Copa do Mundo e expediente: o que está em jogo além do futebol?

A cada quatro anos, uma cena se repete nos escritórios, fábricas, hotéis e comércios do país: a tabela da Copa do Mundo passa a disputar espaço com as agendas de trabalho.
Com o Mundial de 2026 em andamento, volta à tona uma dúvida recorrente: as empresas são obrigadas a liberar seus colaboradores durante os jogos da Seleção Brasileira? A resposta é não. Os dias de partidas não são feriados nacionais e, portanto, cabe a cada organização decidir como conduzir sua operação.
Do ponto de vista legal, a questão é relativamente simples. Do ponto de vista da gestão, nem tanto.
É verdade que a legislação permite diferentes formas de flexibilização, incluindo compensação posterior das horas não trabalhadas. Mas acredito que a discussão mais interessante está em outro lugar: como as empresas lidam com momentos que mobilizam emocionalmente seus times?
Uma pesquisa da plataforma UKG estima que a Copa de 2026 poderá gerar perdas de até US$ 17 bilhões em produtividade global. O mesmo levantamento aponta que mais de um terço dos profissionais pretende ajustar sua rotina para acompanhar os jogos.
À primeira vista, os números podem preocupar. Mas talvez eles revelem algo que gestores atentos já sabem: pessoas não deixam suas emoções do lado de fora quando entram para trabalhar.
Grandes eventos esportivos despertam senso de pertencimento, conversa, expectativa e conexão. Ignorar isso pode ser tão improdutivo quanto flexibilizar sem planejamento.
As organizações mais maduras costumam compreender que produtividade não é apenas uma questão de horas trabalhadas, mas também de engajamento. E engajamento passa por reconhecer que existem momentos coletivos que fazem parte da cultura de um país.
Não estou defendendo que todas as empresas parem durante os jogos. Cada negócio possui suas particularidades, suas demandas e suas responsabilidades com clientes e equipes. Um hotel, por exemplo, não pode simplesmente fechar as portas por noventa minutos.
Mas existe uma oportunidade para que líderes reflitam sobre como equilibrar resultados e experiência do colaborador. Em muitos casos, uma pausa organizada, uma transmissão coletiva ou uma flexibilização previamente planejada pode gerar mais conexão do que impacto operacional.
No fim, a Copa passa. O que permanece é a forma como as empresas escolhem lidar com as pessoas nos momentos que importam para elas.
E talvez essa seja a partida mais importante para qualquer líder.
Sobre o autor

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CEO do Grupo Cascaneia, complexo turístico que reúne o parque aquático Cascaneia, o Resort Ecoar e o Hotel Villa di Acqua. Empresária apaixonada por turismo, hospitalidade e experiências que conectam pessoas, atua com foco em gestão, inovação e desenvolvimento de equipes. Compartilha reflexões sobre liderança, negócios, turismo e os desafios do empreendedorismo no dia a dia.
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