Como usar a IA para vender mais e reduzir custos nas empresas
Em entrevista a João Paulo Taumaturgo no EmpreendaPocket, executivo apresentou aplicações da inteligência artificial em vendas, atendimento e cobrança e afirmou que a tecnologia pode gerar retorno de até 20 vezes.

O EmpreendaPocket recebeu Henrique Carvalho, country manager da Moveo.AI no Brasil, para uma conversa sobre os impactos da inteligência artificial nas empresas e as oportunidades que a tecnologia pode criar para empresários de diferentes setores.
Na entrevista conduzida por João Paulo Taumaturgo, Henrique explicou como agentes de inteligência artificial já estão sendo utilizados em áreas como atendimento ao cliente, vendas, pré-vendas, suporte e cobrança.
Segundo o executivo, as ferramentas atuais podem ser compreendidas como uma nova geração de chatbots. Diferentemente dos modelos tradicionais, limitados a opções como “digite um” ou “digite dois”, as novas soluções conseguem interpretar mensagens, consultar informações e conduzir conversas mais próximas de uma interação humana.
De vendedor ao comando de uma operação de tecnologia
Durante a conversa, Henrique também relembrou sua trajetória profissional. O executivo contou que sempre teve uma relação próxima com vendas e que atua no ecossistema de startups desde 2015.
Ao longo da carreira, passou por empresas dos setores de recursos humanos, educação e serviços financeiros. A experiência envolveu a criação de máquinas comerciais, estruturação de equipes, desenvolvimento de parcerias e participação em ambientes de crescimento acelerado.
Mineiro e morando em São Paulo há quase dez anos, Henrique afirmou que está há aproximadamente três anos e meio à frente da operação brasileira da Moveo.AI. Atualmente, além da área comercial, acompanha equipes de sucesso do cliente, tecnologia e serviços profissionais.
Empresários podem acelerar vendas com respostas imediatas
Um dos principais pontos abordados na entrevista foi a velocidade no atendimento de potenciais clientes. Henrique explicou que o tempo de resposta pode influenciar diretamente os resultados de uma equipe de pré-vendas.
Quando um consumidor demonstra interesse em várias empresas, aquela que responde primeiro pode ter mais chances de avançar na negociação.
Nesse cenário, o agente digital funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, sem interromper o atendimento. Mesmo quando centenas ou milhares de contatos chegam simultaneamente, a tecnologia consegue iniciar as conversas e realizar a qualificação dos interessados.
A inteligência artificial também pode assumir tarefas repetitivas e preparar o consumidor antes de encaminhá-lo para um vendedor. Dessa forma, os profissionais concentram esforços nas negociações mais complexas e nas oportunidades com maior possibilidade de fechamento.
IA pode gerar retorno de até 20 vezes
Henrique apresentou exemplos de empresas que já utilizam inteligência artificial em operações de grande escala.
Em um caso relacionado ao setor de telecomunicações, a substituição de um chatbot tradicional por uma solução de IA teria aumentado em 80% a quantidade de acordos realizados em uma etapa de cobrança.
O executivo também citou uma empresa de games que realiza mais de um milhão de atendimentos mensais. Segundo ele, a tecnologia consegue resolver entre 60% e 70% das solicitações sem a necessidade de encaminhamento imediato para um atendente humano.
Em outra operação, a solução representaria uma economia equivalente a aproximadamente 300 posições de atendimento.
Na área de cobrança, Henrique afirmou que o retorno médio observado entre os clientes da empresa varia de 15 a 20 vezes o valor investido.
“A cada R$ 1 investido em uma solução como essa, você recupera em torno de R$ 15 a R$ 20”, explicou durante a entrevista.
Tecnologia não substitui o relacionamento humano
Apesar dos ganhos de produtividade, Henrique destacou que a inteligência artificial não deve ser vista como uma solução capaz de substituir completamente as pessoas.
Para o executivo, a tecnologia funciona como uma ferramenta que precisa ser acompanhada, treinada e aprimorada continuamente.
Atividades que envolvem criatividade, sensibilidade, pensamento crítico e construção de relacionamentos ainda dependem da participação humana.
“Ela não substitui o relacionamento humano que precisa existir”, afirmou Henrique.
Segundo ele, a capacidade das pessoas de criar conexões permanece insubstituível, tanto no ambiente empresarial quanto nas relações pessoais.
Por onde o empresário deve começar
Ao final da entrevista, Henrique orientou empresários a começarem pelos processos repetitivos, de grande volume e menor complexidade.
Antes de automatizar, porém, a empresa precisa organizar suas informações, documentar procedimentos e criar manuais. A inteligência artificial depende desses dados para compreender como cada atividade deve ser realizada.
Henrique também recomendou que os empresários não tentem transformar toda a operação de uma só vez.
O melhor caminho é identificar as atividades que consomem mais tempo, iniciar um projeto menor e ampliar a utilização da tecnologia conforme os resultados aparecem.
A entrevista completa está disponível no EmpreendaPocket, programa do EmpreendaNews que apresenta histórias, experiências e aprendizados relacionados a empreendedorismo, negócios, tecnologia e desenvolvimento profissional.
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