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De um apartamento em Timbó para a maior feira promocional da América Latina: a história da Copos Ind

De um apartamento em Timbó para a maior feira promocional da América Latina: a história da Copos Ind
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William tem 41 anos, é de Gaspar, mora em Timbó há 20 anos e comanda a Copos Ind ao lado da esposa. A empresa é uma fábrica de copos personalizados que nasceu dentro de um apartamento, em cima de uma locadora de DVD, e hoje produz mais de 230 produtos, opera com 33 sites no ar e atende as maiores gráficas do país.


Do DVD ao copo long drink

Antes da Copos existir, William e a esposa tinham uma locadora de DVD em Timbó. Em 2008, começaram a trabalhar com produtos personalizados em paralelo: bottons, camisetas, toalhas e canecas. Atendiam empresas com brindes e foram se tornando, como ele mesmo define, um “Posto Ipiranga” da personalização.

A virada veio em setembro de 2013, quando lançaram o primeiro anúncio de copo long drink personalizado no Mercado Livre. Na época, quem queria copos personalizados dependia de empresas de brindes, com pedido mínimo alto e atendimento exclusivo para pessoa jurídica.

A Copos entrou no mercado com uma proposta diferente: fabricar produto personalizado para pessoa física. Casamento, formatura, aniversário de 15 anos, festas para 300 pessoas. Sem pedido mínimo, sem burocracia. Queria 10 copos? Comprava 10 e pagava o preço de 10.


Sentimento dentro da caixa

William define a Copos como uma empresa de sentimento. Um copo é um copo em qualquer lugar do mundo. Mas, quando você coloca o nome de alguém nele, ele vira outra coisa. Gera percepção, gera valor, gera conexão. Dificilmente vai parar no lixo.

E, quando sai da fábrica para entrega, não é mais copo sendo transportado. É quase um órgão: se não chegar no dia, alguém sofre. O formando sem o copo personalizado na formatura se sente o pior formando do planeta.

Essa visão transformou um produto commodity em algo com carga emocional, permitindo cobrar pela personalização e construir um negócio com margens saudáveis.


A greve que mudou tudo

Até 2018, a Copos vendia 100% via Mercado Livre e site próprio, com foco em pessoa física. A greve dos caminhoneiros daquele ano foi o primeiro grande baque.

O Mercado Envios, que antes cobrava R$ 17 por caixa para qualquer lugar do Brasil, passou a cobrar por volumetria. Como copos são produtos volumosos, o frete disparou: de R$ 17 para R$ 140 em alguns destinos. O mercado do Nordeste, que era forte, desapareceu da noite para o dia.

A resposta foi rápida. William decidiu sair do marketplace e migrar para o B2B, vendendo para empresas, agências de marketing e gráficas. A margem é menor, mas o volume compensa. E, no B2B, quando você trabalha bem, um cliente indica o outro.


33 sites, zero anúncio pago

A estratégia digital da Copos é um caso à parte. São 33 sites no ar. Dois são e-commerces: um para produto personalizado e outro para produto liso. Um é o site institucional, com calculadora de preço. E os outros 30 são hotsites nichados, cada um voltado para uma persona específica: escolas, festas de 15 anos, formaturas e eventos corporativos. Cada site fala a língua daquele público.

Um exemplo concreto: o site de brindes para escolas foi lançado e, no primeiro mês, teve 137 acessos orgânicos. Desses, saíram dois pedidos: um de R$ 5.000 e outro de R$ 7.000. Sem um centavo investido em anúncio pago.

William é assumidamente apegado ao orgânico. Não por não acreditar no pago, mas porque o pago sangra a margem e funciona como uma fogueira: para de jogar dinheiro e o fogo apaga. O orgânico dá mais trabalho, exige texto, vídeo, blog e estrutura de página, mas constrói uma base sólida. E, com a inteligência artificial acelerando a produção de conteúdo, o processo ficou mais viável.


Pandemia, varejo e a ressaca

A pandemia matou as festas e, com elas, a demanda por copos personalizados. A Copos se reinventou estampando vidros para o varejo e lançou um produto plástico que substituía cerâmica importada, já que os portos da China estavam fechados.

A fábrica saltou de três ou quatro injetoras para nove. Os galpões ficaram pequenos. Veio puxadinho, aluguel de espaço extra.

Em 2022, com a reabertura pós-pandemia, veio a onda represada de formaturas, casamentos e aniversários que estavam travados. Foi o melhor ano da Copos em faturamento e resultado. Depois, a volta ao marketplace trouxe volume, mas corroeu a margem. O alerta acendeu: vender muito não significa vender bem.




Inovação no produto

Ao longo dos anos, a Copos foi pioneira em vários lançamentos: o primeiro long drink com tampa do Brasil, o primeiro copo com alça e o primeiro copo de madeira. Cada molde novo é um investimento alto e arriscado. Se o produto não performa, o prejuízo é grande. Mas a assertividade nos lançamentos construiu uma reputação de inovação dentro do segmento.

Hoje, a empresa também vende equipamentos para revendedores que querem personalizar os copos por conta própria, criando uma rede de parceiros. William, porém, faz questão de avaliar cada potencial vendedor antes de vender o equipamento: se não sentir segurança na criatividade da pessoa, prefere não vender. Porque, se o revendedor falhar, o culpado, na cabeça dele, sempre será a Copos.


Feiras: onde o relacionamento acontece

Desde 2018, a Copos participa da Brasil Promotion, a maior feira do segmento promocional da América Latina. William define vendas como relacionamento, e a feira é onde esse relacionamento acontece de verdade. É onde você coloca o copo na mão do cliente, onde encontra diretores de marketing de grandes empresas e onde cria conexões que duram anos.

A mensagem para outros empreendedores é direta: mesmo sem dinheiro para expor, vá como visitante. Entenda o negócio dos concorrentes. Veja como ser melhor. E nunca subestime uma feira, mesmo as que parecem erradas para o seu segmento, porque você nunca sabe quem vai aparecer.


Fazer o que tem que ser feito

Quando perguntado sobre o segredo do negócio, William volta sempre ao mesmo ponto: fazer o que tem que ser feito, não o que se quer fazer. Se o chão está sujo, pega a vassoura. Se precisa ligar para o cliente que sumiu, liga. Se precisa virar a noite, vira. Sem ego, sem frescura.


A Copos Ind é a menor entre seus concorrentes. Mas é enxuta, ágil e próxima do cliente. E nisso está o diferencial: enquanto empresas grandes ficam pesadas com camadas de diretoria, a Copos pega os mercados que elas não conseguem atender.


🎙️ Quer conhecer a história completa? 

Assista à entrevista na íntegra com William no canal do Empreenda News no YouTube.

Uma conversa sobre e-commerce, personalização, feiras de negócios e o futuro do varejo online.

👉 Assistir a entrevista completa → https://www.youtube.com/watch?v=nolgBgJn-kc

🔗 Conheca a Copos Ind → https://www.copos.ind.br/

Entrevista por Gustavo Anesi.



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