — chegou a transferir a sede para São Paulo nos anos 1990 — e voltou atrás.

O raciocínio foi simples: onde a empresa já entendia o terreno, o cliente e a prefeitura, cada real investido rendia mais do que renderia disputando um mercado desconhecido contra quem já estava lá. "A gente cresceu embaixo do radar da concorrência", diz o empresário. "Enquanto a concorrência pensava em Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, nós resolvemos fechar Santa Catarina."

Isso vale para a indústria de Blumenau, para o varejo do litoral, para o prestador de serviço do Vale. Profundidade regional é um ativo real, e ele quase sempre é subestimado por quem está com pressa de aparecer no mapa nacional.

Crescer para dentro

Com o estado praticamente ocupado, o grupo parou de inaugurar e passou a expandir o que já tem. O Balneário Shopping ganha mais 12 mil metros quadrados, saindo de 45 mil para 57 mil. Nos outros cinco, há mais 57 mil metros quadrados de potencial. O Garten está sendo preparado, o Neumarkt recebe uma nova ala, o Nações tem área disponível.

É um tipo de crescimento pouco glamouroso e muito eficiente: aproveitar o ativo maduro, o público já formado, a operação que já roda. Vale a mesma leitura para quem tem uma fábrica funcionando e fica tentado a abrir a segunda antes de extrair tudo o que a primeira ainda pode dar — turno ocioso, linha subutilizada, cliente atual comprando menos do que poderia.

E cada metro quadrado desses puxa uma cadeia inteira de fornecedores catarinenses junto: obra, mão de obra, logística, embalagem — o setor de sacolas e embalagens de SC, no qual atuamos aqui na Bella Top, sente essa expansão antes mesmo da inauguração, porque as lojas montam estoque e identidade visual meses antes de abrir a porta.

A nova aposta está em cima dos shoppings

A maior frente de crescimento, porém, não está dentro deles. O grupo tem um banco de 52 mil metros quadrados de terrenos próprios colados aos empreendimentos e vai erguer ali torres residenciais: quatro na Grande Florianópolis, um prédio de 50 andares em Balneário Camboriú, três sobre o Neumarkt, duas no Norte, três no Garten, quatro no Nações. São mais de 2 mil apartamentos e um VGV acima de R$ 5 bilhões.

A lógica é transformar o shopping em centro de bairro: quem mora em cima é cliente todo dia. O primeiro teste, o The Spot One, ao lado do Balneário Shopping, vendeu todas as unidades.

O outro lado da conta

Vale registrar o que 71% de participação também significa. No segundo trimestre, as vendas nas mesmas lojas cresceram 5,6%, enquanto os aluguéis nas mesmas lojas subiram 7,8%. Com ocupação de 96,9% e pouca alternativa comparável no estado, o poder de negociação do lojista catarinense diante do grupo é menor do que seria em um mercado pulverizado.

Concentração é uma excelente estratégia — para quem concentra. Para quem aluga a loja, é um custo que sobe mais rápido que a receita. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e o empresário que estuda esse caso deveria olhar para os dois lados dele.

O que fica

O grupo espera fechar 2026 com vendas dos lojistas perto de R$ 5 bilhões, crescendo entre 9% e 11% ao ano. Continua sendo empresa de dono único: Jaimes é fundador e o único acionista, e reinveste na própria companhia o resultado que ela gera — chegou a vender metade do negócio para a australiana Westfield em 2011 e recomprou a participação três anos depois.

Quase cinco décadas depois de começar com incorporação imobiliária em Blumenau, a estratégia é a mesma. Não é sobre estar em todo lugar. É sobre ser insubstituível em um lugar.

Com informações da revista Exame.

#estratégia#shopping centers#Santa Catarina#varejo#Almeida Junior
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Sobre o autor

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Empreendedor à frente da Bella Top Embalagens e Embaixador do EmpreendaNews. Compartilho experiências e conteúdos sobre empreendedorismo, embalagens, inovação e valorização de marcas.

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