Construtoras com dificuldades de Mão de Obra Qualificada.
O Brasil enfrenta o pior cenário de escassez de mão de obra qualificada em construção civil dos últimos anos e Santa Catarina sente isso primeiro, com o maior custo de construção do país. Entenda a dimensão do problema, o impacto em obras de alto padrão, e o que muda quando o projeto tem uma gestão profissional por trás.

Preste atenção nas obras ao redor de onde você mora. Boa parte anda mais devagar do que deveria. Não é impressão — é o retrato de um problema estrutural que o setor da construção civil brasileira enfrenta hoje: falta gente qualificada pra construir.
Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 94% das construtoras do país enfrentam algum grau de escassez de mão de obra qualificada, e 76% já precisaram rever cronogramas por falta de profissionais. Um levantamento da FGV IBRE aponta que mais de 69% das empresas do setor têm dificuldade para contratar ou reter trabalhadores. E isso acontece justamente num momento de expansão: o setor abriu 154 mil vagas formais só nos cinco primeiros meses de 2026, segundo dados do Novo Caged compilados pela Agência CBIC. O problema não é falta de trabalho disponível — é falta de gente preparada para ocupá-lo.
Por que está faltando gente
O setor cresce mais rápido do que forma profissionais. Segundo o Mapa do Trabalho Industrial do SENAI, a construção civil é o segundo setor com maior projeção de novas vagas até 2027 no Brasil, atrás apenas de Logística e Transporte — uma demanda estimada em mais de 4,4 milhões de postos no período.
Há também uma perda silenciosa de conhecimento técnico. Especialistas em RH do setor apontam que a função de mestre de obras está praticamente extinta: era um cargo formado dentro do próprio canteiro, ao longo de anos — o operário virava encarregado, o encarregado virava mestre. Hoje esse ciclo de formação informal foi interrompido, e técnicos em edificações tentam preencher uma lacuna que não se resolve só com diploma.
Santa Catarina sente isso primeiro
Em Santa Catarina, o efeito já aparece no custo. De acordo com o Observatório FIESC, com base em dados do IBGE/SINAPI, o custo médio da construção no estado foi de R$ 2.169,50 por m² em janeiro de 2026 — o maior do país, ante uma média nacional de R$ 1.920,74. O CUB/SC fechou o mesmo mês em R$ 3.012,64/m², o segundo maior do Brasil, atrás apenas do Mato Grosso. O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, resume o cenário de forma direta: o custo da construção no estado já está pressionado pela escassez de mão de obra, porque Santa Catarina opera em pleno emprego.
O efeito é mais sério em obras de alto padrão
Em uma obra comum, a escassez de mão de obra qualificada gera atraso. Em uma obra de alto padrão, ela gera algo mais caro: substituição silenciosa de qualidade. Quando falta o profissional certo — o marceneiro que entende junta invisível, o instalador que calibra automação, o azulejista que não deixa rejunte irregular em porcelanato de grande formato —, a tendência do mercado é substituir por quem está disponível, não por quem é ideal. O resultado aparece meses depois, na forma de retrabalho, patologia construtiva ou acabamento que não sustenta o padrão prometido.
O que muda com uma boa gestão por trás
É por isso que o setor está reagindo com mais planejamento e mais tecnologia: pesquisa da consultoria Falconi em parceria com a Sienge mostra que o uso de inteligência artificial na gestão de obras saltou de 15% em 2023 para 38% em 2025 — não por modismo, mas porque rastreabilidade e planejamento rigoroso viraram a forma de compensar a falta de gente.
Isso reposiciona o que significa contratar uma boa construtora. Não é sobre portfólio bonito. É sobre quem já resolveu esse problema antes de ele chegar ao seu canteiro:
Rede de fornecedores e mão de obra qualificada já validada — construída ao longo de anos, não montada às pressas para um projeto específico.
Planejamento físico-financeiro com margem para o cenário real do setor, não para o cenário ideal que só existe no papel.
Fiscalização técnica constante, que identifica substituição de mão de obra antes que vire problema estrutural ou estético.
Gestão que antecipa gargalos em vez de reagir a eles quando o cronograma já está comprometido.
Quem constrói sem esse tipo de gerenciamento está, na prática, apostando que a escassez de mão de obra não vai bater na porta do seu projeto. Os números mostram que essa aposta está cada vez mais arriscada — para qualquer obra, em qualquer padrão.
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Sobre o autor

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Eder Carlos Amorim é proprietário da Prisma Construtora, referência em obras residenciais de alto padrão em Blumenau e região; com um olhar rigoroso para qualidade, custos e prazos, desenvolveu um sistema próprio de orçamento e gestão que automatiza desde o cálculo via base SINAPI até o controle financeiro de cada obra, elevando o padrão de eficiência e uma melhor experiência para seus clientes. Casado, pai de dois filhos e membro atuante em sua igreja local, é reconhecido também pelos valores que carrega para dentro e fora do canteiro de obras.
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