Do caderno de anotações a duas unidades: Gisele Pandini e a Life Moving, que está transformando academias na região

Gisele Pandini comprou sua primeira academia com o primeiro salário de professora de Educação Física. Tinha 24 anos, equipamentos velhos, nenhuma experiência em gestão e um caderno onde anotava à mão o nome de cada aluno e o valor de cada mensalidade.
Onze anos depois, a Life Moving opera em Timbó e Indaial, prepara uma nova unidade de 1.130 m² e está desenhando um modelo de expansão com novos sócios.
Com a cara no balcão desde os 10 anos
O empreendedorismo veio de casa. A mãe de Gisele tocou uma loja por 40 anos, sozinha, criando duas filhas. Gisele cresceu literalmente atrás do balcão, aprendendo a vender roupa, dar troco e conversar com clientes desde os 10 anos. Aos 15, a mãe abriu uma loja para ela na rodoviária da cidade. Ali, sozinha, tinha que comprar produto, calcular margem e atender filas de clientes.
A irmã seguiu caminho parecido e hoje tem uma agropecuária. Para Gisele, não tem como separar essa formação de berço do que ela se tornou como empresária.
O primeiro salário virou academia
Formada em Educação Física, Gisele sabia que o salário de professora não chegava perto do que ganhava com a loja. Então, planejou: continuou na loja, guardou dinheiro, não comprou carro, não comprou roupa, não gastou com nada. Sabia que precisaria do capital para algo maior.
Conseguiu um emprego como professora numa academia tradicional de Timbó, com cerca de 15 anos de existência, mas defasada em equipamentos e gestão. No primeiro mês, ouviu um boato de que estava à venda. Preço: R$ 250.000. Gisele foi até o dono e perguntou. Ele confirmou.
Tinha um valor guardado, mas faltava completar. A mãe não queria que comprasse, achava que deveria montar uma do zero. Gisele insistiu: estava comprando alunos, carteira ativa, um negócio funcionando. Convenceu a mãe a emprestar R$ 30.000 para fechar. Nunca devolveu o dinheiro. Hoje, a mãe tem muito orgulho do que aconteceu.
No primeiro mês, já sobrou dinheiro. Gisele não tirava salário, pagava só a gasolina da moto e reinvestia tudo. Comprou o primeiro banco de musculação. Depois, foi trocando equipamento por equipamento.
Do caderno ao Excel
A gestão começou no improviso. Gisele não sabia usar planilha. Anotava tudo à mão: entrada de aluno, valor da mensalidade, custos fixos. No final do mês, somava. Se sobrava, reinvestia. Se dava para pagar contabilidade, água e luz, seguia em frente.
Até que uma aluna perguntou se ela não trabalhava com Excel. Foi o empurrão que faltava. Migrou as anotações para planilha e começou a enxergar o negócio com mais clareza. Depois, vieram consultorias: primeiro financeira, depois técnica para os professores.
Naqueles primeiros anos, Gisele era recepcionista, professora, faxineira e gestora. Abria ou fechava a academia todos os dias, das 5h30 às 23h30. Nos finais de semana, fazia manutenção nos equipamentos.
A pandemia como ponto de inflexão
O fechamento na pandemia forçou uma reflexão. Gisele percebeu que não queria mais viver bitolada no negócio, fazendo tudo sozinha, 12 a 14 horas por dia. Daquele jeito, não cresceria.
Contratou um consultor financeiro que se tornou mentor. Começou a contratar pessoas para as funções que acumulava. Estudou modelos de alavancagem. E entendeu que crescer significava sair do operacional e pensar no negócio como sistema.
De Life para Life Moving
A marca original, Life, vinha da primeira fase do negócio, mas não era registrável com exclusividade, pois existem muitas academias com o mesmo nome. Para o novo projeto de expansão, Gisele precisava de uma marca própria e protegida.
Nasceu a Life Moving. O nome preserva a origem e adiciona o conceito de movimento, que é o propósito da empresa: transformar a vida das pessoas através do movimento. O branding inclui símbolos de dinamismo e está registrado no INPI, uma lição que Gisele reforça para outros empreendedores depois de ver cases de empresários que tiveram que mudar de nome por falta de registro.
Indaial: inovação e família
A unidade de Indaial foi inaugurada em parceria com Jean Filho, que começou como funcionário na academia de Timbó. Jean é formado em Educação Física, tem perfil comercial e complementa o perfil visionário de Gisele. Trabalharam dois anos juntos antes de formalizar a sociedade.
O projeto de Indaial trouxe diferenciais que nenhuma academia da região oferecia. Esteiras com tela conectada ao YouTube e a plataformas de streaming, onde o aluno treina enquanto assiste a podcasts ou estuda. Área kids com monitoras qualificadas para que pais e mães treinem tranquilos enquanto os filhos brincam. E espaços de convivência com mesa de sinuca e poltronas de massagem.
A proposta é clara: academia como espaço para a família inteira, não apenas para quem treina.
Timbó vai ganhar a mesma estrutura
A novidade revelada na entrevista: o contrato já está assinado para uma nova unidade em Timbó. A academia original de 500 m² vai dar lugar a um espaço de aproximadamente 1.130 m², com o mesmo padrão de equipamentos e experiência da unidade de Indaial. Área kids, tecnologia e foco em família.
Para Gisele, os clientes de Timbó que acompanharam toda a jornada mereciam essa evolução.
Modelo de expansão com propósito
A Life Moving está aberta a novos sócios, mas com critérios claros. Não querem investidor por investidor. Buscam profissionais de Educação Física com experiência, pegada comercial e alinhamento com o propósito da marca. A ideia é oferecer oportunidade para o professor que tem capacidade, mas só precisa de um empurrão para empreender.
Gisele resume a filosofia: onde você coloca energia, acontece. No negativo também. Quem só consome conteúdo ruim, só pensa negativo, não vai construir nada saudável. A academia é o espelho disso: disciplina, consistência e decisão diária de ser melhor.
🎙️ Quer conhecer a história completa e o novo espaço da Life Moving? Assista à entrevista na íntegra com Gisele Pandini e Jean Filho no canal do Empreenda News no YouTube.
👉 Assistir à entrevista completa → https://youtu.be/-5GXbp5N4Bs
🔗 Conheça a Life Moving → https://www.instagram.com/lifemoovingacademia
Entrevista por Gustavo Anesi.
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